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Terça-Feira, 07 Fevereiro 2012 - 07:51 (Açores 06:51)
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É luso-descendente o novo nome da moda no Canadá...

Arthur Mendonça
é o estilista de quem se fala

O vestido azul - longo, drapeado e sem alças - que Nelly Furtado usou em Fevereiro, na entrega dos prémios Grammy, realçava «as curvas» da cantora luso-canadiana e não passou despercebido. A assinatura do modelo tem um nome bem português: Arthur Mendonça, o estilista - também ele luso-canadiano - de quem se tem vindo a falar cada vez mais no mundo da moda no continente americano...


Nelly Furtado descreveu o amigo Arthur Mendonça à imprensa americana, como um estilista que sabe jogar com as curvas de uma mulher. “As suas criações têm muita consistência e uma espectacular escolha de tecidos e combinações. Ele sabe como lisonjear o corpo de uma mulher e melhorá-lo”, afirmou a cantora em Fevereiro deste ano, durante a Semana de Moda de Nova Iorque, um dos mais conceituados eventos de moda a nível mundial, e no qual Arthur Mendonça apresentou a sua colecção Outono/Inverno 2008.
Nascido de Toronto, Canadá, há 32 anos, filho de portugueses naturais de São Miguel, Açores, Arthur Mendonça começou a amadurecer a vontade de ser designer de moda quando ainda estava no liceu. Apesar da Arquitectura ter sido uma das opções, foi pela moda que se decidiu. “O gosto pela arquitectura indicou-me o caminho para a moda”, revelou em entrevista a «O Emigrante/Mundo Português». Um caminho que começou a seguir ao entrar na Ryerson University, em Toronto, para frequentar o curso de Designer de Moda.
Saber que iria entrar num mundo altamente competitivo, não diminuiu a vontade de ser estilista, apesar de saber que tinha um longo caminho a percorrer. A começar pelo desenho. “Quando entrei na Universidade não tinha ainda criado um estilo, um padrão, nem ainda os conhecimentos de desenho para colocar no papel as minhas ideias, por isso tive que aprender as técnicas de desenho para realizar as minhas criações”.
Além do curso, o processo de aprendizagem inclui alguns estágios com outros estilistas que lhe granjearam não apenas experiência como designer de moda, mas ainda que lhe proporcionaram conhecimentos em relação aos negócios. “Os estágios permitiram-me fazer contactos com outros sectores de trabalho ligados à moda, com editores especializados, fornecedores, fábricas de tecidos, etc. Mais ainda, aprendi como trabalhar com outros estilistas”, sublinhou.
O seu estilo começou a chamar a atenção ainda na faculdade. No último ano, por conta da avaliação geral, feita por um grupo de estilistas ligados à indústria da moda, recebeu de um dos membros desse «júri» o convite para integrar a sua equipa de trabalho. Terminados os estágios, e com a experiência que tinha adquirido, o estilista percebeu que estava na hora de avançar com as suas criações e lançar a sua marca. Em 2003 lançou a sua primeira colecção com a marca Arthur Mendonça. Em 2004, venceu o Prémio Fashion Export para Designer Novo do Ano e um ano depois abriu a Semana de Moda Mercedes-Benz, em Los Angeles, Estados Unidos. A imprensa especializada gostou do viu…

Estilo sensual e conservador

Arthur Mendonça define o estilo das suas criações como sendo sexy e sensual, mas também um pouco conservador. Diz a rir, que é o estilo “sexy português”, mas as raízes lusas poderão ter alguma influência nas suas criações.
Um estilo que mudou, desde as primeiras criações e aproximou-o mais dos gostos femininos. “Quando comecei tinha um estilo mais conceptual, um pouco fantasista, que nem todas as pessoas poderiam usar. Sobre alguns modelos pensava, «ok, se calhar não podem ser tão curtos». Aprende-se que cada peça não precisa necessariamente de conter tudo, de ter muitos detalhes”, revelou que a imagem da mulher está sempre presente nas suas criações. “Não se trata apenas de vestir modelos. Quando estou a criar as minhas peças imagino-as no guarda-roupa de uma mulher: se a vai usar para trabalhar, se a vai vestir para uma festa, se a vai usas no fim-de-semana”, explica. “E penso que a minha mãe poderá usar algumas peças”, completa, a rir.
Em Fevereiro último, Arthur Mendonça voltou a ser falado, e aplaudido. Desta vez, foi com a sua colecção Outono/Inverno 2008, apresentada num dos mais conceituados eventos de moda a nível mundial - a Semana de Moda de Nova Iorque. “Sensata, prática e sensual”, são os adjectivos que o estilista atribui a esta colecção e que caracterizam também as suas colecções anteriores.
Não se refere à presença em Nova Iorque como um ponto de viragem na sua carreira, mas afirma que lhe abriu as portas para novo e importante mercado. “É um grande país, um mercado global e muito competitivo”, destaca, sublinhando por isso, que, ter apresentado a colecção em Nova Iorque, num evento com uma enorme cobertura mediática, com a presença de conceituadas revistas de moda, como «Elle» e «Vogue», foi um acontecimento especial.
Especial é também ter peças suas fotografadas e comentadas por estarem a ser usadas por artistas. As criações de Arthur Mendonça chamaram a atenção de celebridades como Paris Hilton, as actrizes Kim Catrall, Maria Bello e Mary Loise Parker e a cantora Rihanna, que, à semelhança de Nelly Furtado, já se tornaram suas clientes. Algo que o estilista assume como tendo sido importante na projecção da sua carreira. “Ter alguém como a Nelly Furtado a usar vestidos que eu criei, atrai a atenção das outras pessoas”, assume sem falsa modéstia.

Azulejos portugueses na nova colecção

Quanto ao processo criativo, não há segredos. Os seus gostos pessoais influenciam as roupas que cria, mas Arthur Mendonça revela que vai buscar a inspiração a “diferentes coisas”.
Há três anos atrás, uma viagem de férias a Sevilha, Espanha, esteve na base da sua terceira colecção. A primeira, lançada na Primavera de 2003 foi largamente influenciada por uma ida ao Brasil, onde esteve para a passagem de ano. A imagem das pessoas, tradicionalmente vestidas de branco e a lançarem flores ao mar a celebrar a chegada do novo ano, levou-o a criar roupas onde se destacaram o branco, as cores de areia, o amarelo e as flores estampadas. “Posso ser influenciado por um amigo, como já aconteceu. Numa festa, a roupa que uma amiga vestia inspirou uma colecção. Por isso, posso ser influenciado por coisas diferentes”.
Exemplo disso é a colecção que está elaborar agora e que poderá ser considerada uma «colecção portuguesa». Tudo por causa de uma arte lusa que como revelou, está sua base: os azulejos portugueses. Apesar de assegurar que as criações sempre tiveram algo das suas raízes lusas, Artur Mendonça ainda não tinha elaborado nenhuma colecção que tivesse como base uma influência portuguesa directa. Aconteceu agora e surge como uma espécie de homenagem ao avô português, que morreu recentemente.
A «O Emigrante/Mundo Português», levantou um pouco do «véu» e revelou que o azul e o vermelho escuro, cores tradicionais na azulejaria portuguesa, são a base da nova colecção, mas o branco, assim como outros padrões também marcarão presença.
A nível pessoal, as influências portuguesas de Arthur Mendonça estão nos Açores, mais propriamente em São Miguel onde viveu entre os cinco e os 12 anos - altura em que regressou ao Canadá com os pais, José e Maria da Conceição Mendonça. Dos anos passados na Ilha de São Miguel, recorda “uma terra muito bonita”, as brincadeiras na quinta do avô e a liberdade de “andar por ali” e “subir às árvores”. Foi nos Açores que aprendeu a falar português, uma língua que já tem algumas dificuldades em falar, mas que ainda compreende bem: “entendo o que as pessoas dizem e consigo ler”. Há cinco anos, descobriu outras paisagens portuguesas. Conheceu Lisboa e visitou o Algarve, lugares “bastante diferentes dos Açores”. Ficou admirado com a capital do país - “realmente uma grande cidade, antiga, com muita tradição” - e tornou-se fã dos restaurantes. “Lisboa é uma cidade muito romântica, com muita luz e muita energia”, recorda. Uma cidade onde afirma que “adoraria” abrir uma loja, apesar de ainda não ter em mente o local ideal, até porque a capital poderia ser o ponto de partida para o lançamento da sua marca na Europa, algo de que o estilista já está a tratar.
Mas o regresso a Lisboa ainda não tem dada marcada. Para já, tem planeado o regresso ao Açores. Será neste Verão, “para matar as saudades”.

A.G.P.

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