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RegionalAldeias da Beirra Serra: Arte e cultura a partir dos sons ruraisSexta-Feira, 17 Fevereiro de 2012
Arrebatado pelo mundo fascinante dos sons de que aprendera a gostar na sua aldeia no concelho de Oliveira do Hospital, Luís Antero lançou-se há três anos num projeto pessoal de registo sonoro ambiental, que mostra ao mundo pela internet.Embora seduzido pelos sons naturais das aldeias da Beira Serra, os seus interesses abarcam as sonoridades do trabalho rural, industriais, de ambientes urbanos e até as histórias que as gentes resgatam da memória ou do cancioneiro popular esquecido. Funcionário na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, e aluno do ensino superior de estudos artísticos, Luís Antero diz à agência Lusa ter começado a registar os sons no outono de 2008, na sequência do nascimento dos filhos gémeos Isac e Samuel, e inspirado no filme “Soundwalkers”, de Raquel Castro, e no disco “Weather Report”, de Cris Watson. “Esses três fatores conjugados fizeram com que começasse a ouvir a região onde vivo e olhei para os meus filhos e pensei: existem algumas realidades sonoras desta zona, da Beira Serra e parte do Parque Natural da Serra da Estrela, que daqui a dez ou vinte anos vocês já não vão conseguir ouvir”, recorda. Luís Antero adquiriu equipamentos e, nos tempos livres, meteu “mãos à obra” para “documentar esse património imaterial, esse legado sonoro”. Confessa que não se impôs seguir uma determinada linha de registo, apenas desenvolver um projeto “que se centra no mundo fantástico do som”, da natureza, do cancioneiro, na história de vida de um pastor, ou mesmo no trepidante ambiente de uma fabrica metalomecânica. Nos dias de hoje, anda sempre de mochila a tiracolo, com gravadores, microfones, hidrofones, auscultadores, pronto a registar os sons que a sensibilidade lhe impõe. Foi assim numa tarde, após a realização de um exame do curso superior de estudos artísticos, que a agência Lusa o encontrou no Jardim Botânico de Coimbra, com o hidrofone submerso num lago a captar a contenda por um pedaço de pão lançado por um transeunte a um pequeno cardume de peixes multicolores e, depois, a registar os sons de uma cascata. Luís Antero confessa que os sons que lhe dão mais prazer a registar são os do meio rural, em particular da água, mas também de memórias das pessoas, histórias de vida, da lavoura, do cancioneiro, lendas, tradições. À aldeia onde nasceu, Alvoco das Várzeas, dedicou uma atenção especial. “Sons de Alvoco” tem um sítio próprio na internet- http://sonsdealvoco.yolasite.com -, onde disponibiliza em suporte mp3 sonoridades fluviais, de trovoadas, da lavoura, dos ecos da ponte medieval, de conversas de café com andorinhas, da procissão do Santíssimo Sacramento e das tradições orais, entre outras. Os 27 trabalhos discográficos que até agora concebeu estão disponíveis gratuitamente na sua própria netlabel - “Green Field Recordings” (www.greenfieldrecordings.yolasite.com) - e noutras plataformas espalhadas pelos mundo, da China aos Estados Unidos da América. Desde há algum tempo, divulga o seu trabalho através do programa “Colecionador de Sons”, emitido pelas rádios da Universidade de Coimbra e do Instituto Superior Técnico. |
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