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Loures: Autoridades procuram verdadeira identidade de um dos detidos em Loures

Quinta-Feira, 14 Agosto de 2008
As autoridades portuguesas desconhecem ainda a verdadeira identidade de um dos envolvidos no caso em que uma criança foi baleada mortalmente pela GNR em Loures, que se apresentou em tribunal com um nome falso e é suspeito de ser um foragido de Alcoentre.

O detido, que foi libertado terça-feira com a obrigação de se apresentar periodicamente à polícia, apresentou-se no Tribunal de Loures com o nome de José Jorge da Ressurreição Lourenço, identidade que, segundo a GNR, veio a revelar-se falsa.

O adjunto do porta-voz do Comando Geral da GNR, tenente João Figueiredo, adiantou hoje à agência Lusa que, além do nome, a morada indicada pelo suspeito àquela polícia e ao tribunal é também falsa.

As autoridades suspeitam ainda que o homem, "com cerca de 30 anos", seja o mesmo que está evadido da cadeia de Alcoentre desde 2000 mas não existe ainda uma confirmação oficial.

A estas dúvidas, junta-se o facto de algumas fontes o descreverem como pai da criança morta enquanto outras o referem como padrasto.

A idade da criança baleada foi também alterada por várias vezes: começou por ser dito que tinha 11 anos, mais tarde passou a 12 e agora é referida como tendo 13 anos.

Os Serviços Prisionais revelaram hoje à agência Lusa que um homem chamado Sandro Ressurreição Lourenço está evadido de Alcoentre desde 2000 mas não confirmam que se trate da mesma pessoa envolvida no assalto, segunda-feira, a um estaleiro de materiais de construção civil em Santo Antão do Tojal, Loures.

A mesma fonte indicou que o homem que fugiu da prisão de Alcoentre, no âmbito do Regime Aberto Virado para o Exterior (RAVE), fazia parte da equipa de reclusos que trabalhava nas vinhas.

Questionada pela Lusa sobre se o homem detido segunda-feira era o foragido de Alcoentre, a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP) respondeu que, "em 09 de Agosto de 2000, o recluso Sandro Ressurreição Lourenço, que cumpria pena no Estabelecimento Prisional de Alcoentre por roubo, ausentou-se da brigada de trabalho da vinha, na qual se encontrava integrado há mais de 10 meses, sem qualquer registo disciplinar favorável".

"Nos últimos dias, a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais tem prestado toda a colaboração solicitada pelas entidades policiais com vista ao eventual esclarecimento da identidade do cidadão recentemente detido em Loures", adiantaram os serviços.

Contudo, a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais garante que "não existe, até à data, qualquer confirmação pelas entidades competentes de que se possa tratar da mesma pessoa" detida em Loures, actualmente em parte incerta e com a obrigatoriedade de apresentações periódicas às autoridades.

Os Serviços Prisionais acrescentam que transmitiram oportunamente a informação da ausência do recluso às entidades competentes, "não tendo, desde então, obtido quaisquer novos dados sobre o recluso ausente" e sublinham que não lhes compete "proceder à verificação da autenticidade de documentos de identificação".

Entretanto, fontes ligadas ao processo contactadas pela Lusa identificaram também o homem detido segunda-feira pelo furto de materiais de construção civil como Sandro Salazar e como Sandro Baltazar.

A criança morta por disparos da GNR durante a perseguição automóvel que se seguiu ao assalto, terá como apelido Lourenço Salazar, como revelou à Lusa um dos tios, que adiantou que o menor era filho de um dos detidos.

As autoridades estão também convictas de que o menor era filho de um dos assaltantes, informação que é corroborada pelo seu advogado de defesa, Fernando Carvalhal.

O adjunto do porta-voz do Comando Geral da GNR que afirmou que o homem deu nome e identidade falsa explicou que uma brigada da GNR deslocou-se entretanto a Santo Antão do Tojal para recolher informações sobre o suspeito, tendo apurado que o mesmo vivia ali há apenas uma semana.

O mesmo responsável disse desconhecer, por enquanto, o verdadeiro nome do homem.

O advogado dos detidos disse hoje à Lusa que o seu cliente identificou-se perante a GNR, Polícia Judiciária, juiz do Tribunal de Loures e a ele próprio como José Jorge da Ressurreição Lourenço.

Fernando Carvalhal, que representa os dois suspeitos do furto em Santo António do Tojal, afirmou que conhece o seu cliente por José Lourenço e que este tem dois apelidos intermédios de que não se recordou.

Acrescentou que conhece o segundo detido por Armando Salazar e que este tem mais um apelido.

O advogado, que afirma que um dos arguidos é pai da criança baleada mortalmente, referiu que a mãe do menor tem como apelido Salazar e admitiu que possa existir um grau de parentesco entre os vários protagonistas deste caso.

Apesar da confusão de nomes, Fernando Carvalhal garante que continuará a defender o seu cliente mesmo que este tenha apresentado um nome falso e se confirme que está foragido à prisão.

A investigação do caso está entregue à Polícia Judiciária e à GNR.

Comentando hoje esta caso, à Sic Notícias, o juiz Eurico Reis considerou, a dado momento: «Isto já não dá vontade de rir!»

Exortou a que se descubram as causas de tais anomalias e que depois se seja "muito firme" no combate aos problemas identificados.

No entender do mesmo juiz, dado que para o ano haverá eleições, seria desejável que as pessoas deixassem de discutir «a espuma dos dias» e tentassem identificar e encontrar soluções para problemas de vários sectores da sociedade portuguesa, reconhecendo que, no seio da justiça, existem «entraves fortíssimos».



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