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Domingo, 20 Julho 2008 - 13:58 (Açores 12:58)
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Chile – como “encontrei” a fadista Mariza em Santiago

Os muitos dias que passei em Santiago do Chile, tiveram um início que não pressagiava nada de bom, nomeadamente, se nos lembrarmos do provérbio Português "candeia que vai à frente, alumia duas vezes"...

Assim, após chegar à capital Chilena e instalar-me no hotel onde fiquei alojado, comecei a tentar telefonar para Lisboa, a fim de comunicar à minha Família, que já me encontrava no meu destino e que tudo estava bem.

Todavia, quer pela rede fixa, quer através do telemóvel, as minhas tentativas foram infrutíferas!

Já no dia seguinte, depois de diversas diligências para resolver este problema, que, incluíram mesmo uma deslocação aos Serviços Centrais da maior operadora telefónica do Chile, apurei então, que o hotel era cliente de uma operadora sem acordo com a Portugal Telecom, logo, o meu cartão "PT Universal" não podia ser utilizado na rede fixa, e que o telemóvel que levara comigo não dispunha de frequência adequada à tecnologia que se utiliza no País.

As coisas não começavam bem...

Ainda na noite do meu primeiro dia na capital Chilena, fui jantar a um restaurante que se anunciava como sendo de comida tradicional do Chile.

Na oportunidade, solicitei a um empregado que me sugerisse um prato de comida típica do Chile, e, em Castellano, para minha absoluta surpresa, obtive esta resposta, "Com certeza. Um bife com ovo, batatas fritas e cebola"...

Estupefacto, disse-lhe que aquele prato de comida típica do Chile, também se podia encontrar em muitos Países do Mundo, e, perante a sua ausência de colaboração, comi uma entrada de cogumelos fritos, salmão grelhado como prato principal, ambos sem nada que os diferenciasse do que, por exemplo, se pode comer em Portugal, e como sobremesa, pêssego em calda com milho.

Acompanhei a refeição com cerveja "Escudo", 100% Chilena e muito boa, bebi um café...e paguei cerca de 37 USD!

Naturalmente que nunca mais voltei a este restaurante!

Como escrevi inicialmente, não se perspectivava uma estadia muito animadora.

Felizmente para mim, as coisas vieram a passar-se de forma diferente, e, embora não tendo sido algo de inesquecível, acabou por constituir uma visita positiva, e mesmo gratificante em alguns aspectos.

Por exemplo, anteriormente relatei a desoladora experiência que foi o jantar no meu primeiro dia na capital Chilena, mas mais tarde, na sequência da visita que fiz a um dos locais mais emblemáticos da cidade, o  Mercado Central, fiquei a conhecer o restaurante onde acabei por tomar mais refeições nas duas estadias que tive em Santiago do Chile, visto que a combinação comida, serviço e custo era excelente!.

O Mercado, imóvel construído em 1872, onde as estruturas em ferro têm uma particular importância, congrega em si duas especiais razões para ser muito procurado - a beleza do edifício e os diversos restaurantes que possui, especializados em comida típica do Chile, principalmente de peixe e marisco.

Assim, apesar da zona apresentar alguns problemas de segurança, para o que contribui a possibilidade de ocorrência de pequena criminalidade (roubos por esticão, carteiristas, etc.), por diversas vezes fui almoçar ao Mercado Central, e sempre no Restaurante "El Galeón", onde tive oportunidade de comer as suas especialidades, acompanhadas pela saborosa cerveja "Escudo" e com o atencioso serviço do Eduardo e da simpática, elegante e bela Pilar.

Os pratos eram principalmente de peixe e marisco, contudo, um dos que provei, o chamado "Curanto", juntamente com mexilhões, camarões, lulas e algo mais proveniente do Mar, também tinha frango e salsicha, tudo apresentado num recipiente de barro, com muito molho, que cobria praticamente a comida!

Foi bom e original!

Outro lugar que me deu muito prazer visitar foi o Museu de Bellas Artes, que está instalado num imponente edifício situado no Parque Florestal, sendo um local que justifica uma visita, nomeadamente, para quem aprecia Pintura, pois possui uma vasta colecção de obras de artistas Chilenos e, ainda, de Europeus, designadamente, Franceses e Alemães.

Acresce que o Parque Florestal é muito bonito, cuidado com esmero, e são nele facilmente detectáveis semelhanças com os Campos Elíseos, em Paris, pelo que, aquando da visita ao Museu de Bellas Artes, se deve aproveitar para fazer uma caminhada pelas suas alamedas.

Eu assim fiz - fui a pé, pelo Parque, do Museu até ao Mercado Central, para voltar a almoçar no "El Galeón".

E foi também depois de sair de um museu, o de Artes Visuais, que "encontrei" a fadista Mariza.

O episódio é simples de contar - depois de visitar o citado Museu, ia eu caminhando por uma rua do Bairro de Bellas Artes...quando oiço Fado!

Sucedia então, que uma loja de música, que vendia CD's, DVD's, cassetes, tinha a tocar, bem alto, pois eu ouvia na rua, um fado interpretado pela Mariza.

Completamente apanhado de surpresa por este insólito facto, entrei na loja.

O empregado, um jovem que não tinha mais de 30 anos, após eu me apresentar como Português, e lhe ter dito que o Fado era a "nossa canção nacional", mostrou conhecer algo sobre o tema, mencionando de imediato o nome de Amália, e, como já se percebeu, conhecia também Mariza, mostrando-se igualmente muito interessado em saber o nome de um Fadista, pois na base de dados do PC da loja não tinha qualquer nome masculino.

Mencionei o nome de João Braga.

Achei deveras interessante "encontrar" Mariza em Santiago do Chile, bem como entrar numa loja de música de um bairro em que se "respira cultura", e o Fado merecer uma atenção tão especial.

Acresce que eu até nem gosto particularmente de Fado, mas, naquela altura, senti-me bem!

Afinal, uma cidadã Portuguesa, a fadista Mariza, era "promovida" nas ruas do Bairro de Bellas Artes, em Santiago do Chile, somente pela sua qualidade profissional!

No próximo artigo concluirei as "NOTAS DE VIAGEM" sobre Santiago do Chile.


Rui Oliveira e Sousa

Janeiro 2007

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