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Silêncio e saudades de ver passar os comboios...

Segunda-Feira, 09 Janeiro de 2012
O silêncio e as recordações de outros tempos invadiram a estação de caminhos-de-ferro de Elvas desde o primeiro dia do ano, na sequência da supressão dos comboios de passageiros na Linha do Leste...

Na estação ferroviária da cidade raiana de Elvas, que outrora acolheu dezenas de passageiros, apenas circulam alguns comboios de mercadorias e observam-se dois ou três trabalhadores que entram e saem de gabinetes e o cão “Raposo”, que passa o dia junto à linha como se fosse o “Chefe da Estação”. “Eu trabalhei na CP mais de 40 anos, nunca pensei que a Linha do Leste fechasse”, desabafa Júlio Abelho, em declarações à agência Lusa. Aos 75 anos, este habitante de Elvas que vive paredes-meias com a estação daquela cidade alentejana, recorda as viagens que fez de comboio e também o trabalho que havia, antigamente, naquela estação da raia.“Aqui ainda passou o Intercidades. Havia aqui muito trabalho e agora até as lágrimas me vêem aos olhos”, disse, emocionado. Natural de Torres das Vargens (Ponte de Sor), Júlio Abelho foi para Elvas ainda jovem como “Factor de Primeira” e desde sempre usou o comboio para ir “à terra” que o viu nascer.
“Quero ir à terra e não tenho um comboio. É só o que lamento”, disse. Este septuagenário, que todos os dias faz questão de visitar a estação de Elvas para “matar saudades” e saber das “novidades”, recorda que a Linha do Leste é uma linha com “história”.
Enquanto a Plataforma Logística do Caia e o projecto da alta velocidade ferroviária (TGV) não avançam, o comércio em Elvas também será afectado pela supressão dos comboios de passageiros na Linha do Leste.
Por ironia do destino, Miguel Galego, proprietário do bar “TGV”, junto à estação de Elvas, disse à Lusa que a supressão daquele serviço por parte da CP vai também “afestar” o seu negócio.“Vai afectar, porque sempre vinham dez ou doze pessoas por dia de comboio. Paravam aqui, bebiam um café, tomavam o pequeno-almoço”, recorda. “Isso está mal feito. Há coisas que deviam fechar e não fecham e aquilo que faz mais falta para as pessoas se deslocarem é o que estão a fechar, portanto acho que estão a agir muito mal”, sublinha. No Alentejo, a CP suprimiu no primeiro dia do ano o serviço ferroviário de passageiros na Linha de Leste e na ligação Beja–Funcheira.
Em comunicado, a CP afirma que “atendendo à conjuntura actual, à imperiosa necessidade de redução de custos e aos significativos prejuízos decorrentes dos serviços em causa, não estão reunidas as condições para continuar a assegurar a exploração ferroviária destas ligações (Linha do Leste e Beja-Funcheira)”. Segundo a empresa, a Linha de Leste tem custos operacionais que rondam os 1,78 milhões de euros por ano e uma reduzida procura - média de 17 passageiros por comboio – tem proveitos de apenas 147 mil euros por ano.
Para a CP, a baixa procura nestas ligações mostra “que o recurso a operadores rodoviários locais será a solução mais adequada para assegurar a mobilidade das populações”. A supressão de comboios na Linha de Leste e na ligação Beja-Funcheira são duas das medidas que constam no Plano Estratégico dos Transportes (PET).
                                                                                
Desde o início do ano...

A CP suprimiu, a partir de 1 de Janeiro, o serviço ferroviário de passageiros na Linha de Leste e na ligação Beja-Funcheira. A empresa afirma em comunicado que “atendendo à conjuntura actual, à imperiosa necessidade de redução de custos e aos significativos prejuízos decorrentes dos serviços em causa, não estão reunidas as condições para continuar a assegurar a exploração ferroviária destas ligações (Linha do Leste e Beja-Funcheira)”.
A linha tem custos operacionais que rondam os 1,78 milhões de euros por ano e uma reduzida procura - média de 17 Passageiros por comboio - tem proveitos de apenas 147 mil euros por ano, alega a CP.
“No caso da ligação Beja-Funcheira, com custos operacionais na ordem dos 605 mil euros por ano, a reduzida procura - em média de quatro passageiros por comboio — resulta em proveitos de apenas 16 mil euros por ano”, lê-se no texto.  Para a CP, a baixa procura em ambas as ligações mostra “que o recurso a operadores rodoviários locais será a solução mais adequada para assegurar a mobilidade das populações”.
A supressão de comboios na Linha de Leste e na ligação Beja-Funcheira é uma das medidas que estão previstas no Plano Estratégico dos Transportes (PET). O serviços de mercadorias mantêm-se nas linhas em questão.  O  serviço de transporte de passageiros na Linha do Oeste, entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz, da linha do Vouga e da linha de Vendas Novas foram  também desactivados, bem como das linhas que se encontram suspensas desde 2009 (Tua, Tâmega, Corgo e Figueira da Foz).
As ligações internacionais também foram alteradas. Os serviços ferroviários internacionais Lusitânia e Sud-Express, passou através da Linha da Beira Alta,  que mantém os tempos de percurso para Madrid e realiza o transbordo para Paris em Valladolid, ao invés do actual transbordo nos Pirinéus, permitindo equilibrar financeiramente este serviço, actualmente deficitário em 7 milhões por ano”, diz o PET.  Deste modo, “em resultado da medida anterior, procedeu-se à desactivação da Linha de Cáceres, na qual apenas já só circulavam comboios de passageiros do serviço internacional Lusitânia”.
Foram ainda descontinuados os serviços rodoviários prestados pela CP. Registe-se que há uns anos a esta parte praticamente todas as cidades e vilas de Portugal tinham serviço ferroviário, cujas linhas a pouco e pouco foram encerradas.




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