Quinta-Feira, 17 Maio 2012 - 13:01 (Açores 12:01)
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Portugal-Angola: Visita de Passos Coelho agenda cimeira para 2013
Primeiro-ministro faz visita relâmpago a Angola de menos de 48 horas porque, como afirmaria “Angola é oportunidade única” pretendendo desta forma preparar as bases de um relacionamento ainda “mais intenso e de maior proximidade” entre os “cidadãos, as empresas e os estados”. Ã presença portuguesa cada vez maior em Angola, em cidadãos emigrados e empresas, não foram certamente alheias a esta preocupação do governo português que vai ter ainda de trabalhar muito, porque as autoridades angolanas lançaram logo um “aviso à navegação”, com o anuncio do aumento brutal das pautas aduaneiras, que por exemplo no caso da cerveja, chega aos 50 por cento. Empresas portuguesas em Angola sim, são bem vindas, mas só se for numa perspectiva de presença efectiva em território angolano. Para já, o Emigrante/Mundo Português soube em Luanda, que o primeiro-ministro negociou um prazo para entrada em vigor das novas regras, veremos se chega para as empresas portuguesas se prepararem...
A garantia do apoio de Angola a Portugal, que atravessa uma fase que o primeiro-ministro português caracterizou em Luanda como “difícil”, constituiu a principal marca deixada pela visita oficial que Pedro Passos Coelho efectuou a Angola. A visita que durou menos de 48 horas, era ambiciosa à partida. De tal forma que o encontro inicial com o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos previsto para 40 minutos acabou por prolongar-se por mais de duas horas. Cimeira em 2013 A extensão do encontro foi a face visível do sucesso do mesmo e ficou a dever-se aos múltiplos assuntos abordados, tendo no final, sido anunciada a realização de uma cimeira bilateral em 2013, subordinada ao tema “Crescimento Sustentável”, e para cuja concretização e organização foi já formada uma comissão, anunciou o primeiro-ministro. A visita de Passos Coelho começou com um encontro com o presidente do parlamento, Paulo Kassoma, tendo de seguida visitado as obras de construção do futuro edifício da Assembleia Nacional, um fantástico projecto de engenharia e construção que está a ser levado a cabo pela empresa portuguesa Teixeira Duarte, a que se seguiu o encontro com José Eduardo dos Santos . A extensão deste encontro obrigou à anulação de passagens pelo Sanatório de Luanda e pela Universidade Católica e a um notório atraso na visita à Escola Portuguesa da Luanda. Escola Portuguesa de Luanda quer crescer A visita à Escola Portuguesa foi um enorme sucesso. Alvo de grandes manifestações de afectividade por parte dos alunos, que formaram duas alas por onde passou, o primeiro-ministro, que esteve sempre acompanhado pelo chefe da diplomacia angolana, Georges Chicoty, considerou dever justificar o atraso com que ali tinha chegado e aproximou-se dos alunos dos anos intermédios do ensino básico a quem pediu que o desculpassem, explicando que tinha estado com o Presidente José Eduardo dos Santos. Quando perguntou se estava desculpado a resposta, coletiva, foi enorme “Sim!” que se ouviu em toda a escola. De seguida Passos Coelho visitou a escola e algumas salas de aula, onde os alunos tinham ficado a trabalhar para receber o primeiro-ministro português. No final ouviram-se os dois hinos cantados pelos alunos da escola e tempo ainda para Passos Coelho afirmar mais uma vez as dificuldades de Portugal, mas que mesmo assim não ira deixar de pensar num eventual apoio à a ampliação da Escola Portuguesa de Luanda, que neste momento vive só com receitas próprias, dos 1700 alunos que a frequentam e tem uma lista de espera superior a 600. Visitas rápidas às obras de requalificação da baía de Luanda, também com projecto de empresas portuguesas) e de renovação da Fortaleza de São Miguel, que acolhe o Museu de História Militar. No final da tarde participou um encontro com empresários portugueses e angolanos no Auditório Pepetela, do Centro Cultural Português, e terminaria o dia com uma audiência a Isaías Samakuva, líder do maior partido da oposição, a UNITA. Defesa e segurança para Guiné Bissau Durante o mesmo encontro o presidente angolano, pediu também o apoio e o empenho de Portugal para acelerar a assinatura do Memorando de Entendimento (ME) para a Guiné-Bissau, sobre o sector da defesa e segurança. José Eduardo dos Santos apelou para que Portugal, que agora detém a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, “encete diligências quer em África, quer em outros continentes, por forma a garantir-se apoio à Guiné-Bissau e para que o ME seja assinado o mais depressa possível”. O Chefe de Estado angolano disse que pretende mandar enviados especiais para os países de maior influência da CDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), solicitando “maior atenção” para solicitarem maior atenção para o dossier Guiné-Bissau. “Temos encontrado dificuldades junto de alguns países da CDEAO e a minha intenção é enviar enviados especiais a alguns desses países, sobretudo os mais influentes da região, de forma a pedir que prestem maior atenção a este dossier e que acelerem assinatura desse ME”, referiu. Por sua vez, o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, manifestou a sua “convicção” numa solução rápida para a estabilização da Guiné-Bissau, tendo em conta um encontro que manteve em Setembro com o Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon. “Nas últimas conversas que mantive em Nova Iorque com o SG da ONU obtive a convicção de que encontraremos para a Guiné-Bissau um quadro de apoio internacional que ajude à estabilização e à normalização do país e que traga algum reconhecimento e apoio externo, que esteve como todos sabem suspenso durante algum tempo”, acrescentou Passos Coelho. Segundo Pedro Passos Coelho, a visita que Ban Ki-Moon pretende realizar à Guiné-Bissau nos próximos tempos “pode trazer não apenas o reconhecimento público para a situação, mas também o empenho do próprio Secretário-geral da ONU, para que se encontre uma solução de apoio internacional para o processo que está a ser desenvolvido na Guiné-Bissau”. Angola, que detém actualmente a presidência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), tem apoiado a Guiné-Bissau no programa de reformas do sector da defesa e segurança do país, que durante algum tempo viveu sucessivos momentos de instabilidade político-militar. Além do apoio financeiro, orçado em mais de 600 milhões de dólares, Angola tem uma missão militar de cerca de 200 efectivos destacada na Guiné-Bissau, que durante um ano, estará a apoiar a reestruturação das Forças Armadas daquele país. José Manuel Duarte jduarte@mundoportugues.org |
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