Segunda-Feira, 21 Julho 2008 - 01:19 (Açores 00:19)
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Peru – Machu Picchu, espectacular e misteriosaA deslocação a Machu Picchu foi para mim uma experiência inolvidável! A magnificência, a espectacularidade, a beleza, a singularidade do local, deixam qualquer visitante perfeitamente estarrecido, e mesmo boquiaberto, com a famosa "Cidade Perdida dos Incas". Porventura, será um daqueles sítios que só visitando se pode aquilatar devidamente do carácter único daquilo que se está em presença. Penso que posso afirmar, sem receio de errar, que, por melhor que sejam as descrições de Machu Picchu, será sempre impossível transmitir a quem ouve ou lê, a grandeza, a invulgaridade, e, mesmo o muito de mistério, que tem o local! Machu Picchu, que em Língua Quechua significa "velha montanha", e se situa a cerca de 2.400 metros acima do nível do mar, nunca foi encontrada pelos colonizadores Espanhóis, razão que explica o seu bom estado de preservação quando foi redescoberta, em 24 de Julho de 1911, por Hiram Bingham, historiador, explorador e professor na Universidade de Yale, nos EUA. Contribuiu ainda para a protecção do local, o facto de a cidade ter permanecido inacessível até aos anos 40, altura em que uma expedição arqueológica descobriu o Caminho Inca, via que possibilitava o acesso ao complexo através do vale, e que, até então, permanecera escondida pela impenetrável vegetação da zona. Isto apesar de Bingham ter voltado a Machu Picchu no ano seguinte ao da sua redescoberta, e, de em 1914 e 1915, diversos exploradores terem procedido ao seu levantamento, bem como da área envolvente, mas, todos eles acederam ao local subindo a encosta da montanha, que tinha, e tem, um muito acentuado declive, e estava coberta pela já referida cerrada vegetação. O anteriormente mencionado Caminho Inca foi o nome dado a um extenso sistema de vias e trilhos construído pelos Incas, que, atravessando a Cordilheira dos Andes, e atingindo mesmo altitudes superiores a 5.000 metros acima do nível do Mar, permitiu ligar entre si as diversas regiões do Império. Os trilhos do Caminho Inca, que perfaziam cerca de 22.500 km, convergiam, na sua maioria, na capital do Império, ou seja, em Cusco, circunstância que tornou fácil para os Espanhóis a sua localização. Os conquistadores utilizaram ainda as vias do Caminho Inca, para alcançarem territórios que hoje fazem parte de Bolívia, Chile e Argentina. Machu Picchu localiza-se no vale do Rio Urubamba, também chamado Vilcanota, numa região que os Incas consideravam ser mágica, dado que ali convergem as montanhas dos Andes com o poderoso Rio Amazonas, sendo rodeada de inúmeros barrancos e precipícios, bem como de luxuriante e densa vegetação, características estas, que proporcionavam excelentes condições de defesa e de resguardo em relação a visitas indesejáveis. Naturalmente que, presentemente, o acesso ao local não reveste dificuldades que sejam minimamente comparáveis com as encontradas outrora. O único ponto de contacto entre o presente e o passado, é somente a paisagem circundante às ruínas de Machu Picchu. Assim, nos dias de hoje, a forma mais usual de visitar as ruínas é por comboio, desde Cusco até Aguas Calientes, cidade que se situa junto ao Rio Urubamba, e depois, mini-autocarro até Machu Picchu. E, na ida até à "Cidade Perdida dos Incas", o encanto inicia-se logo que se deixa a Estação dos Caminhos de Ferro de Cusco! Fui no chamado Comboio Turístico, que dispõe de carruagens modernas, com todas as comodidades, apenas tem duas paragens até ao destino, e leva cerca de 4 horas para fazer os 110 km do percurso até Aguas Calientes. Quando a viagem começou passei por mais uma nova e singular experiência: durante cerca de 20 minutos, o comboio andou constantemente numa espécie de zig zag, que fazia com que a composição fosse para a frente e para trás! Era a maneira de subir a montanha denominada Picchu, que se localiza a 3.640 metros de altitude, enquanto que a Estação de Cusco está somente a 3.300 metros... Depois o percurso foi sempre a descer até à Estação de Comboios de Aguas Calientes, que se situa a 2.100 metros. Quem leu as "NOTAS DE VIAGEM" onde relatei o que "sofri" em Cusco por causa dos efeitos da altitude no meu organismo, pode calcular, neste particular aspecto, como me senti bem com a ida até Machu Picchu! A diferença de mais de 1.200 metros na altitude, proporcionou-me o enorme prazer de visitar algo único e extremamente belo, aliado a uma significativa sensação de alívio físico! Ali, em Machu Picchu, o cansaço, a dificuldade em respirar, o esforço significativo em subir escadas ou elevações, as frequentes palpitações, não apareceram, e eu estive sempre bem! A viagem de comboio permitiu ver locais deveras interessantes, como a Cordilheira Montanhosa Vilcabamba e a extensa Pampa de Anta, uma fértil planície de origem lacustre, onde se cultivam, entre outros, milho, batatas, feijão, que abastecem os mercados de Cusco, passar ainda por diversos povoados coloniais, parar na Estação de Ollantaytambo, urbe colonial que manteve o mesmo nome da importante cidade Inca sobre a qual foi construída, e, a partir daqui, ter acesso à parte mais pitoresca do trajecto. O comboio embrenhou-se então na zona montanhosa, a vegetação, muito verde, começou a ficar cada vez mais densa e a cobrir completamente as montanhas, em cujas encostas se podiam ir observando pequenos complexos arqueológicos dos Incas, tais como, habitações, templos, terraços agrícolas, escadas, etc., e, na zona de vale, linhas de água, que acompanhavam o percurso que se estava a realizar. A determinada altura, foi ainda possível ver o local onde se inicia o famoso Caminho Inca! Tudo, muito, mas mesmo muito bonito! Chegado a Aguas Calientes, foi sair do comboio e entrar num mini-autocarro, que, embrenhando-se na montanha, me haveria de levar até Machu Picchu. Foram mais cerca de 30 minutos num cenário deveras singular, estrada de terra batida, não muito larga, coberta de árvores frondosas, que, em muitas ocasiões, cobriam totalmente a via, não deixando ver o céu, a viatura subindo a montanha muito íngreme, por vezes, cruzando-se com outras que desciam em direcção a Aguas Calientes, e, quando se podia ver para lá da berma, precipícios que impunham muito respeito... Já em Machu Picchu, tendo registado o quão difícil tinha sido chegar ali, tão longe e inacessível, tentei imaginar como seria então séculos atrás! E assim, observando a cidade, a pergunta que coloquei a mim próprio, e, com certeza, será a mesma para a esmagadora maioria dos visitantes, foi, "Porquê este complexo aqui?" Entre as diversas teorias que existem sobre a função que teria Machu Picchu, a que talvez reuna mais consenso, afirma que a cidade foi construída para supervisionar a economia das regiões conquistadas, e, ainda, de refúgio para o soberano Inca e o seu séquito mais próximo, no caso de um eventual ataque, que, de acordo com os vestígios encontrados, nunca ocorreu. Todavia, segundo pesquisas mais recentes, muitos arqueólogos acreditam que, mais do que um local de retirada defensiva da aristocracia Inca, Machu Picchu era uma propriedade, uma "quinta", do imperador Pachacutec, que se crê ter mandado construí-la entre 1460 e 1470. Uma outra teoria defende que Machu Picchu seria um mosteiro, onde as jovens, as acllas, eram formadas para servir o Imperador e o Willac Uno, o Supremo Sacerdote, sustentando-se esta versão no facto de durante escavações arqueológicas terem sido descobertos 173 esqueletos, dos quais 150 pertenciam a indivíduos do sexo feminino. Ainda uma referência sobre o líder Inca que decidiu construir Machu Picchu - o seu nome Pachacutec tem com certeza as raízes na Língua Quechua (Pacha Kutiq significa "o que muda a Terra", "o reformador da Terra") e, tendo sido o fundador do Império Inca como tal, foi considerado o personagem mais notável do Novo Mundo, sendo que, homem de larga visão, grande político, bom administrador, guerreiro feroz, constituem características que são associadas à sua pessoa. Nas próximas "NOTAS DE VIAGEM" continuarei por Machu Picchu. Rui Oliveira e Sousa Março de 2007 |
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