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Caso Maddie: PGR minimiza eventual insucesso investigação policial

Sábado, 03 Maio de 2008

Se as investigações do caso Maddie «resultarem em insucesso, não é nada que envergonhe a polícia portuguesa», tendo em conta a dificuldade em resolver casos de crianças desaparecidas, disse hoje o Procurador-Geral da República.

«Este tipo de crimes são extremamente difíceis de investigar. Há um milhão de crianças desaparecidas por ano no mundo e nem 20 por cento são descobertas», realçou Pinto Monteiro.

«A nossa polícia fez o que faria qualquer polícia. Pode ser que ainda se descubra, vamos esperar até ao fim. Mas se daí resultar insucesso, não é nada que envergonhe a polícia portuguesa. É o que acontece infelizmente um pouco por todo o mundo», comentou.

O Procurador-Geral da República falava hoje na Aldeia Histórica de Castelo Novo, no Fundão, no final de uma cerimónia da Confraria de Enófilos da Beira Interior, de que passou a fazer parte.

Sobre a possibilidade de prorrogar o segredo de justiça sobre o processo Maddie, que termina este mês, Pinto Monteiro refere apenas que «quando chegar ao fim o segredo de justiça, analisa-se o estado do processo e vê-se se é necessário ou não pedir prorrogação».

«Já se falou demais de Maddie», referiu também Pinto Monteiro.«A Inglaterra, de onde ela é natural, tem 1.000 processos destes, nós temos 14 ou 15. E a percentagem de casos em que são descobertos, em países como Inglaterra, é de 20 por cento», sublinhou.

«Por isso, ninguém se pode admirar do até agora insucesso no caso Maddie», acrescentou Pinto Monteiro, considerando que o problema é que caso foi excessivamente mediatizado.

«O problema é que é o processo mais mediatizado dos últimos anos. Abriu noticiários de canais como a CNN e daí ganhou uma importância tremenda.

Infelizmente, é mais um caso de uma pobre criança que desapareceu», sublinhou.Questionado pelos jornalistas sobre se o processo tem sido politizado, Pinto Monteiro recusou este cenário. «Que eu saiba, não. É um caso que não tem nada de politizado», realçou.O PGR classifica-o antes como um processo «mediatizado ao exagero, até ao limite», mas reconheceu que também é um caso que concentrou maior investimento nas investigações que outros.

«A mediatização tornou mais pormenorizadas as investigações, mas fez-se o que se faria em condições normais».

«É impossível limitar a mediatização, temos que viver com ela, mas por vezes torna mais difícil a investigação», concluiu.



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