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Ensino/França: Portugueses protestam em Paris

Segunda-Feira, 09 Janeiro de 2012
O Colectivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro, criado para contestar os cortes anunciados na rede de professores de português na Europa, convocou para o próximo sábado, dia 14 de Janeiro, uma manifestação em frente à embaixada de Portugal em França.
Os manifestantes pretendem entregar ao embaixador Francisco Seixas da Costa cerca de três mil assinaturas, disse à agência Lusa o porta-voz do grupo, Raul Lopes, à margem de uma reunião pública do colectivo em Viroflay, nos arredores de Paris. “Pais, tios… toda a gente assinou. Os pais dos alunos sem aulas e também os daqueles que ainda têm aulas mas que correm o risco de deixar de ter. As assinaturas vão ser entregues ao embaixador para que cheguem às mãos do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas”, afirmou.
A concentração em frente à embaixada de Portugal está agendada para as 15 horas, e os manifestantes pretendem “apelar à mobilização da comunidade portuguesa em França para resistir contra estas medidas que o Governo português nos quer impor”, garantiu Raul Lopes. A falar para uma sala com mais de meia centena de pessoas, Raul Lopes argumentou que estas medidas - que o Governo justifica com os constrangimentos económicos que o país vive e com o que considera ser uma injustiça entre o cenário do ensino do português na Europa e fora dela - “são mais políticas do que económicas”. “O que o Governo quer é a privatização e depois o fim do ensino do português em França”, defendeu.
O Instituto Camões anunciou no final de 2011 que iria reduzir até Janeiro, 50 postos de trabalho de professores de português da rede no estrangeiro, sobretudo em França (20), Suíça (20) e Espanha (9). Pelas contas do Colectivo, em França mais de duas mil crianças ficaram sem aulas de português. O embaixador em Paris, Francisco Seixas da Costa, calcula que esse número esteja entre os 1700 e os 1800.
Desde que esta redução do número de professores foi conhecida, a Coordenação Geral do Ensino do Português em França tem feito esforços no sentido de ajustar as turmas, aumentando o número de alunos em cada sala, para atenuar o problema.
Pais, professores e encarregados de educação, apoiados por diversas associações ligadas ao ensino do português em França, organizaram uma manifestação em Dezembro, também junto à embaixada, e apresentaram, com a assinatura do Colectivo, uma queixa ao Provedor de Justiça.



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