O Emigrante / Mundo Português
Email: Password:
 
Primeira vez? Registe-se gratuitamente aqui.
Esqueceu-se da sua password? clique aqui.


Quinta-Feira, 17 Maio 2012 - 15:31 (Açores 14:31)
Homepage
SECÇÕES

Lisboa
Clique aqui para saber a hora de outras cidades

newsletter
meteorologia

Nacional

    

1º de Maio: A história e o seu impacto nas relações laborais

Sexta-Feira, 02 Maio de 2008

A história conta-nos que a 1 de Maio de 1886, em Chicago, nos Estados Unidos da América, quinhentos mil trabalhadores saíram às ruas numa manifestação pacífica para exigir um limite de oito horas por dia de trabalho. A polícia reprimiu e dispersou a manifestação, mas não sem antes ferir e matar dezenas de trabalhadores. A luta não parou por aí e, quatro dias depois, os operários saíram novamente à rua. Destes protestos resultaram, segundo dados da época, 8 líderes presos, 4 trabalhadores executados, 3 condenados a prisão perpétua. E um exemplo para todo o mundo...

É costume ouvir dizer-se, em política, que as conquistas sociais têm sempre um preço a pagar.No final do século XVIII e ao longo do século XIX, os baixos salários e as jornadas de trabalho que se estendiam até às 17 horas diárias eram comuns nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos da América. Férias, descanso semanal e aposentação não existiam. Para se prote-gerem em situações mais difíceis, os trabalhadores inventaram vários tipos de or-ganização, como as caixas de auxílio mú-tuo, precursoras dos primeiros sindicatos.

No final do século XIX, o auge da Re-volução Industrial sujeitava os trabalhado-res a condições desumanas de laboração, obrigando-os a produzir o máximo ao mais baixo custo. O trabalho não respeitava a idade ou o género, e as organizações sin-dicais eram perseguidas pelas autoridades policiais, tornado-se incipientes.

Sem esquecer as lutas de outros trabalhadores, noutros países e noutras épo-cas, a ‘conquista' do dia 1 de Maio para ‘Dia do Trabalhador' deve ser atribuída aos trabalhadores de Chicago. Mais precisamente àqueles que se manifestaram nas ruas daquela cidade do Estado norte-americano do Illinois, no dia 1 de Maio do ano de 1886.

 

Um dia para a História

 

Nesse dia, 500 mil trabalhadores marcharam pacificamente por uma jornada de trabalho com oito horas diárias e foram re-primidos pela polícia. Quatro dias mais tarde, os trabalhadores voltaram a marchar e foram novamente travados pela polícia. Como resultado dos confrontos, alguns operários morreram e alguns líde-res foram presos.

Os jornais da época fizeram as seguin-tes manchetes: "a prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social", escreveu o ‘Chicago Tribune'; "estes brutos só compreendem a força, uma força que possam recordar por várias gerações", escreveu o New York Tribune.

Ora, mesmo assim a luta não parou. Quando três dos manifestantes presos fo-ram a julgamento, a comunidade internacional pressionou o Governo dos Estados Unidos da América a substituir o júri. Os membros que acabaram por formar o júri definitivo reconheceram a inocência dos trabalhadores, ordenaram a sua libertação e culparam o Estado norte-americano. Es-távamos em 1888.

Os presos que não beneficiaram desta atenção mundial ficaram conhecidos como os "Mártires de Chicago". Mártires será, provavelmente, o termo mais adequado. A verdade é que, em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu, num congresso realizado em Paris, proclamar o dia 1 de Maio como o Dia do Trabalhador, em memória desses "mártires". Em 1890, o Congresso norte-americano votou a lei que estabeleceu a jornada de oito horas de trabalho.

 

Um exemplo para o mundo

 

Um ano mais tarde, no norte de Fran-ça, uma manifestação realizada a 1 de Maio foi dispersada pela polícia. Dez ma-nifestantes morreram. Este novo drama acabou por servir para reforçar o Dia como um dia de luta dos trabalhadores. Meses mais tarde, a Internacional Socialista de Bruxelas proclamou o dia 1 de Maio como dia internacional de reivindicação de con-dições laborais.

Quase duas décadas depois, a 23 de Abril de 1919, o Senado francês ratificou o dia de 8 horas de trabalho e proclamou o 1 de Maio desse ano como dia feriado. Em 1920, a Rússia também adoptou o 1º de Maio como feriado nacional. Este exem-plo foi, entretanto, seguido por muitos ou-tros países. Curiosamente, nos Estados Unidos da América, o dia do trabalhador (Labour Day) é comemorado na primeira segunda-feira de Setembro.

 

Em Portugal

 

O historiador José Mattoso revela que houve um reforço da luta do movimento operário português, no final do século XIX. Entre 1852 e 1910, ter-se-ão realizado cerca de 550 greves em Portugal. A subi-da dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições eram as principais exigências dos operários.

Durante a Iª República, festejou-se o Dia do Trabalhador. Mas, com a institui-ção da Ditadura, um dos primeiros diplomas aprovados dizia respeito ao estabele-cimento dos feriados nacionais e destes não constava o Dia do Trabalhador. Em 1933 foi decretada a "unicidade sindical" e o "controle governamental dos sindicatos". Durante o Estado Novo, as manifes-tações no Dia do Trabalho - e não do Tra-balhador - eram organizadas e controladas pelo Estado.

Com o derrubar da ditadura, o primeiro 1 de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação al-guma vez organizada no país. Só na cida-de de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, esta foi a forma que encontraram de demonstra-rem a sua adesão à revolução, que uma semana antes restituíra a democracia ao país.



outras notÍcias desta secÇÃo







EDIÇÃO IMPRESSA
destaque

Sondagem
HOJE FAZEM ANOS
Alzira Abreu - Africa Do Sul
Americo Antunes - Franca
Angelo Marques - Brasil
Anjos Jose - Franca
Antonio Mota - Franca
Armando Santos - Franca
Armenio Goncalves - Suica
Arnaldo Coelho - Franca
Cruz Manuel - Alemanha
Emanuel Couto - U.S.A.
Flaviano Caetano - Brasil
Gaspar Cardoso - Africa Do Sul
Joao Simoes - Franca
Joaquim Carvalho - Franca
Joaquim Martins - Brasil
Joaquim Santos - Belgica
Joaquina Costa - Franca
Jose Andrade - Brasil
Nascimento Celso - Franca
DOSSIERS
destaque
destaque

PUBLICIDADE
destaque
 
O Emigrante / Mundo Português
Av. Elias Garcia 57 - 7º • 1049-017 Lisboa - Portugal
Tel: +351 21 795 76 69 | Fax: +351 795 76 65
Email: redaccao@mundoportugues.org   |  assinaturas@mundoportugues.org
Webdesign por