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CulturaExposição retrata os 13 anos que mudaram o BrasilTerça-Feira, 01 Abril de 2008
No ano em que o Brasil completa os 200 anos de um dos mais importantes acontecimentos da sua história - a mudança da corte portuguesa para a sua principal colónia, a exposição «Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil» não é apenas um dos pontos altos das comemorações. Inaugurada a 7 de Março pelos presidentes de Portugal, Cavaco Silva, e do Brasil, Lula da Silva, esta mostra de nível internacional é uma oportunidade única para quem quer conhecer melhor o contexto histórico que ditou a ida para o Brasil de D. João VI, o primeiro monarca europeu a atravessar o oceano Atlântico. Para «descobrir» até 8 de Junho, no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro... Foi um acontecimento único na história: uma família real transferia-se e mudava a «sede» da corte para uma das suas colónias. Levava com ela todo o aparelho de Estado. Ao decidir mudar a Corte para a sua principal colónia, o então Príncipe Regente assegurou a continuação da Casa Real de Bragança no trono de Portugal e mudou a história do Brasil: o Rio de Janeiro passou a ser a capital do Império, estatuto que manteve durante 13 anos. É sobre esse período, as causas que levaram a ele, as transformações que operou na colónia e as consequências que gerou - como a Proclamação da Independência do Brasil por D. Pedro I, filho de D. João VI - que trata a exposição «Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil», patente no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, até 8 de Junho. Patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian com apoio da TAP, é a única exposição prevista no Rio de Janeiro sobre o tema da chegada da Corte, que enfatiza os aspectos económicos, políticos e culturais da ida da família real portuguesa. É ainda uma oportunidade única para brasileiros e portugueses conhecerem melhor o contexto histórico que levou D. João VI a atravessar o oceano Atlântico e estabelecer a sede do maior império das Américas, unindo para sempre a história do Brasil e de Portugal.
O núcleo inicial aborda as conquistas de Napoleão na Europa, em especial na Península Ibérica, e as biografias das personagens envolvidos no conflito: Napoleão (França), Carlos IV (Espanha), D. Maria I (Portugal) e Jorge III (Inglaterra). O acervo iconográfico cedido por instituições portuguesas, dá a conhecer aspectos de Lisboa na altura do embarque e ainda os retratos das infantas portuguesas. A segunda parte refere-se ao embarque em Lisboa e às dificuldades enfrentadas ao longo de 54 dias de travessia do Atlântico. A chegada à Baía, a 22 de Janeiro de 1808, está representada na monumental tela do pintor brasileiro Cândido Portinari, «Chegada de D. João VI a Salvador», apresentada pela primeira vez no Rio de Janeiro. Um importante conjunto documental revela o processo da Abertura dos Portos às Nações Amigas, uma das primeiras providências tomadas por D. João ao chegar à Baía, e o marco inicial do desenvolvimento do comércio.
Instrumentos científicos contemporâneos a D. João VI, o trono acústico criado na Inglaterra especialmente para o monarca, uma pintura a óleo contemporânea que reproduz com fidelidade a cena da chegada da frota real à baía da Guanabara e objectos de época - mobiliário, porcelanas, condecorações, etc - além de extensa iconografia do período, exemplificam as mudanças ocorridas na então «sede» do Reino. O penúltimo núcleo retrata os conflitos que se instalaram no Brasil e em Portugal a partir de 1817, até a decisão das Cortes portuguesas de exigirem o retorno de D. João VI a Portugal em 1820, facto que ocorreu em 1821. Se, ao chegar ao Rio de Janeiro em 1808, D. João VI desembarcou numa provinciana cidade colonial, ao partir em 1821 deixou um Brasil diferente do que encontrou. Como consequência natural da ida da corte portuguesa para a sua principal colónia, a alusão à Proclamação da Independência do Brasil, por D. Pedro I, encerra a exposição.
Para o Chefe de Estado, poder inaugurar a mostra juntamente com o Presidente do Brasil, Lula da Silva, foi um "motivo de grande satisfação". Cavaco Silva lembrou que a organização da exposição juntou instituições dos dois lados do Atlântico", o que "sublinha a relevância desse facto para a História" dos dois países. No seu discurso, o Presidente da República recordou que D. João VI "amou profundamente" o Brasil, "assumindo, de coração, o título de Príncipe do Brasil com que aqui chegou". "Aqui foi aclamado Rei e aqui perto, no Outeiro da Glória, dedicou a Nossa Senhora os seus netos, os futuros Pedro II do Brasil e Maria II, de Portugal - a primeira Chefe de Estado de um país europeu nascida numa das suas colónias", enfatizou. Como lembrou ainda Cavaco Silva, "D. João VI amou esta terra ao ponto de não querer deixá-la, perante umas Cortes que, exasperadas, lhe ordenam que regresse e decidem que nunca mais o Chefe de Estado português se poderia ausentar do país sem o seu consentimento". A exposição está patente até 8 de Junho no Museu Histórico Nacional (Praça Marechal Âncora), que ocupa três edificações históricas, às margens da Baía de Guanabara, responsáveis pela defesa militar do Rio de Janeiro, e construídas nos séculos XVII e XVIII. «Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil» pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 10 às 17 horas, e aos sábados, domingos e feriados, das 14 às 18 horas. |
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