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Um passeio pela ilha Graciosa...

Quinta-Feira, 09 Fevereiro de 2012
Na edição desta semana da Volta a Portugal damos seguimento ao nosso passeio pelos Açores, alcançando a quarta ilha da nossa lista: a ilha da Graciosa. Fique a conhecer esta pequena ilha do grupo Central, com meros 67 quilómetros quadrados e apenas 402 metros de altitude máxima, mas rica na cultura do seu povo, na alegria das suas festividades e no número de atividades que disponibiliza a quem a visita.

Situada a norte do arquipélago dos Açores, a ilha Graciosa tem aproximadamente 67 quilómetros quadrados de superfície, fazendo parte do grupo central juntamente com a ilha Terceira, Faial, São Jorge e Pico.
Não se sabe ao certo a data da sua descoberta, embora muitos historia-dores apontem para o ano de 1450. Pensa-se, no entanto, que o seu descobrimento foi feito por navegadores vindos da ilha Terceira, que acabaram por a povoar, tanto foi o seu encanto pela bela ilha.
Os exploradores começaram por desbravar e cultivar as terras que mais tarde dariam lugar a magníficas pastagens para os animais domésticos e para o cultivo do milho, trigo, cevada, batata.
O aumento da população, chegada, segundo alguns historiadores, das Beiras e do Minho mas também da Flandres, aliado à prosperidade da ilha, levaram a que Santa Cruz recebesse foral de vila em 1486, e que igual mercê fosse dada à Praia, em 1546.
Os nomes das grandes famílias que contribuíram para o povoamento e crescimento da ilha ainda hoje estão presentes entre os habitantes. Dedicando-se desde o início à agricultura e ao plantio da vinha, a Graciosa exportava já no sé-culo XVI grandes quantidades de trigo, cevada, vinho e aguardente.
No entanto, não só de trabalho se fez a história da Graciosa, e à seme-lhança das restantes ilhas, também aqui se comemoram as festas em honra do Divino Espírito Santo, com grande devoção e euforia. Com início no Pentecostes, esta data é comemorada em toda a ilha até ao início do verão.
Para os apreciadores de belas  paisagens, a ilha Graciosa fornece um conjunto de características que não os deixaram decepcionados, isto porque o relevo não é muito acentuado, podendo mesmo de carro fazer uma boa cobertura da ilha.
Actualmente, apesar do seu peque-no tamanho, a ilha da Graciosa é um importante ponto de visita, com monumentos datados do século XVI, como são a Cruz da Barra, a Igreja do Santo Cristo ou mesmo a Igreja de Santa Cruz.

Festividades

Festa do Espírito Santo: são festas comuns a todas as ilhas, embora divergindo em alguns pormenores de ilha para ilha e até dentro das próprias ilhas. À volta de cada ilha, todas as freguesias têm uma capela, chamada “Império”, com a respectiva irmandade. Estas festas são consideradas as festas religiosas mais características de toda a etnologia insular e decorrem de maio a setembro, com especial ênfase no sétimo domingo depois da Páscoa
Carnaval: acontecimento organi-zado pelas diversas colectividades lo-cais, que consiste essencialmente no desfile de grupos vestidos a rigor com trajes carnavalescos a exibirem as suas danças.
Festa do senhor Santo Cristo dos milagres: esta festa, para além da sua componente religiosa, inclui um conjunto de manifestações de carácter popular, das quais fazem parte espectáculos musicais, entre os quais a atuação de ranchos folclóricos, e outros.

Gastronomia

A ilha da Graciosa é rica pelos seus pratos de peixe, dos quais se destacam a caldeirada de peixe e o peixe assado, formas mais comuns de saborear o maravilhoso peixe pescado nesta ilha.
Os mariscos são abundantes nestas costas, e muito facilmente poderão ser encontradas boas variedades de cavacos, santolas, lagostas e mesmo lapas, muito apreciadas entre os seus habitantes.
As queijadas da Graciosa, que têm fama em todo o arquipélago, os pastéis de arroz, uma iguaria entre muitas, e os encharcados de ovos e massa sovada são as grandes especialidades da doçaria graciosense.
Na Graciosa também se produzem-se bons vinhos, há semelhança das restantes ilhas do arquipélago dos Açores. As aguardentes velhas, os vinhos brancos e vinhos aperitivos, produzidos nesta região, satisfazem os verdadeiros apreciadores desta arte que é a vinicultura.

Para ver

Fumas de Enxofre: únicas no mundo, são um fenómeno vulcânico muito interessante e de grande valor para a ciência, isto porque as furnas se encontram numa gruta acessível apenas através de uma escadaria em caracol que conduz a uma grande abóbada vulcânica. Nesse local encontra-se uma lagoa com 130 metros de diâmetro e 100 de profundidade, com águas sulfurosas.
Termas do Carapacho: as águas destas termas são, alegadamente, milagrosas no tratamento de doenças reumáticas e de pele; estão situadas a sul da Graciosa, com um deslumbrante panorama para a zona balnear e para o ilhéu conhecido pelo povo local como o Ilhéu de Baixo.
Vila de Santa Cruz: local agradável devido à cuidada distribuição do seu casario, que nos faz recuar no tempo. No centro da vila existem dois tanques de água que, no passado, serviam para dar de beber aos animais e onde se refletem as araucárias, constituindo um conjunto agradável.
Igreja de Santa Cruz: construída no século XVI e reconstruída no século XVII, é sem dúvida um local a visitar e a admirar, com retábulo pintado sobre madeira, azulejos e painéis, assim como imagens do século XVI.
Carapacho: zona balnear com a possibilidade de se efectuar captura de peixes, como sargos, pargos, ga-roupas, bodiões e até mesmo peixes de maiores dimensões. A costa é de fácil acesso, com águas claras e límpidas.
Monte de Nossa Senhora da Ajuda: proporciona uma agradável vista panorâmica sobre Santa Cruz, na zona norte da ilha, onde pode também visitar três ermidas dedicadas a São João, a São Salvador e Nossa Senhora da Ajuda.

Guia turístico

Percorrer a Graciosa é passear por entre as verdes videiras debruadas pelas paredes de lava. Emergindo sobre esses mantos encontramos montes arredondados que são miradouros do magnífico panorama que os moínhos brancos proporcionam.
A ilha da Graciosa vive numa tranquilidade quase separada do mundo, que acompanha o ritmo das estações onde cada dia constitui uma pausa revigorante e um reencontro com a serenidade.
As ruas de casas brancas da vila de Santa Cruz levam o turista numa viagem no tempo. Na sua igreja Matriz guardam-se painéis quinhentistas, obras valiosas da pintura portuguesa.
Onde há vinhas há vinho, e os brancos e tintos da Graciosa acompanham bem os pratos de peixe fresco e marisco e de carne preparada pela culinária local. Para completar a refeição nada melhor do que a doçaria tradicional e um copo de aguardente destilada em velhos alambiques de cobre.

Atividades

Em águas límpidas, com temperaturas muito agradáveis, pode to-mar o seu banho nas piscinas naturais do Carapacho ou na praia da Praia, nas zonas balneares de Calheta e Barro Vermelho e na piscina municipal de Corpo Santo.
Se gosta de pesca desportiva pode aventurar-se capturando sargos, pargos, garoupas, bodiões, vejas, anchovas, bicudas, serras, e outros, à bóia, ao fundo ou ao corrico. A costa é baixa e de fácil acesso. De barco, pode efectuar capturas de peixes de maiores dimensões, fazendo pesca de fundo ou de corrico.
Esta ilha é também apropriada para passeios a pé, uma vez que o seu relevo, como já dissemos, não é acentuado. Para tirar maior partido dos seus passeios, recomendamos que peça informações no local onde estiver alojado, uma vez que existem bons guias. Não há quaisquer animais selvagens perigosos ou cobras, pelo que não terá que se preocupar com essas questões.
A ilha da Graciosa é a menos montanhosa do arquipélago, atingindo meros 402 metros de altitude de elevação máxima. Esta baixa elevação confere-lhe um clima temperado, com a mais baixa pluviosidade das nove ilhas.
As estadias na Graciosa são simples, saudáveis, tranquilas. Ao partir fica-se com a sensação de deixar um mundo no qual se pode esquecer a passagem do tempo.
Na próxima edição destas nossas Voltas a Portugal vamos prosseguir com os passeios pelas ilhas do arquipélago dos Açores, visitando desta vez a ilha de São Jorge.


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