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Economia

    

Banca e algumas empresas em Portugal estudam cenários para o fim do euro

Segunda-Feira, 12 Dezembro de 2011
Até há bem pouco tempo o euro surgia como a moeda mais forte do mundo, capaz mesmo de destronar o dólar na confiança mundial e tornar-se moeda de entesouramento. Depois começou a crise que num ápice deixou de ser dos países mais fracos e veio por em causa o próprio euro. Nessa altura ninguém pôs em causa a moeda, imponente na sua solidez. Volvidos uns meses é o próprio euro que está em causa e já há empresas portuguesas a estudar cenários se vier a acabar...

Um pouco por toda a Europa estão a surgir os primeiros sinais de que os bancos centrais já pensam em como ressuscitar moedas nacionais e recomeçar a imprimir notas.
Um problema que não afecta Portugal que tem capacidade instalada para isso, inclusivamente faz actualmente a impressão das notas de vinte euros. No caso da Irlanda, o Banco Central está considerando se precisará de garantir o acesso a impressoras próprias, já que no caso de sair do euro, ou do euro vir inclusivamente a acabar, o país pretende imprimir as suas próprias notas.
Em Atenas há alguns rumores rumores de que o Banco Central da Grécia estaria secretamente imprimindo dracmas, a moeda grega antes do euro. Os planos dos bancos centrais são isso mesmo, apenas planos e não representam a expectativa de que a zona do euro esteja a caminho da dissolução. Mas não deixa de ser curioso que os bancos centrais estejam mesmo estudando essa possibilidade, que até poucos meses atrás estava fora de cogitação.
Em Portugal já não é segredo para ninguém que tanto o grupo Sonae, como a própria Auto-Europa têm estudos encomendados que permitam antever o cenário da economia nacional num cenário fora do euro, quer seja por saída própria, quer seja por dissolução do próprio euro.
E se no principio todas as análises apontavam para a “tragédia” que seria a saída do euro, neste momento há já muitos analistas dos mais variados quadrantes, quer nacionais quer estrangeiros que apontam essa mesma saída como o caminho não só para a Grécia, como também para Portugal, Irlanda e até mesmo para a Espanha e a Itália. Um dos vários desafios é que empréstimos e depósitos actualmente em euros teriam que ser revertidos para outras moedas. E cada país teria que, individualmente, decidir se vai ressuscitar a antiga moeda e, nesse caso, com que rapidez voltar a produzir grandes quantidades de notas.
Nas últimas semanas, autoridades do banco central da Irlanda tiveram discussões preliminares sobre a eventual necessidade de ampliar a capacidade de impressão no caso de uma ruptura da zona do euro ou caso a Irlanda deixe o bloco para retomar sua antiga moeda, a libra irlandesa - segundo um editorial do jornal Daily Mail. As autoridades já discutiram a reactivação de antigas impressoras e a contratação de uma empresa privada, disseram as pessoas.
“Estão sendo avaliadas várias coisas que não estavam sendo vistas há dois meses”, de acordo com uma pessoa que participou do encontro. Uma porta-voz do Banco Central da Irlanda não quis comentar ainda segundo o mesmo jornal inglês.
José Manuel Duarte
jduarte@mundoportugues.org



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