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ComunidadesPSD-Açores e conselheiro das Comunidades criticam situação do ensinoTerça-Feira, 15 Julho de 2008
O ensino da Língua Portuguesa no estrangeiro é uma constante preocupação, não só para os seus responsáveis, mas ainda mais para aqueles que escolheram o estrangeiro para construírem a sua vida. Recentemente, duas importantes vozes se fizeram ouvir, contestando a situação em que se encontra o ensino da língua nos Estados Unidos e Canadá. Em Portugal, o deputado do PSD/Açores, António Pedro Costa, denunciou na Assembleia Legislativa dos Açores a situação de “abandono insustentável” em que se encontram os emigrantes portugueses do norte da América. Nos Estados Unidos, José João Morais, Conselheiro das Comunidades Portuguesas, corrobora as afirmações de António Pedro Costa, acrescentado que o problema está na falta de coordenadores. Foi no dia 2 que o PSD/Açores levou este assunto à Assembleia regional. Na altura, António Pedro Costa afirmou que a situação actual do ensino do português na região norte-americana era grave e que “pais dos alunos e professores consideram discriminatória a forma como vem sendo distribuída a verba orçamentada para o ensino da língua por-tuguesa no estrangeiro”. Em cau-sa estava, segundo o deputado, o facto de o governo ter privilegiado até agora “o continente europeu em detrimento de outros países onde o número de luso-descendentes é maior”. Esta situação tem causado enorme desgaste nos emigrantes portugueses, que parecem cada vez mais consumidos “dado o desinteresse governamental pelas instituições que ministram o português fora da Europa”. “As comunidades dos Estados Unidos e Canadá não entendem este abandono, contrariamente ao que acontece com o apoio que é dado ao ensino da língua portuguesa na Europa, com o qual, só num ano, o Governo Português despendeu mais de 40 milhões de euros”, disse o mesmo deputado, acrescentando que, “infelizmente, estas escolas não têm tido das autoridades portuguesas qualquer tipo de apoio, quer a nível financeiro, quer a nível de ma-teriais didácticos, apesar de Portugal considerar insubstituível o papel destas na preservação e transmissão da cultura e da língua portuguesa”. Este assunto tem especial in-teresse para a Região Autónoma dos Açores, uma vez que os seus emigrantes são uma das comunidades mais representativas na região. “O Governo privilegia a Europa e esquece, designadamente, os luso-descendentes da diáspora açoriana”, disse António Pedro Costa. Perante esta situação, o deputado social-democrata apelou ao Governo Regional que não esqueça também os seus emigrantes. Nas suas palavras, pediu para que os governantes pa-trocinem o ensino do português. “A Direcção Regional das Comunidades existe para apoiar a nossa diáspora”, disse. Acerca deste assunto, António Pedro Costa observou ainda que “as escolas comunitárias de ensino da língua portuguesa registam, cada vez mais, menor fre-quência de alunos, ao que não é alheio a falta de apoio oficial”. “Os Açores estão a fazer mais pelo ensino que o governo central” Perante estas afirmações, o O Emigrante/Mundo Português contactou o Conselheiro das Comunidades José Morais, eleito pelo circulo de Newark, que corroborou as afirmações de António Pedro Costa, acrescentando que o principal problema está na falta de coordenadores. “Não temos coordenação para o ensino à cerca de três anos”, disse o Conselheiro. Segundo o mesmo, existe apenas uma Coordenado-ra na Califórnia, que tem outras motivações para ocupar o lugar, até porque aquela é uma zona muito pouco representativa da comunidade portuguesa. José Morais revelou que o ensino da Língua Portuguesa nos Estados Unidos não custa nada a Portugal. “É a comunidade que suporta todos os encargos e, se for preciso ser a mesma comunidade a pagar o salário da coordenação, tenho a certeza que ninguém se importará”, afiançou. Segundo José Morais, sempre que vem a Portugal confronta o Secretário de Estado das Comuni-dades com o problema, mas “até agora ainda não chegou a solução”. “Preferimos que digam logo que não vamos ser ajudados. A educação é a única coisa que pedimos ao Estado português. Isso e a abertura dos dois consulados na Florida. Não sei se as pessoas sabem, mas a maior parte dos emigrantes portugueses pagam impostos, também, em Portugal”, disse o Conselheiro. Este representante da comunidade portuguesa nos Estados Unidos aponta contradições constantes do Governo e dá como exemplo o concurso público que já havia sido aberto para a coordenação em Dezembro último e que foi aberto novamente recentemente. “Foram feitas muitas promessas, mas, até agora, nada”, lamentou. Segundo José Morais, um dos argumentos do Estado português é que os Estados Unidos também deviam assumir alguma responsabilidade e oferecer a possibilidade de haver português no ensino integrado. “A questão é que onde isso é possível fazer, já foi feito”, disse, acrescentando que “o problema é que em muitas escolas pode não haver mais de dez alunos portugueses ou luso-descendentes interessados em aprender a língua. Nesses ca-sos é difícil haver acesso ao en-sino da língua numa escola norte-americana”. Em relação à possibilidade levantada pelo deputado social-democrata de o Governo Regio-nal dos Açores assumir a responsabilidade do ensino do português em terras norte-americanas, José Morais foi revelador: “os Açores estão a fazer mais pelo ensino que o governo central”. Contudo, para o Conselheiro é indiferente quem soluciona o problema. “Aceitaria perfeitamente que os Açores assumissem a responsabilidade do ensino nos Estados Unidos. De resto, a última coordenadora era açoriana, mas a mim não me interessa a origem, desde que a situação seja resolvida”, disse. Para José Morais, “as escolas são a melhor garantia de identificação dos jovens com o seu país”, algo que parece estar cada vez mais a desaparecer, e exemplificou com o facto de, hoje em dia, se ver cada vez mais os mais velhos a voltarem à liderança das associações de emigrantes portugueses. “Não há jovens dispostos a assumirem o lugar”, lamentou. A.B. |
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