Segunda-Feira, 21 Julho 2008 - 01:20 (Açores 00:20)
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Duarte Ponte: Açores estão no centro do mundo
A primeira aposta é na qualidade dos nossos produtos. Somos uma região exportadora de alimentos. Produzimos 70 por cento do leite consumido no País, exportamos carne, peixe. Além disto, estamos a conseguir atrair cada vez mais turistas para os Açores, o que é também uma forma de exportação. Estes são os nossos principais produtos económicos. Se me perguntasse quais são as virtudes dos Açores, eu podia dizer-lhe que é o facto de se tratar de ilhas, e por isso rodeadas pelo mar. A sua localização, no meio do Oceano Atlântico e entre dois continentes, é muito importante. Estamos quase a meio ca-minho dos Estados Unidos e do continente europeu. Somos a última fronteira da Europa, mas somos, também, a região europeia mais perto dos estados norte-americanos. No fundo estamos no centro do Mundo. Queremos atrair turistas de ambos os lados, queremos servir de porto e local de paragem e podemos proporcionar a quem nos visita, o contacto com a natureza com o melhor que ela pode dar. Temos um clima ameno, durante todo o ano, o que permite uma paisagem verde de Janeiro a Dezembro. A temperatura mínima, no Inverno, não desce abaixo dos 12ºC e no Verão não ultrapassa os 28ºC. É um clima muito moderado, o que é especialmente importante para quem nos vi-sita do norte da Europa. Estas são grandes virtudes do nosso arquipélago: o clima, o posicionamento geográfico, entre dois continentes e produtos de elevada qualidade.
Os Açores têm tido alguns problemas com cotas, principalmente no que diz respeito à produção de leite, como é que os Açores têm conseguido manter as suas cotas e a sua produção? A nossa protecção é, efectivamente, a produção do leite. Felizmente, estamos a passar por uma boa fase, porque com a subida de preço dos cereais, a maior parte dos países que produzem leite à base de cereais estão com dificuldades. Nós temos uma produção feita à base de erva. Existe, claro, suplementos com rações, mas em muito menos escala do que no continente, porque temos pastagens todo o ano. Os produtores açorianos estão a passar por uma fase muito boa, porque os preços estão a subir. É claro que também sentimos os factores que levam ao inflacionamento dos preços, mas nós sentimo-los menos que os produtores do continente. Agora, é preciso dar a conhecer os nossos produtos, ter marcas de elevada qualidade e atingir os nichos de mercado que melhor servem os Açores. Nós somos uma região pequena. Não nos é possível competirmos em quantidade, mas podemos ter produtos de elevada qualidade, a preços mais altos para as pessoas que preferem pagar mais caro e consumir produtos de alta qualidade.
Qual é a importância que tem para os Açores um evento como o SISAB? É fundamental porque permite mostrar a quem nos visita, ao exterior, às nossas comunidades, os nossos produtos. Neste momento, temos comunidades influentes nos mais diversos países. Não estou a falar só de França, mas também, dos Estados Unidos, Canadá, que pa-ra além da comunidade portuguesa, têm uma dimensão muito grande. É preciso mostrar a essas comunidades os nossos produtos.
Concorda quando se diz que os Açores são mais do que mostram os cartazes turísticos? Os Açores é para se ver, rever e gostar, digamos. Não é uma região que se possa perceber à primeira vista. O que eu digo é a sua beleza é impossível de copiar. As paisagens não estão à vista de todos. Há sempre recantos escondidos que podem maravilhar qualquer um. A própria população, que durante muito tempo esteve isolada, adoptou uma cultura própria, que à primeira vista não é fácil de perceber, mas que pode ser sentida através dos artistas açorianos, como pintores, escritores, poetas etc. Falo de nomes como Antero de Quental, Natália Correia e tantos outros...
Será que os açorianos são maus a fazer marketing de si próprios? Quem vem aos Açores sabe que encontra gente séria, gente trabalhadora e gente honesta. O próprio Governo Regional dos Açores tem uma atitude em relação governo central, dife-rente do governo da madeira. É obvio que os Açores têm mais dificuldades porque tem nove ilhas, nove aeroportos, nove portos, muitos centros de saúde, mas nunca chamamos aos nossos irmão do continente "cobardes". Nunca o fizemos porque achamos que fazemos parte da mesma família, fazemos parte da mesma cultura, agora isso não implica que os nossos pontos de vista não sejam defendidos de uma forma séria, honesta, e quem, por vezes, vê discordâncias entre o Governo Regional dos Açores e o Governo da Republica, deve perceber que por detrás existem argumentos e razões. Não discutimos para aparecermos nos jornais, mas sim quando achamos que temos razão. Defender os Açores é defender Portugal. O País é constituído por este rectângulo à beira-mar e por um conjunto de ilhas, que dão uma dimensão maior ao País e o aproxima de uma região tão importante hoje em dia, como são os Estados Unidos.
Quer deixar alguma mensagem aos nossos leitores? Um mensagem de grande solidarie-dade, de grande amizade e dizer que as nossas ilhas estão cada vez mais bonitas. Venham visitar-nos, porque os Açores esperam-vos de braços abertos.José Manuel Duarte (entrevista) |
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