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JO: A tristeza de Naide, o choro de Gustavo e o adeus de Vicente Moura

Terça-Feira, 19 Agosto de 2008
A eliminação totalmente inesperada de Naide Gomes da final do salto em comprimento, o choro de Gustavo Lima e o anúncio de não recandidatura de Vicente Moura, presidente do Comité Olímpico Português (COP), agitaram o 11º dia lusitano em Pequim2008.

Um dia depois de Vanessa Fernandes ter alcançado a medalha de prata no triatlo feminino (único pódio português, até agora) e quando, aparentemente, todas as nuvens negras dos desempenhos anteriores dos portugueses tinham desaparecido, Naide Gomes "voou" demasiado devagar e o velejador Gustavo Lima, que partiu para a Medal Race (Laser) em terceiro, falhou a medalha ao cair para a quarta posição e anunciando o final de uma carreira de sucesso, por falta de apoios.

Vanessa Fernandes também incendiou o dia, repetindo as declarações de segunda-feira, nas quais acusava alguns atletas de "brincarem" com os Jogos Olímpicos. Vicente Moura também não poupou palavras e exigiu brio e profissionalismo. Isto ainda na segunda-feira, o dia de "ouro" para Portugal.

Hoje, anunciou ir abandonar o cargo, cujo mandato, o seu quarto em quase 30 anos no COP, termina em Dezembro. O falhanço total nos objectivos desejados (quatro medalhas e 60 pontos) foi o motivo da saída.

O 11º dia da competição de Pequim, cada vez mais marcada pelo insucesso luso e por constantes casos, fica, no entanto, para a história, mas novamente pela negativa, já que Naide Gomes, a portuguesa detentora da melhor marca mundial do ano (7,12 metros, em Julho, no Mónaco), apenas conseguiu um salto válido nos três possíveis das eliminatórias. Com um surpreendente e inexplicável 6,29.

A atleta do Sporting, campeã do Mundo em pista coberta, precisava de ficar entre os 12 melhores saltadores ou alcançar a marca de 6,76 metros.

"Estou sem palavras... estou parva. Nem sequer consigo chorar. Estou mesmo muito triste... nem imaginam como. Ainda não acredito", disse a favorita ao título olímpico nesta especialidade.

Na vela, Gustavo Lima, que já tinha sido quinto e sexto classificado, em Atenas2004 e Sydney2000, respectivamente, foi infeliz na Medal Race e ficou a apenas um ponto da medalha de bronze, anunciando, em lágrimas, o abandono da alta competição, por falta de condições de treino e apoios cada vez mais escassos.

"As pessoas podem rir, podem gozar por eu estar a chorar. Mas eu sofri muito, já estou farto e vou abandonar a vela", disse Gustavo Lima à saída do mar, frustrado e infeliz, antes de lamentar as condições de treino em Portugal.

"Nestas condições eu não continuo, não faz sentido dedicar seis, sete, oito horas por dia sozinho a treinar".

João Rodrigues (RS:X) terminou em 11º lugar e falhou a Medal Race, enquanto as duas regatas previstas para a classe Star, cuja dupla portuguesa Afonso Domingos/Bernardo Santos segue na sexta posição, foram adiadas para quarta-feira.

No ténis de mesa, Marco Freitas entrou para a história da modalidade em Portugal, tornando-se o primeiro praticante luso a passar uma ronda nos Jogos Olímpicos, após triunfo por 4-1 sobre o egípcio Lashin El-Sayed.

Já antes, Tiago Apolónia tinha sido eliminado logo na primeira ronda, tal como aconteceu posteriormente com João Monteiro.

Emanuel Silva, que se tinha apurado segunda-feira para as meias-finais de K1-1000 metros, repetiu a proeza nos 500m, tal como Teresa Portela, em K1, e Helena Rodrigues/Beatriz Gomes em K2, nas mesmas distâncias. Feitos que já eram esperados.

Bruno Pais terminou a prova de triatlo masculino no 17º lugar, Duarte Gomes ficou-se pelo 44º posto na mesma competição e Sílvia Cruz foi afastada da final do dardo, com um 14º lugar no Grupo A da fase de qualificação.

Jessica Augusto, que numa decisão de última hora optou por correr a eliminatória dos 5000 metros, fez 16.05,71 minutos na distância e acabou na 14ª posição da primeira série (26ª na classificação global), longe do apuramento para a final. A atleta tinha já sido afastada dos 300 metros obstáculos.



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