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Comércio: Época de Natal com quebras de 30% em Lisboa e Porto

Terça-Feira, 27 Dezembro de 2011

A época festiva foi de contracção do consumo nas regiões de Lisboa e Porto, com as associações de comerciantes das duas cidades a apontarem hoje para perdas de 30 por cento face a 2010.

Em Lisboa, de acordo com a presidente da União de Associações do Comércio e Serviços (UACS), Carla Salsinha, ainda sem dados definitivos, "a quebra é acima dos 30 por cento", podendo ter ido até aos 40 por cento nalguns casos, ligeiramente acima das perdas de 2010.

No Porto, os números são semelhantes, com descidas na ordem dos 25 a 30 por cento, segundo disse à Lusa o presidente da Associação de Comerciantes da cidade, Nuno Camilo, numa altura em que "os comerciantes do Porto queixaram-se, no sentido de as quebras terem sido bem mais acentuadas do que no ano anterior".

Mais optimista mostrou-se o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina, Manuel Lopes, para quem "o Natal correu com normalidade", sendo que "as vendas não terão sido tão inferiores quanto se chegou a esperar".

"Obviamente que há uma diferença entre 10 a 15 por cento, menos do que no ano passado, mas acima de tudo também há empresas que suplantaram as suas vendas no ano anterior", explicou à Lusa Manuel Lopes.

Carla Salsinha lembrou que as pessoas compraram muito menos este ano em comparação com os anos anteriores, também com base nos receios daquilo que 2012 possa vir a trazer, seguindo, em muitos casos, uma "política de dar só uma lembrança".

"Nós prevemos que a nível nacional tenha ocorrido uma quebra do consumo entre os 500 e os 600 milhões de euros, o que faz com que haja uma quebra significativa nas vendas em todos os sectores de negócios", esclareceu Nuno Camilo.

Carla Salsinha e Manuel Lopes destacam os sectores do vestuário e do calçado como os mais afectados, ou seja, "tudo aquilo que não sejam bens de primeira necessidade", referiu a presidente da UACS.

Para Nuno Camilo, o consumidor da classe média-baixa foi o que mais se ressentiu das dificuldades de conjuntura, recordando, ainda, que há, neste momento, uma preocupação dos comerciantes em relação ao impacto do aumento do desemprego, em particular nos sectores da restauração e da construção civil.

Para 2012, o adjectivo encontrado pelos presidentes das associações de comerciantes de Lisboa e do Porto é igual: "Muito difícil".

Já os sectores de bens duráveis e semi-duráveis, como os electrodomésticos, mobiliário, têxteis ou automóvel, registaram quebras próximas dos 30 por cento durante o Natal, acima da média global, disse hoje à Lusa o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes.

Em véspera do início da época de saldos de inverno, que começa quarta-feira até 28 de Fevereiro, o presidente da CCP faz um balanço negativo das vendas durante o período de Natal, atendendo "ao menor rendimento disponível e a uma retracção em termos psicológicos dos consumidores".

Este Natal, segundo o responsável, estima-se que as vendas do comércio tenham registado uma quebra "no mínimo de 15 por cento, em média".



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