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Portugueses encontram na Suíça um mercado saturado e competitivo

Sexta-Feira, 20 Janeiro de 2012
A maior parte dos portugueses que emigram atualmente para a Suíça, encontra “grandes dificuldades”, num mercado de trabalho “saturado” e competitivo. O alerta é do coordenador nacional da Pastoral das Missões naquele país, padre Aloísio Araújo, que afirmou estarem nessa situação, “perto de 11 mil portugueses”.

“Quem está cá há bastantes anos está bem, mas hoje com a abertura das fronteiras aos países da Comunidade Europeia, chegam não só portugueses mas também pessoas dos países de Leste ou do norte da Europa, que procuram emprego, não encontram ou trabalham precariamente, porque o mercado está saturado e os salários também desceram”, revelou o padre Aloísio Araújo à agência Ecclesia.
Por isso, o coordenador nacional da Pastoral das Missões na Suíça diz que a maioria dos emigrantes portugueses que entram atualmente no país encontra “grandes dificuldades”, devido a um mercado de trabalho “saturado” e cada vez mais competitivo e acrescenta que a adesão dos suíços ao espaço Schengen, em 2008, e a crise económica que afeta a Europa foram os pontos de viragem de um país era visto como um destino ideal para quem procurava novas oportunidades.
Em declarações à agencia Ecclesia, o padre Aloísio Araújo, que está na Suíça há mais de dez anos, diz que nesta situação estão “perto de 11 mil portugueses”, que entraram no país só no último e que diariamente “têm batido à porta das missões portuguesas, em busca de alimentação e dormida” e adianta que “não há capacidade de resposta” para atender a todos os pedidos de ajuda.
O sacerdote revela que os emigrantes mais jovens são os que têm tido menos problemas de integração, já que chegam com “cursos técnicos ou superiores” e “sabem o que estão à procura”. “Nestes últimos meses, tive vários encontros com gente jovem que chegou de Portugal, enfermeiros, arquitetos, músicos, uns já encontraram emprego, outros estão à espera, gente com formação, que vem ao nosso encontro e que nos valoriza muito”, afirma. Facto que, na sua opinião, tem ajudado a mudar o perfil do emigrante português na Suíça e que contribuiu para o rejuvenescimento da própria comunidade cristã, a nível local. “As nossas comunidades cresceram muito, a igrejas estão cheias de jovens, os suíços até têm esta expressão: Nas igrejas suíças vemos cabelos brancos e nas portuguesas só temos cabelos escuros e novos”, confidencia o padre Aloísio Araújo, que acompanha 15 missões espalhadas pelo país.

Suíça vai recensear imigrantes

Apesar de todas estas dificuldades, que “preocupam as autoridades locais e a própria Conferência Episcopal Suíça”, a comunidade portuguesa na região continua a crescer. Os últimos dados revelados pelo governo helvético apontam para a existência de 205 mil emigrantes portugueses no país, número que, segundo o padre Aloísio Araújo, deverá ser um pouco mais alto, à volta dos “220 mil”, já que “muitos não estão registados” nos serviços.
“Ao longo deste ano, a administração central vai realizar um novo recenseamento junto da população suíça e de todos os imigrantes para chegar a números mais concretos”, revela o coordenador nacional da Pastoral das Missões, para quem a Suíça é hoje uma autêntica “Babilónia de culturas”.
Natural da arquidiocese de Braga, o padre Aloísio Araújo chegou à Suíça através de um convite do bispo auxiliar da diocese de Lausana, para responder à escassez de pastores que afetava algumas comunidades daquele cantão, situado na parte francófona do território helvético.
Depois de sete anos de missão, assumiu o cargo de coordenador nacional da Pastoral das Migrações, preparando-se agora para iniciar um segundo mandato, integrado numa equipa com 19 sacerdotes, cinco portugueses e os restantes provenientes de outros países de língua oficial portuguesa. Presta também serviço pastoral em cinco paróquias do cantão de Lucerna, na parte alemã do território suíço, a pouco mais de 100 quilómetros da capital Berna.


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