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Movimento cívico reivindica garantias para manutenção do ensino na Suíça

Sexta-Feira, 17 Fevereiro de 2012
Um movimento cívico criado na Suíça acusa o Governo português de impedir “o acesso de centenas de crianças ao ensino da língua materna”, ao despedir 20 professores de português que trabalhavam naquele país. Criado em janeiro deste ano, na sequência desses despedimentos, o Movimento Cívico de Defesa do Ensino da Língua Portuguesa na Suíça é formado por comissões de pais e encarregados de educação, e pede ao Governo que resolva “de imediato” a falta de aulas “de cerca de 3.000 alunos na Suíça”.

Ainda em janeiro, o movimento entregou junto dos consulados e da embaixada de Portugal na Suíça, uma lista de oito pontos com reivindicações, entre os quais a garantia por parte do Governo, do direito ao ensino da língua e cultura portuguesas “por parte dos emigrantes portugueses, tal como consagrado na Constituição da República (artigo 74/p.2)”.
O movimento pretende ainda que a rede de cursos do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) na Suíça para o presente ano letivo seja mantida e pede a solução da falta de aulas “de cerca de 3.000 alunos na Suíça, na sequência do despedimento de 20 professores”.
Manuel Beja, conselheiro das Comunidades Portuguesas naquele país e um dos dinamizadores do movimento, disse a este jornal que algumas das crianças foram integradas noutras escolas, mas muitas continuam sem aulas de português. “Só no cantão de Zurique, são 700 crianças sem aulas e há pais que passaram a levar os filhos a escolas a vários quilómetros de distância”, afirmou.
O conselheiro recordou que a língua portuguesa “conta para o currículo escolar das crianças”, motivo pelo qual a escola suíça “empenha-se em facilitar o ensino e a participação dos alunos”. “O ensino no português na Suíça integra o currículo escolar, tem influência nas notas. É da responsabilidade da coordenação do ensino do português na Suíça, alertar o Instituto Camões sobre essa situação”, defendeu.
Como exemplo, Manuel Beja alertou para os jovens de origem portuguesa a cursar o 12º ano e a concluir liceu na Suíça, que esperam que as aulas de língua portuguesa venham a contar para a nota final. “Muitos pais perguntam o que poderão fazer, porque os jovens precisam do diploma. A questão foi colocada, mas ninguém quer assumir as responsabilidades”, acusa.
O conselheiro vincou que a situação “é mais grave” na parte alemã do país e que no cantão de Zurique “nem sequer comunicaram aos serviços de ensino do cantão que os professores iam ser despedidos e que as salas não seriam mais necessárias”. Como exemplo refere o despedimento da professora de língua portuguesa colocada em Engadina, no cantão de Grisões, e que deixou 96 crianças sem aulas de língua portuguesa.
Manuel Beja diz que o movimento está a “tentar encontrar soluções no imediato para a colocação de algumas crianças”, tendo alertado “a coordenação do ensino, o Instituto Camões, e a Secretaria de Estado das Comunidades”. No dia 11, o Movimento Cívico de Defesa do Ensino da Língua Portuguesa reuniu-se em Berna com representantes de comissões de pais para discutir o futuro do ensino do português.
Para 21 de fevereiro, dia Internacional da Língua Materna, estão agendadas ações junto dos três postos consulares na Suíça.
Ana Grácio Pinto
apinto@mundoportugues.org



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