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Domingo, 20 Julho 2008 - 14:00 (Açores 13:00)
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Chile – finalmente Santiago...

Conforme escrevi em anterior artigo, quando pela primeira vez aterrei no Aeroporto Internacional Arturo Merino Betinez, encontrei uma Santiago bem quente, com um céu muito azul e um Sol que conferia uma especial luminosidade à capital Chilena.

Cheguei então cheio de expectativas, todas de sinal positivo, dado que esta cidade, sendo o centro industrial e financeiro do Chile, responsável por cerca de 45% do Produto Interno Bruto do País, que, a par de Buenos Aires e São Paulo, é uma das principais praças financeiras da América do Sul, também tinha para mim, uma imagem de urbe que "transbordava" de movimento, detentora de um alto nível de vida, possuindo uma intensa e diversificada vida cultural, dispondo de múltiplos interesses e atracções para o visitante, a quem por norma era dedicada uma especial atenção, e tudo isto, no seu conjunto, tornaria o tempo de estadia de um turista sempre insuficiente para usufruir do que a cidade proporcionava.

Realmente, durante a minha última permanência no Chile, nas duas vezes que estive em Santiago, que, como mencionei em outro texto, primeiro foram dois dias, e, mais tarde, cerca de uma semana, ocupei sempre o meu tempo em actividades da minha preferência, não tendo sido para ir "gastando" os dias até partir para novo destino, mas, fiquei um pouco desencantado com a capital do Chile.

Reafirmo pois, o que escrevi nas primeiras "NOTAS DE VIAGEM" dedicadas à deslocação que efectuei a terras Chilenas, de tudo o que visitei, foi Santiago do Chile que "...ficou mais longe do que esperava...".

Devo todavia sublinhar, que o mencionado no período anterior, não significa que não gostei de ter visitado a capital do Chile, ou ainda, que se está em presença de uma cidade que não reúne os atributos suficientes para que seja recomendada como destino turístico!

Porventura, o que em seguida irei relatar sobre aspectos e matérias que considero relevantes nas minhas duas estadias em Santiago, poderão não documentar suficientemente o que a cidade tem de interesse e pode oferecer ao visitante, mas é indiscutível, que Santiago do Chile justifica ser visitada.

Escrevendo agora concretamente sobre o meu contacto com a capital Chilena, começo por referir que fiquei sempre alojado num hotel situado em pleno centro da zona comercial, administrativa e financeira de Santiago, e que, paralelamente, me permitiu o fácil acesso à maior parte dos locais que pretendia visitar.

Na baixa da cidade, o movimento de pessoas e viaturas era constante e muito intenso, existindo uma significativa zona pedonal, e em toda a área há muitas lojas, bancos, casas de câmbio, restaurantes das mais importantes cadeias mundiais de "fast-food", bem como algumas de origem Sul-Americana, bastante animação, muitas das vezes protagonizada por artistas de rua, que, ao fim de semana, próximo da Avenida Libertador General Bernardo O'Higgins, se prolongava até tarde.

Já que citei aquela Avenida, mais conhecida como La Alameda ou Alameda del Libertador Bernardo O'Higgins, é oportuno referir que se trata da principal avenida de Santiago do Chile, com uma extensão superior a 10 km, e constitui a coluna vertebral do transporte privado e público da cidade.

Esta via, que se encontrava próximo do meu hotel, pelo que a "frequentei" algumas vezes, é mesmo imponente pelo comprimento e pela largura, bonita, limpa, possuindo ao longo do seu traçado alguns dos edifícios referência da Capital, entre os quais me permito destacar as instalações centrais da Universidade do Chile, a Torre da Entel, a principal operadora telefónica do País, e o emblemático Palácio de La Moneda.

É ainda sob a Alameda del Libertador Bernardo O'Higgins que passa a principal linha do Metro de Santiago do Chile, a Linha 1.

Quanto a este meio de transporte urbano, andei nele somente para poder ter uma opinião sobre o mesmo, e gostei - rápido, moderno, limpo, boa sinalização interior de apoio ao cliente, não foi caro...e não andei entalado!

Citei anteriormente o Palácio de La Moneda, que talvez tenha sido a primeira visita que realizei em Santiago.

Infelizmente, desde 1973, o nome desta bela edificação está associado ao período mais sinistro da história do Chile.

Foi em 11 de Setembro daquele ano, durante o sangrento golpe de estado dirigido pelo General Augusto Pinochet, que este militar mandou bombardear o Palácio, onde então se encontrava o Presidente da República Salvador Allende, que fora eleito pelos Chilenos em 1970.

Na sequência do ataque, La Moneda foi quase totalmente destruído, tendo depois permanecido fechado durante cerca de 8 anos, e só em Março de 1981, após demoradas obras de reconstrução, voltou a ser utilizado em idênticas funções às de outrora.

O Palácio, construído entre 1780 e 1812, da autoria do arquitecto italiano Joaquín Toesca, foi inicialmente usado para cunhar moeda, quando o Chile era colónia Espanhola, tendo sido inaugurado oficialmente em 1814.

Foi ali que se cunharam as primeiras moedas do Chile independente, actividade que continuou a ter lugar em La Moneda até 1929.

O Palácio passou a ser sede do Governo e residência dos Presidentes do Chile em 1845, durante o mandato do Presidente Manuel Bulnes, e até hoje permanece sede da Presidência da República, apesar de em 1958, ter deixado de ser residência oficial dos Presidentes.

Foi pois com alguma emoção que visitei o Palácio de La Moneda!

As imagens que tinha na memória eram as que a imprensa, a televisão e o cinema fizeram chegar ao Mundo, relativas ao dia do golpe do ditador Pinochet - aviões a bombardear o Palácio, muita destruição, chamas, imenso fumo, soldados deitados no chão e colados às paredes de edifícios circundantes a La Moneda, com uniformes muito parecidos aos da Alemanha pré-nazi, já que houve uma grande influência alemã nas forças armadas Chilenas no início do século XX...

Imagens de uma violência inesquecível!

Com o fim da ditadura militar e corrupta de Pinochet, qualquer pessoa pode visitar La Moneda, entrar e, por exemplo, tirar fotos no renovado Patio de las Naranjas, assim conhecido porque ali existem laranjeiras plantadas, ou apreciar calmamente o majestoso edifício, destacando-se as fachadas que, a sul, dão para a Alameda del Libertador Bernardo O'Higgins e a Plaza de La Ciudadania, e a norte, para a Plaza de La Constitución.

E são muitos milhares, os visitantes que todos os meses vão até um dos locais com mais significado na história da cidade.

Eu senti-me muito bem no interior de La Moneda!

Á vontade, tirando as fotos que me apeteceu, sem me sentir minimamente observado ou incomodado pelos militares, muito poucos, que eram visíveis no local.

E o Patio de las Naranjas é mesmo muito bonito - as bem cuidadas laranjeiras, ao centro uma fonte com água a correr ininterruptamente, o empedrado do solo, bancos junto às paredes, e o Sol radioso que então estava, conferiam ao local uma harmonia e beleza deveras agradável!

Lamentavelmente, outra das sequelas do bombardeamento determinado por Pinochet no fatídico dia 11 de Setembro de 1973, foi a perda de preciosidades de valor incalculável, que se acumularam durante anos de Governos, entre as quais se encontrava a Acta da Independência do Chile, de 12 de Fevereiro de 1818, perdida para sempre!

Contudo, apesar do retorno à democracia, que, no já longínquo 1989, teve como testemunho inicial, a clara e inquestionável eleição para a Presidência da República de Patricio Aylwin, a "marca" de Pinochet persiste no dia a dia dos Chilenos.

Nas próximas "NOTAS DE VIAGEM" continuarei a escrever sobre Santiago do Chile, e relatarei experiências por mim vividas quando visitei o Chile no 1º trimestre de 2006, que testemunham que o ditador naquela data estava ainda muito "presente" na vida das pessoas.


Rui Oliveira e Sousa

Janeiro 2007

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