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RegionalUm passeio pela Ilha Terceira dos AçoresSegunda-Feira, 06 Fevereiro de 2012
Continuando o nosso passeio pelas ilhas do arquipélago dos Açores, hoje é dia de darmos um salto à Terceira. A ilha de Angra do Heroísmo, património mundial da UNESCO desde 1983, tem muito para oferecer. De uma beleza natural inigualável, a Terceira é uma ilha com uma assinalável vida cultural, apoiada em tradições populares transmitidas de geração em geração, oferecendo aos seus visitantes uma experiência inesquecível...A ilha Terceira, situada no grupo central do Arquipélago dos Açores, com cerca de 381 quilómetros quadrados, é uma das maiores e mais bonitas ilhas do arquipélago. Inicialmente designada por ilha de Jesus Cristo, acabou por ter o nome mudado para ilha Terceira pelo facto de ter sido a terceira ilha a ser descoberta, facto que actualmente é muito questionado. O seu povoamento teve início por volta de 1450, e as primeiras povoações situam-se nas áreas das Quatro Ribeiras, Porto Judeu e Praia da Vitória, isto porque suas baías eram as mais seguras para o desembarque e exportação de produtos, à época o pastel e a planta tintureira. Mais tarde, o seu povoamento acabou por se estender a toda a ilha, pela necessidade de aumentar o cultivo das terras e de alimentar os animais domésticos. A ilha Terceira começa por desempenhar um importante papel na navegação como porto de escala para as naus que traziam riquezas das América e Índias. Aqui se encontravam mercadorias e muitas riquezas de todo o mundo, que fez com que as suas costas fossam alvo de ataques constantes durante séculos por corsários Franceses, Ingleses e Flamengos. O final do século XIX e o início do século XX caracterizam-se pela construção de um porto na Praia da Vitória, pela existência da importante base aérea, pelo aeroporto comercial, pelo desenvolvimento agrícola e pecuário e pelo desenvolvimento industrial, que abre cada vez mais perspetivas de desenvolvimento à ilha. Festividades São realizadas na ilha Terceira inúmeras festas, sendo os meses de Maio a Outubro os de maior atividade, com festas permanentes onde cor e tradição se misturam. As Festas de São João, mais conhecidas entre os terceirenses por Sanjoaninas, são as maiores festas pro-fanas dos Açores. Estas festas realizam-se do dia 21 a 30 de junho. Durante estes dias de grande festejo, a cidade de Angra do Heroísmo enche-se de alegria, contagiante a todos os que por lá passam, ao tom das marchas, da arte dos carros alegóricos, dos desfiles folclóricos e etnográficos, e de muitos outros eventos culturais que representam a forma peculiar de estar e de ser do povo terceirense. Aqui, à semelhança com as restantes ilhas, também se realiza as chamadas Festas de verão, com destaque para a “tourada à corda”, uma das maiores festas populares e tradicionais da ilha Terceira e única no mundo. O culto ao Divino Espírito Santo também aqui se realiza, num período de oito semanas que tem o seu início na Páscoa e o seu final no domingo da Trindade, havendo, no caso da ilha Terceira, dois tipos de cerimónias: as funções e os bodos. As funções têm por razão promessas individuais em que o “imperador” tem a coroa do Espírito Santo em casa por um período de uma semana. Domingo é o dia da Coroação onde, em procissão, vão até á igreja e onde serão realizadas a coroação e mudança de “imperador”. Os bodos realizam-se no Domingo de Pentecostes e no Domingo da Trindade, variando um pouco de freguesia para freguesia. A festa é também realizada por um grupo de homens designados por “mordomos”, que organizam no dia do do-mingo, junto ao “Império”, a distribuição de pão e vinho juntamente com as exibições de filarmónicas e arrematações de alfenim. Por fim, mas não menos importante, temos as chamadas “Danças de Carnaval”, em que milhares de terceirenses enchem por completo as cerca de 30 sociedades recreativas da ilha. Para ver Igreja do Santíssimo Salvador da Sé: edificada em 1570, por ordem do Cardeal D. Henrique, sobre a anterior igreja paroquial construída por Álvaro Martins. De estilo renascentista e voltada a norte, contrariando o costume antigo das igrejas com a capela-mor virada a Jerusalém. Aqui poderão ainda encontrar painéis da vida de Cristo (pintura sobre madeira, século XVI) e uma estante de leitura ao estilo indo-português, testemunho precioso dos Açores como pólo de encontro de culturas. Castelo de São Filipe/São João Baptista do Monte Brasil: iniciado por volta de 1596 por ordem de Filipe II de Espanha, envolve todo o Monte Brasil e controla a baía de Angra do Heroísmo e Fanal. Destinado inicialmente à pro-teção dos navios que ali paravam, é talvez a maior fortaleza portuguesa em todo o mundo, com cerca de 400 peças de artilharia e 4 quilómetros de mura-lha. Hospital da Boa Nova: construído expressamente pelo espanhóis para tratamento dos militares em serviço, no então chamado Castelo de São Filipe do Monte Brasil. Centro histórico de Angra do Heroísmo: em 1983 Angra do Heroísmo, principal centro urbano da Terceira, foi classificada como Património Mundial pela UNESCO. Sugere-se passeio a pé pelo centro histórico. Biscoitos: zona vitivinícola importante, produz o afamado Vinho Verdelho dos Biscoitos. Sugere-se a visita ao Museu do Vinho e à zona balnear, com piscinas naturais, sobressaindo o negro das formações vulcânicas e o azul do mar. Algar do Carvão: situado no interior da Ilha Terceira - Caldeira Guilherme Moniz, corresponde a uma chaminé vulcânica, não totalmente preenchi-da pela lava. No interior as paredes e tecto da abóbada estão cobertas com estalactites de sílica e no chão formam-se estalagmites. Na ilha Terceira encontra monumentos e belas paisagens que todos os anos levam milhares de turistas a percorrer e a conhecer este pedaço de Portugal. A Terceira é uma ilhas com importante património histórico e natural. Foi aqui que ancoraram os galeões cheios de especiarias vindas do Oriente e da América, cheios de ouro, prata, pimenta, tecidos e muitas outras riquezas, que tornaram a cidade de Angra do Heroísmo num testemunho vivo. Importa também conhecer a flora endémica, as cavidades vulcânicas, como grutas e algares, onde se escondem preciosas formações geológicas e organismos vivos endémicos existentes apenas nesta região. A prática da espeleologia ou a simples visitação turística a algumas delas é uma atividade muito recomendável na ilha Terceira. Gastronomia Festa significa comida, por isso tem fama a cozinha tradicional terceirense, que é constituída por uma enorme variedade de pratos, sopas e doces. Destaque para a deliciosa e aromática Alcatra, que leva carne, toucinho e vinho branco, servida dentro do alguidar em que é cozida, e acompanhada com massa sovada. É servida em dias de festa. De referir ainda petiscos vários, como a morcela, as lapas, as cracas ou o vinho de “verdelho” e de cheiro, cuja história o pitoresco museu do Vinho dos Biscoitos recorda. |
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