Quarta-Feira, 20 Agosto 2008 - 19:46 (Açores 18:46)
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Histórias da guerra colonialEstreou recentemente na RTP Internacional um excelente documentário "Guerra" que finalmente desvenda e mostra, o que muitos de nós passamos no Ultramar. Há 30 anos havia milhares de jovens portugueses com uma história de guerra para contar. Guiné, Angola, Moçambique. Treze anos de um conflito multifacetado que marcou pelo menos uma geração. Um legado histórico complexo para as gerações que seguiram, ainda com muitas lacunas por preencher. A RTP estreou um documentário assinado por Joaquim Furtado, que promete «muito informação nova» sobe o tema e se a paz separou alguns companheiros de armas com o seu regresso a Portugal, outros partindo por essa Europa no caminho da "emigração" a guerra prolongou o elo de ligação de quem partilhou a distância de casa, a ansiedade e a cor do uniforme, durante longos meses, num conflito que fez embarcar o sangue mais jovem da «pátria» para antigas colónias portuguesas. Alguns derramaram-no. Uns voltaram, outros não. Sou antigo combatente, da Companhia de Caçadores 14, estive na Guiné 22 meses, entre Maio de 69 a Março de 71. Não tenho traumas. Sei que há muitos que ficaram com stress de guerra, mas eu consigo dormir de noite». «Vi algumas pessoas chorar quando me disseram que ia para a Guiné». A juventude poupou-me as lágrimas, apesar de me terem dito que o «sítio para onde ia era tramado». «Fui para o sul, para Aldeia formosa». «O grande problema naquela zona era não haver nada durante meses e depois haver. Não era uma guerra contínua. Estávamos sempre à espera. «Havia aqueles que diziam que íamos defender a pátria e outros apenas: "Qual pátria, qual carapuça"». «Estávamos numa zona fronteiriça, eu costumava dizer que éramos os guardas fronteiriços ali da zona» Passaram 36 anos desde o regresso de António Bartolomeu, com quase todos os seus companheiros, mas, mesmo assim, com um luto a velar. «Não houve muitas baixas. Só tivemos para aí mei dúzia. Olhando para trás digo, "que ganhei ter dado o corpo ao manifesto?" Certo que fui obrigado e essa obrigação não me deu até hoje direitos alguns. Estou a reformar-me mas o tempo dispendido nada conta. Se tivesse ficado contratado, seria promovido, e hoje já estaria há anos, reformado, num bom posto, mas deixei a farda, emigrei e ao longo destes anos todos contribuí para o meu país, enviando o fruto do meu trabalho e investindo. Como eu somos milhares. Que estas imagens deste documentário, que é transmitido às terças feiras no canal 1 e em simultâneo na RTP Internacional, venha despertar as consciências e que na hora certa, com mestria os ex-combatentes que nada receberam ou recebem de terem defendido a Pátria, venha para a rua gritar... justiça! Não basta ter leis, quando as mesmas não se aplicam e basta de dar tempo ao tempo, pois as imagens mostram o que passámos e só por isso, os que agora governam e não tiveram que vestir fardas, deveriam ter um estímulo que é dar aquilo que temos direito, ou seja a contagem do tempo de serviço para efeitos de reforma, independentemente de termos ou não descontado para a Segurança Social Portuguesa. RAUL VICENTE DA SILVA- FRANÇA |
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