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Brasil: José Pereira é a «alma» lusa da Colombo

 
José Pereira está no Brasil há quase 50 anos, os mesmos que tem dedicado à Confeitaria Colombo. Numa casa fundada por portugueses no Rio de Janeiro, em 1894, e cuja fama há muito atravessou fronteiras, este emigrante de Ponte de Lima é agora o único português que ali trabalha. No dia 7 de Março, durante o almoço que ofereceu na Colombo a convidados culturais brasileiros, o Presidente da República quis cumprimentá-lo...


Em Setembro deste ano, José Pereira completa meio século de vida no Brasil, para, dois meses depois, festejar o mesmo meio século de trabalho na Confeitaria Colombo. Natural da freguesia de Bertiandos, concelho de Ponte de Lima, é o único português a trabalhar numa casa fundada por três portugueses em 1894, que se tornou numa das grandes atracções turísticas do Rio de Janeiro. "Foi o meu primeiro e único emprego no Brasil. Eu tinha um amigo cujo tio se dava bem com um dos patrões. Ele indicou-me e aqui fiquei", recordou. Começou por atender o público, atrás do balcão, e continua a fazê-lo até hoje, apesar do cargo de gerente não o obrigar a isso. A ascensão profissional aconteceu sempre na Colombo, e José Pereira não se arrepende da decisão. Diz com franqueza que o emprego que tem "é suficiente" para si e não sente necessidade de "mais ambições". "Esta casa é uma «escola», os funcionários aprendiam e depois saíam, compravam um botequim, uma padaria. Mas eu nunca tive a vontade de me estabelecer por conta própria", reforça, para recordar que ainda chegou a ter um patrão português.

Com orgulho

José Pereira conta que quando se desligaram do negócio, os portugueses que abriram a casa, passaram-na a três portugueses. Estes tomaram conta da Colombo por volta de 1919 e até 1933. "Nesse ano, começou a entrar mais gente, filhos de portugueses e a Confeiraria Colombo manteve sempre ligações portuguesas. Hoje, estou eu aqui para dizer às pessoas, com o maior orgulho, que a casa foi fundada por portugueses, que já atravessou fronteiras e é conhecida noutros países", sublinha.

O gerente da Colombo destaca ainda que quando os fundadores abriram esta casa, não imaginaram que teria a repercussão que tem hoje. "Era apenas um meio de negócio", refere. "Actualmente, é a número um do mundo pelo tamanho, pela beleza dos espelhos, pelos cristais, pela madeira de jacarandá, etc. E mantém o traçado de origem".

Os cantos da casa...

Orgulha-se de conhecer todos os cantos à casa, o que, afinal, foi de grande ajuda quando, em 1992 a Colombo foi vendida. Recorda que ficou sozinho "para organizar tudo". "Ninguém sabia onde ficava o depósito de água, por exemplo. Fui eu que orientei as pessoas que chegaram", lembra, sublinhando que aquela foi uma época fundamental para a continuação da confeitaria, um espaço que ao longo de mais de um século recebeu e serviu muitas figuras ilustres, entre eles o rei Alberto da Bélgica, em l920, e a rainha Elizabete da Inglaterra, em l968.

José Pereira já lá trabalhava, e além da monarca inglesa, lembra-se de ter atendido o ministro da Alemanha, Helmuk Kohl, um ministro italiano, além de ex-presidentes brasileiros, como Gaspar Dutra e Juscelino Kubitschek. Mas sublinha que quando ali vai "alguém de Portugal", o prazer "é ainda maior". "Aí, falo «pelos cotovelos», explico sempre que esta casa tem origem portuguesa, foi criada por portugueses, que é um marco da cidade do Rio de Janeiro e uma atracção turística", diz.

Ao Emigrante/Mundo Português, confessou que o seu «sonho» tornou-se realidade, com a ida de Cavaco Silva à Colombo. "Eu tinha o sonho de um dia ver aqui, um presidente da República português. Isso concretizou-se agora. Vieram cá alguns ex-presidentes portugueses, mas nunca tinha cá estado um presidente em funções. A visita do presidente Cavaco Silva é uma emoção muito grande e vai ser lembrada enquanto a Colombo existir". Uma emoção que foi ainda maior do que José Pereira esperava: não só estava lá, para presenciar a visita, como recebeu pessoalmente o cumprimento de Cavaco Silva.

De português, para português...

A.G.P.

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