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Suiça: Museu criado por português concorreu a prémio europeu

Terça-Feira, 06 Maio de 2008

Criado por um emigrante português na Suiça, o Museu da Imigração foi seleccionado pelo Fórum Europeu de Museus, para a fase final do « European Museum of de Year Award» 2008 (Museu Europeu do Ano), um galardão instituído por aquele organismo com o apoio do Conselho da Europa.

Os prémios serão entregues durante um encontro que irá decorrer em Dublin, na Irlanda, entre 14 e 17 de Maio.

Quando abriu o Museu da Imigração, em Outubro de 2005, o pintor e professor de artes visuais Ernesto Ricou, pretendia que aquele espaço museológico fosse "um local representativo da harmonia entre os povos" e da importância das várias comunidades estrangeiras residentes na Suiça. Segundo Ernesto Riçou, o objectivo do museu, localizado nos dois andares de numa casa simples na cidade de Lousanne, é mostrar a quem o visita, o lado humano da emigração, as histórias e vivências, os problemas e as conquistas dos protagonistas da Emigração.

Para o responsável, terá sido esse propósito, um dos elementos que chamou a atenção dos dois especialistas Fórum Europeu de Museus que em Novembro do ano passado estiveram no Museu para avaliar a sua candidatura ao prémio. A visita surpreendeu Ernesto Ricou, que não estava à espera que o Museu da Imigração fosse um dos cerca de 20 museus seleccionados entre os 200 iniciais, para a segunda e última fase de candidatura.

"Os dois especialistas, o director de um museu alemão e uma responsável de um museu britânico, passaram um dia no Museu da Imigração, e verificaram tudo o que pode imaginar", contou a O Emigrante/Mundo Português. A «inspecção» incluiu a verificação da contabilidade, a capacidade de atendimento ao público, o impacto do museu junto da população, além do espólio que o espaço museológico integra, como explicou Ernesto Ricou. "Ficaram espantados com a dimensão do trabalho e do espólio, tendo em conta o espaço simples", destaca.

"Os especialistas ficaram impressionados com o impacto que o Museu tem junto das escolas e ainda com o trabalho que realizamos em relação às entidades locais, no sentido de obtermos apoios e mais visibilidade", afirmou ainda o responsável, sublinhando que os apoios são fundamentais para a existência do espaço.


Museu gratuito

 

Aberto gratuitamente a toda a população, o Museu da Imigração depende do voluntariado e da benemerência de particulares e entidades oficiais para continuar com as portas abertas.

Ernesto Ricou diz que sempre pensou no Museu da Imigração como um espaço gratuito e voltado para adultos e crianças. E são as escolas que tem mostrado um grande interesse naquele espaço, que recebe constantemente visitas de estudos de instituições de ensino suíças.

Do vasto espólio reunido no Museu, fruto da oferta de estrangeiros e também de cidadãos suíços, uma parte significativa foi doada por emigrantes portugueses. Objectos como passaportes antigos, cartas de acolhimento, e até a máquina fotográfica que acompanhou um emigrante português na sua ida para a Suiça, "há muitos anos atrás", e que serviu para registar as suas primeiras impressões daquele país, são alguns dos elementos que podem ser vistos no Museu.

O «self-service», uma novidade introduzida por Ernesto Ricou foi outra das características do Museu que chamou a atenção dos especialistas. Criada "por necessidade" acabou por se mostrar positiva. O sistema é aplicado às quartas-feiras, dia em que as actividades profissionais do professor não lhe permitem estar no Museu. O Museu fica então aberto "com as luzes acesas todo o dia", e a presença apenas de um vigilante. Qualquer pessoa pode entrar, visitar o museu e ali estar o tempo que for preciso. Nos outros dias, o museu funciona com reservas de visitas e é Ernesto Ricou quem lá está para receber os visitantes e servir de guia.

O convite para estar em Dublin entre 14 e 17 deste mês surpreendeu o professor e artista plástico, que refere ter sido convidado para fazer uma declaração pública no decorrer do encontro. Sobre o galardão - que será entregue ao Museu Svalbard, da Noruega, diz não saber se o Museu da Imigração será contemplado com algum outro prémio. Para Ernesto Ricou, só o facto de o ver incluído nos finalistas de um prémio de renome europeu, já é uma vitória.

A.G.P.



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