Segunda-Feira, 21 Julho 2008 - 01:12 (Açores 00:12)
|
|
SECÇÕES
Clique aqui para saber a hora de outras cidades newsletter
meteorologia
|
Chile – singular até na origem do nomeVou concluir esta série de textos que tenho vindo a dedicar à visita que efectuei ao Chile em 2006, com um artigo que, de alguma forma, aborda a sua realidade actual. Em anteriores "NOTAS DE VIAGEM" já escrevi sobre um certo "sabor" a decepção com que fiquei depois de ter estado naquele País, que, como então afirmei, teria tido a sua razão de ser nas expectativas claramente positivas e abonatórias, que criei em relação ao Chile. O País, tal como também mencionado em artigo precedente, é detentor de diversos e significativos recursos naturais, designadamente, no que se refere ao seu subsolo, com especial destaque para as jazidas de cobre e de ouro, que há muito proporcionam uma pujante indústria Mineira, às excelentes condições para a Agricultura e a exploração Florestal, à importante indústria das Pescas, e a todo um conjunto de factores que permitem e facilitam o desenvolvimento e o sucesso do Turismo. Associado a estas riquezas que a Natureza "permitiu" que se juntassem no Chile, existe um Povo que há muito se caracteriza por possuir apreciáveis níveis de instrução e de cultura, devendo ser sublinhado, que a conjugação destas duas situações, não é propriamente um denominador comum aos Estados do Continente Americano. Acresce que, paralelamente com esta panóplia de recursos, após a independência, que teve lugar em 12 de Fevereiro de 1818, o Chile sempre se caracterizou por uma larga tradição democrática e de apego ao Estado de Direito, significando tal, por exemplo, que desde aquela data, as Forças Armadas não causaram perturbações ao normal desenvolvimento do País, visto que, por norma, e salvo escassíssimas excepções, sempre actuaram com a devida obediência ao Poder Político, postura esta que as diferenciava da maior parte das Nações Latino-Americanas. Lamentavelmente, este comportamento foi interrompido com o sangrento golpe de 11 de Setembro de 1973, liderado pelo General Augusto Pinochet, bem como com o apoio prestado pelos militares a este brutal ditador até 1989. Tudo o que acabou de ser escrito, significa, pois, que existiam, e existem, todas as condições necessárias e suficientes para tornarem o Chile um País de vanguarda, logo com níveis de bem-estar, desenvolvimento e modernidade que, em meu entender, deveriam ser bem superiores aos que apresenta. É certo que, na segunda metade do século XX, se assinalam alguns períodos bem difíceis para a vida do País, e que, de algum modo, podem ter levado a que hoje em dia o Chile não se encontre numa ainda melhor situação socio-económica. Assim, a fase imediatamente anterior ao golpe de Pinochet, em termos sociais e económicos, apresentou muitas dificuldades, e, mais tarde, durante a ditadura militar, nomeadamente, no início da década de 80, a recessão verificada foi tão grave, do que são indesmentíveis testemunhos o facto de mais de um terço da população ter estado no desemprego, e do Produto Interno Bruto ter chegado a cair cerca de 14%, que só as fortíssimas ajudas dos EUA evitaram consequências ainda mais devastadoras para os Chilenos, que nem as milagrosas "receitas" económicas de Milton Friedman e dos seus "Chicago Boys" conseguiam salvar o País... Todavia, os estragos então verificados já deveriam ter sido definitivamente ultrapassados, e o bem-estar das populações e o progresso do País, assumirem-se como realidades inequívocas e irreversíveis. Contudo, o meu dia a dia durante o tempo em que permaneci no Chile, não retratou a desejável realidade mencionada no período anterior, ou seja, não encontrei o País que pensava ir encontrar! Porventura, terei sido mais uma vítima daqueles que há anos, e, na minha opinião, com uma mal dissimulada conotação política, tentam incutir na mente do cidadão, a existência de um Chile rico, moderno, desenvolvido, sem problemas de índole social e económica, em que o bem-estar de toda a População está totalmente assegurado, tendo tudo isto sido consequência da via económica introduzida, e depois desenvolvida, por Pinochet, que "endireitou" o Chile e o colocou na senda do êxito e do progresso, após o desastre e o caos que foi o Governo do Presidente Salvador Allende!! Realmente, há sempre inúmeras maneiras de tentar justificar e encontrar um lado positivo num ditador... Até mesmo, quando a sua governação revestiu uma total ausência de respeito pelos Direitos, Liberdades e Garantias dos cidadãos! Mas também, o relatório da "Comissão Retting", criada em 1991, depois da derrota de Pinochet no plebiscito de 1989, e que teve como objectivo descobrir a verdade sobre a violação de Direitos Humanos durante a ditadura militar, só menciona 2.095 mortos e 1.102 "desaparecidos"... E Pinochet, a um total desrespeito pelos Direitos Humanos, ainda juntou significativos proveitos materiais, de índole puramente pessoal, conforme os inúmeros casos de corrupção, felizmente já identificados há algum tempo, aliados a múltiplas contas que foram descobertas nos Estados Unidos, com milhões e milhões de USD, evidenciam de uma forma incontroversa. Perante tais factos, palavras para quê?!... Juntamente com a experiência por mim adquirida durante a estadia no País, existem indicadores que, de certa maneira, corroboram que ainda existe muito caminho a percorrer. É certo que o Chile, no contexto dos Estados da América do Sul, e permita-se-me a expressão, pertence a um campeonato que não é o da maioria dos Países daquele Continente! Como já escrevi em anteriores "NOTAS DE VIAGEM", no Relatório relativo ao IDH-Índice de Desenvolvimento Humano, publicado pelo PNUD-Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Chile encontra-se numa posição muito honrosa (em 2006, 38º lugar), sendo particularmente notáveis os indicadores relativos à Esperança de Vida (em 2004, 78,1 anos), Literacia para cidadãos com idade igual ou superior a 15 anos (em 2004, 95,7%) e PIB per capita ( em 2004, USD10.874). Na América do Sul, só a Argentina, em 36º lugar, se coloca melhor que o Estado Chileno, e se, por exemplo, compararmos com o nosso País, Portugal ocupa a 28ª posição, e no que concerne aqueles indicadores de referência, e em relação ao mesmo ano, 2004, nós temos como Esperança de Vida, 77,5 anos, Literacia, 92% e PIB per capita, USD19.629. Mas, se os indicadores Chilenos, por regra, são positivos, existindo, também quase sempre, diferenças significativas para os outros Estados da região, entendo que o valor referente aos habitantes a viver abaixo do limiar da Pobreza é deveras importante - em 2005, aponta-se 18,2% como a percentagem de População que vivia abaixo do limiar da Pobreza! Se se fizerem comparações, muitos dirão que o Chile até nem está mal! É verdade! Quanto a este indicador, e considerando alguns "vizinhos" do País, a Argentina tem 31,4% (Junho2006), o Brasil 31% (2005), o Uruguai 22% (2004) e o Paraguai 32% (2005), e, indo mesmo mais longe, se até Portugal, de acordo com dados recentes do Eurostat, tem um valor na ordem dos 14%, então o Chile não deveria preocupar-se muito... Pois, mas fazer essa comparação pode sempre ser falacioso... Aliás, tomando como referência o IDG, índice introduzido em 1995 no Relatório sobre o IDH-Índice de Desenvolvimento Humano, que aborda os mesmos indicadores do IDH, mas considerando as desigualdades entre mulher e homem, o Chile já apresenta resultados algo preocupantes. Assim, quanto mais baixo for o IDG do País relativamente ao IDH, maiores são as assimetrias e desigualdades do desenvolvimento humano. Ora, recordo que no IDH o Chile está em 38º lugar, mas quanto ao GDI, é 88º em 136 Países! Conforme o sexo dos cidadãos, claramente parece haver dois Chiles... O Chile, que foi descoberto em 1535 pelo conquistador espanhol Diego de Almagro, e, mais tarde, em 1541, conquistado pelo também cidadão espanhol, Pedro de Valdívia, que, como já escrevi, é cheio de singularidades, foi um bom destino de férias, mas eu esperava mais... Já estive em todos os Países da América do Sul, e, como simples, mas atento turista, não notei diferenças muito significativas em relação a alguns destes Estados Latino-Americanos. O País é singular, e rico, até nas diversas teorias acerca da origem da palavra Chile! De acordo com uma das teorias, os Incas do Peru, que não tinham conseguido conquistar os territórios dos índios Araucarianos, denominaram o Vale do Aconcágua Chili, uma corruptela do nome do chefe tribal Tili, que mandava na área no tempo da conquista Inca. O monte Aconcágua é o ponto mais alto das Américas, de todo o Hemisfério Sul e o mais alto fora da Ásia, ficando localizado nos Andes Argentinos. Outra teoria aponta para a semelhança do Vale do Aconcágua com o Vale Casma no Peru, onde havia uma cidade e um vale chamados Chili. Outras teorias dizem que Chile pode advir da palavra dos Índios Mapuche Chilli, que pode significar "onde a terra acaba" ou "o ponto mais profundo da Terra", ou ainda, da palavra Aymara Tchili que significa neve. Outro significado atribuído a Chilli é a onomatopeia Cheele-Cheele, a imitação Mapuche para o chamamento dos pássaros. O que é certo, é que os conquistadores Espanhóis ouviram esta denominação aos Incas, e alguns sobreviventes da primeira expedição espanhola ao sul do Peru em 1535-36, liderada por Diego de Almagro, chamaram-se a si próprios "os homens do Chilli". Enfim, finalizando como comecei este conjunto de artigos, o Chile é rico em singularidades, e escrevo-o novamente, muito rico mesmo, seja nos recursos naturais, na instrução e cultura do Povo, na assimetria geográfica e de climas, na literatura, e, até nas teorias acerca da origem do nome do País... Março de 2007 Rui Oliveira e Sousa |
EDIÇÃO IMPRESSA
Sondagem
HOJE FAZEM ANOS
Adelino Sa - Suica
Albino Lima - Franca Antonio Dantas - Franca Augusto Barros - Franca Carlos Areal - Alemanha Claudio Borges - U.S.A. Fernando Lopes - Franca Humberto Mendonca - Brasil Joao Rodrigues - Alemanha Jose Farias - Franca Jose Palma - Franca Jose Rocha - Brasil Manuel Correia - Inglaterra Margarida Nighswander - U.S.A. Maria Felisberto - Franca Meyer Fernanda - Franca Pinto Vieira - Franca Sara Martins - Suica Xavier Costa - Suica DOSSIERS
PUBLICIDADE
|
|
O Emigrante / Mundo Português Av. Elias Garcia 57 S/L 1049-017 Lisboa - Portugal Tel: +351 21 7957670 | Fax: +351 7957665 | Email: redaccao@mundoportugues.org |