Sábado, 04 Julho 2009 - 11:31 (Açores 10:31)
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José Romão: termas são sinónimo de saúde e bem estar
O Porto recebeu, entre 25 e 28 de Junho, o 36º Congresso Mundial de Hidrologia e Climatologia Médica. Um evento organizado pela Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica e Climatologia, e pela International Society of Medical Hidrology. Reconhecendo o facto de a realização deste congresso científico em Portugal proporcionar às termas portuguesas uma enorme visibilidade internacional, ao mesmo tempo que contribuirá para afirmação do país como destino de saúde e bem-estar, a Associação das Termas de Portugal organizou, no âmbito deste evento, um workshop sobre a temática das termas e do segmento de saúde e bem-estar. Cientes da importância que a temática do termalismo está a suscitar, «O Emigrante/Mundo Português» entrevistou José Manuel Romão, Presidente das Termas de Portugal.
É Presidente da Associação Termas de Portugal há quanto tempo? Sou presidente há cinco anos. O interesse pelas Termas em Portugal está de volta? O interesse pelas termas de Portugal não só está de volta como está a receber um incremento do ponto de vista não só das autoridades, que vêem aqui uma boa oportunidade que nós temos de divulgar o nosso interior de Portugal, onde temos riquezas que vão desde o património arquitectónico, ao património ambiental e temos uma riqueza que é a água, e esta água como factor diferenciador nas suas diversas utilizações, nomeadamente na área não só da saúde, como da área da saúde e bem estar, está a ser olhada com muito carinho e de forma a podermos chegar ao conhecimento dos mercados. Esta revitalização do sector, passa essencialmente por dotá-lo de condições, não só de equipamento mas também de novas técnicas de aplicação de forma que os mercados e os novos mercados sintam que vai contra as expectativas que eles poderão sentir nestas novas sensações e experiências. Qual o panorama actual do termalismo em Portugal? O termalismo em Portugal tem estado em constante evolução e inovação de forma a corresponder àquilo que, hoje, as pessoas esperam das termas. As estâncias termais foram requalificadas, não só em termos das suas infra-estruturas como também em termos de recursos humanos e há já uma oferta muito qualificada e competitiva. Os portugueses estão sensibilizados para a importância das termas? E quando falamos em portugueses, falamos nos residentes e não residentes... Eu penso que os portugueses cada vez estão mais sensibilizados para esta problemática, não só da questão da saúde, mas essencialmente também do ponto de vista da prevenção e do estilo de vida saudáveis. É um local diferenciador, onde as pessoas poderão realmente fazer os seus tratamentos termais, em que a qualidade de vida poder-se-á sentir de uma forma diferente e essa procura que realmente cada vez mais os portugueses sentem nas suas necessidades pela vida do dia a dia que hoje tem necessidade de procurar estes locais, para que possam enfrentar melhor a vida do dia a dia. Mesmo quando cá vêm de férias, os residentes no estrangeiro têm a noção de que podem dedicar alguns dos seus dias a tratamentos termais? Mesmo quando estão fora e regressam a Portugal de férias aproveitam. Temos muitos emigrantes nossos que vêm aproveitar para fazer os seus tratamentos, sentir que podem melhorar a sua qualidade de vida e também para passar as suas férias. A oferta em Portugal a nível de termas é vasta? Há termas indicadas para muitos tipos de doenças e patologias? Nós em Portugal temos uma riqueza muito grande em águas minero-naturais. As águas diferem entre si, pelas suas qualidades físico-químicas que fazem as diferenças nas vocações terapêuticas e portanto, realmente, as nossas águas são bastante ricas, porque, realmente, transversalmente abrange uma série de questões relativamente a algumas doenças que são vocações terapêuticas para esse tipo de enfermidades mas temos realmente a outra que é as musculo-esqueléticas que pratica-mente todas as termas tem essa vocação, além das outras diferenciadoras entre si. É caro fazer termalismo em Portugal? Eu penso que isso é um mito, porque nós estamos a falar de utilizar umas termas, dentro de um determinado período de tempo, onde os tratamentos estão todos concentrados, se nós diluirmos esses tratamentos que em média se fazem em 14 dias, por 12 meses do ano, quer dizer que o preço está diluído. Estamos a dizer que existe aqui um investimento na saúde e cada vez mais os portugueses preocupam-se com a saúde e desde muito cedo. Portanto diremos que é um investimento no nosso bem estar e na nossa qualidade de vida. Portanto de forma alguma diremos que é um tratamento caro, diremos é que realmente que ele do ponto de vista para ter eficiência e eficácia está concentrado em determinado tipo de dias e que evidente se diluíssemos esse investimento por um ano não teria essa conotação de ser caro fazer termas. A ideia que o termalismo é dirigido para pessoas idosas ainda subsiste? Não está totalmente apagada, mas está mais esbatida. Hoje, temos pessoas que começam a frequentar as nossas termas desde os 20 e poucos anos e uma grande parte do nosso mercado de turismo de saúde bem-estar de curta duração anda entre a faixa etária dos 25 aos 50 anos. Em termos de termalismo tradicional, ou seja, mais terapêutico, a procura começa entre os 30 e os 35 anos e prolonga-se por toda a vida. Temos um grande grau de fidelização, porque as pessoas sentem-se bem nas termas. A ideia por vezes pré-concebida do balneário termal muito antigo, obsoleto, quase um museu, já não existe em Portugal? JR-As termas têm-se revitalizado e modernizado porque as termas, há 30 anos atrás, abriam em determinado período ou época do ano, hoje uma grande parte das termas já estão preparadas para estar abertas o ano inteiro e dessa forma poder receber o termalismo em qualquer altura do ano. E quanto a novas unidades, prevê-se que venham a ser abertas? Temos neste momento praticamente seis novas unidades que vão abrir entre 2008 e 2009. Destacaria algumas que estão actualmente encerradas para remodelação e que vão reabrir entre o segundo semestre deste ano e primeiro semestre de 2009: Estoril, Unhais da Serra, Nisa, Vidago, Pedras Salgadas, Almeida, Longroiva, entre outras. Outras reabriram recentemente totalmente remodeladas como são os casos de Cabeço de Vide, Furnas e São Vicente. Todas com grande importância para o termalismo português. A taxa de ocupação em Portugal das Termas é boa? A taxa de ocupação em Portugal diremos que está abaixo da média europeia, mas estamos a trabalhar para atingir essa média que andará nos 1,5-1,8% da população de cada país, nós presentemente temos um rácio que andará à volta de 1%. Portanto temos previsto para os próximos anos atingir esse objectivo. Termas só no Verão ou termas todo o ano em Portugal? Termas todo o ano, porque as termas hoje estão preparadas ao nível do conforto dos edifícios, que era uma deficiência que havia há 30 ou 40 anos, que já está ultrapassada, bem como das próprias unidades hoteleiras que estão modernizadas para receber os termalistas. Neste Congresso estiveram presentes muitos especialistas internacionais? É um congresso científico a nível mundial, onde estiveram vários países representados, vários cientistas, várias universidades e portanto sem dúvida nenhuma que esta troca de conhecimento ao nível da hidrologia médica e ao nível das águas, sem dúvida nenhuma é que cria no fundo esta informação em rede que é importantíssima para chegar aos diversos mercados. Portugal pode criar riqueza e postos de trabalho apostando neste sector? O turismo de saúde e bem estar é um dos dez produtos que foram alancados para o Plano Nacional Estratégico para o Turismo (PENT) e é neste momento um sector muito importante para o turismo português, com todas as vantagens que daí advêm como a criação de riqueza e postos de trabalho. Esta aposta no termalismo vai no caminho certo. O turismo de saúde e bem estar localizado no interior do país tem apostado na valorização do património ambiental, arquitectónico, etnográfico e gastronómico. E isso tem revitalizado não só o sector termas, mas também a economia das diversas regiões, o seu comércio e os seus serviços, permitindo a fixação de pessoas naquelas zonas. Que conselhos daria a quem nunca experimentou fazer termas em Portugal? A única indicação que poderia dar é que deveriam experimentar porque vão ser confrontados com uma realidade que não tinham tido uma experiência. Vão ter uma experiência nova, umas sensações novas, que não se esgotam num dia e se realmente frequentarem as Termas de forma como elas devem estar indicadas vão com certeza absoluta ter uma qualidade de vida não só do ponto de vista da saúde mas também de espírito muito melhor. Se experimentarem não vão largar mais, pode-se assim concluir? Sem dúvida, nós temos termalistas há mais de 30 anos e a farmacologia que hoje temos concerteza ultrapassaria muito dos problemas que tem a nível de saúde, mas complementar com as Termas, com certeza pelo equilíbrio, na sua forma de estar e bem estar, que não conseguiriam se não frequentassem há 30 anos as Termas. Melhor experiência do que estas não poderemos ter. No mercado internacional as Termas de Portugal já são conhecidas? Neste momento, já existem alguns mercados que conhecem as nossas termas e está a ser feito um esforço no sentido de divulgar as nossas estâncias termais de forma a captar novos mercados. Temos condições para responder a uma maior procura pois estamos ao nível de outros países da Europa em termos de atractividade. A.F. |
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