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RegionalRio Douro: Muito mais do que turismoTerça-Feira, 15 Julho de 2008
O rio Douro é todo um símbolo para um modo particular de encarar a vida que só os seus habitantes saberão explicar. Parta à descoberta de uma região que lhe oferece muito mais do que turismo. Alguns dizem que o nome rio Douro vem da palavra ‘ouro’, alegando que, outrora, rolavam no rio umas pequenas pedras brilhantes que se veio a descobrir serem de ouro. Outros defendem que o nome deriva da palavra latina ‘durius’ (duro), devido às altas e rochosas escarpas nas margens do rio, principalmente no seu trecho internacional. Ora, mesmo não se sabendo ao certo a origem do nome do rio, há algo sobre esta região que não oferece dúvidas a ninguém: é uma das mais belas de Portugal e merece uma visita. Alto Douro vinhateiro No vale do rio Douro, o homem duriense fez nascer um dos mais famosos vinhos a nível internacional. A mais antiga região demarcada do mundo é uma das mais belas e impressionantes de percorrer, tendo sido mesmo incluída na lista do Património Mundial da UNESCO. Originalmente, o rio cavou na terra os vales profundos. Mais tarde, a mão humana transformou as montanhas de xisto em terra e muros para nela plantar vinha. A completar o cenário idílico, o sol realça os tons de cor de fogo, no Outono, e de verde, no Verão, que a paisagem vai adquirindo ao longo do ano. O Douro, as quintas e o vinho do Porto Até finais do século XIX, o rio Douro era a principal via de acesso ao interior da região e o transporte ideal para produtos e pessoas. Arrepiando caminho por entre um curso difícil, cortado por obstáculos naturais, o barco rabelo distinguia-se dos outros pela sua robustez e pela coragem dos homens que o manobravam, transpondo as condições adversas do longo percurso. Nos dias de hoje, as várias barragens tornam a navegação mais agradável numa extensão de 210 quilómetros entre o Porto e Barca d’Alva. Ao longo deste percurso, na chamada Rota do Vinho do Porto, pode visitar a Casa das Torres de Oliveira, em Mesão Frio, a Casa dos Varais, no Peso da Régua, ou a Casa de Mateus, em Vila Real, famosa em todo o mundo por figurar no rótulo do vinho Mateus Rosé. E se a história do vinho lhe interessar profundamente, não se esqueça de dar um salto ao Solar do Vinho do Porto, no Peso da Régua, onde especialistas o podem elucidar sobre as características deste néctar. Num cartaz mais cultural, sugerimos uma visita ao Mosteiro de Tarouca e ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, subindo os seus 686 degraus e abrindo dessa forma o apetite para um belo piquenique nos jardins circundantes. Três paisagens a não perder No concelho do Peso da Régua, encontra duas das melhores paisagens que o rio Douro tem para oferecer: uma é a da própria localidade do Peso da Régua, observada numa noite limpa de Verão, desde a margem sul do rio; a outra é a que pode ser alcançada desde o alto da capela de São Leonardo de Galafura, um lugar sagrado e mítico de onde o rio se avista contorcido por entre as escarpas rochosas. A terceira paisagem que lhe sugerimos foi mesmo considerada pela estação de rádio e televisão britânica BBC como uma das seis mais belas do mundo e pode ser observada a partir do terraço panorâmico da senhorial casa Casal de Loivos, no concelho de Alijó. Pontes(os) de interesse Na foz do rio Douro, há três pontes que merecem destaque e que vale a pena conhecer. A ponte D. Maria Pia: ponte ferroviária de arco biarticulado, obra do célebre engenheiro Gustave Eiffel, que tem 352 metros de comprimento e 61 de altura. Inaugurada em 1877 pela família Real, este obra com mais de 100 anos efectuou serviço ferroviário até 1991. A ponte Luís I: rodoviária e pedonal de dois tabuleiros, com um vão de 172 metros e uma flecha de 44 metros, esta ponte foi construída entre 1881 e 1886 por Teóphile Seyrig, antigo colaborador de Eiffel. Ponte da Arrábida: da autoria do professor Edgar Cardoso, construída no final dos anos 50 do século passado, esta ponte chegou a ser detentora do recorde mundial para a ponte com o maior arco em betão armado. Gastronomia do Douro A gastronomia das terras do Douro é uma das mais variadas do país. Junto à costa predominam os peixes e os mariscos, com muitas e boas receitas, e o próprio rio oferece vários peixes que pode experimentar num dos muitos restaurantes à beira rio. A sardinha, já sabe, é rainha em noite de São João. Mais para o interior, predominam as carnes. De Chaves e Lamego são famosos os presuntos e os chouriços. E em Mirandela e Miranda do Douro comem-se excelentes alheiras. Em termos de receitas, esta região oferece-lhe rojões e arroz de frango, ou leitão e cabrito recheados. Para a sobremesa, há toucinho-do-céu, cristas de galo ou creme queimado. É costume dizer-se que a dificuldade está na escolha, mas nós sugerimos-lhe o seguinte: vá de viagem por uns dias, visite os locais de interesse da região, delicie-se com uma ementa diferente em cada dia e vai ver que vale a pena… J.P.D (com Lusa) |
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