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RegionalRio Douro: As tradições e os produtosTerça-Feira, 15 Julho de 2008
Actualmente, ainda se mantêm abertas as linhas Porto - Régua - Pocinho, e Porto - Amarante - Vila Real - Mirandela. Mas, ao longo dos anos, os comboios da Linha do Douro deixaram de parar em algumas das estações ao longo do percurso. Sem actividade, sem movimento, sem pessoas, estes espaços perderam utilidade e foram condenados ao abandono.A aposta no turismo, no entanto, está a conseguir contrariar esta tendência. Dois bons exemplos disso mesmo são o Comboio Turístico da CP – que efectua o percurso Régua - Pinhão - Tua todos os sábados, entre 31 de Maio e 4 de Outubro – e as estações do Pinhão e do Tua – que ganharam uma nova vida e mais movimento com a abertura de espaços comerciais onde os turistas podem adquirir produtos regionais como o vinho, o azeite, os chá de ervas locais ou as compotas. O Pinhão A estação do Pinhão é um dos mais emblemáticos edifícios ferroviários portugueses, sendo também um dos ex-libris da região duriense. O local é um dos mais visitados do Douro, sobretudo devido aos 25 painéis de azulejos do edifício principal, que representam as cenas, as paisagens e os costumes típicos da região. Nos espaços desactivados da antiga estação, a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo abriu a ‘Wine House’ (loja dos vinhos, numa tradução à letra), que funciona em complemento com um núcleo museológico, no qual se dá a conhecer todo o ciclo de produção do vinho. O projecto da ‘Wine House’ esteve a cargo do arquitecto Arnaldo Barbosa, tendo como objectivo conceder uma nova vocação turística e cultural à estação. O local abriu as portas a 1 de Junho. Uma das empregadas da ‘Wine House’, Dafne Ryom – cidadã belga que vive em Portugal há 14 anos e que trabalha na loja da Quinta Nova – disse à agência Lusa estar surpreendida pela saída que o vinho tinto tem tido, vendendo mais até do que o vinho do Porto. Para além disso, informou, “os turistas também compram muito azeite, chás e as nossas compotas, e vão chegando todos os dias, tornando a estação do Pinhão num dos pontos de encontro principais do Douro”. Entre os turistas que visitam o local contam-se não só portugueses, mas também ingleses, franceses, eslovenos, canadianos e até australianos, que chegam de comboio ou num dos muitos barcos que diariamente cruzam as águas do rio. Também no Pinhão, o Museu da Quinta Nova nasceu nas antigas três casas dos manobradores e operadores da estação, e integra objectos que contemplam todo o ciclo do vinho, desde a viticultura à enologia ou à tanoaria. O Tua Alguns quilómetros mais à frente, já em pleno concelho de Carrazeda de Ansiães, fica a estação do Tua, que foi adaptada para acolher um espaço onde os passageiros do Comboio Histórico do Douro podem adquirir produtos regionais. No local, a padaria Foz Tua aproveita para vender pão de centeio, bola de azeitonas, bolinhos económicos ou bolos de coco. E o comerciante Marco Sequeira tem à venda o vinho, o azeite, as compotas e os frutos secos que a sua família produz na pequena localidade do Tua. No entender da responsável pela padaria, Paula Monteiro, esta é uma boa forma de “promover os produtos e receber os turistas com mais conforto”. Para Zélia Fernandes, emigrante portuguesa e passageira do Comboio Histórico, o local ofereceu-lhe a oportunidade de comprar uma compota de figo para mostrar ao marido, que vende produtos portugueses nos Estados Unidos da América, onde o casal reside há mais de 30 anos. J.P.D. (com Lusa) |
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