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Venezuela/Segurança: Conselheiros apelam a Sócrates para interferir junto de Hugo Chavez

Sexta-Feira, 26 Setembro de 2008

Os conselheiros das Comunidades Portuguesas na Venezuela enviaram ao primeiro-ministro, uma Carta aberta onde afirmam haver “uma perseguição contra os Portugueses” naquele país e pedem a José Sócrates “que inclua nos acordos” que Portugal vai assinar com a Venezuela, “um compromisso sério por parte do Presidente Hugo Chavez” em relação à segurança dos portugueses que vivem na Venezuela.

O presidente venezuelano deverá chegar hoje à noite a Portugal, vindo de Moscovo. Em Portugal, o José Sócrates e Hugo Chavez deverão presidir, amanhã, dia 27, à assinatura de acordos para a venda de um milhão de computadores Magalhães, para a construção de habitações sociais na Venezuela e ainda para a instalação de duas unidades fabris, uma no sector da construção civil e a outra no da informática.

 

“Obrigação” do Estado português

 

Na carta, a que O Emigrante/Mundo Português teve acesso, os conselheiros Luis Jorge, António Freitas, Estela Lúcio, Maria de Lurdes Almeida e Manuel Martins Pereira referem que “afirmar o nome de Portugal no estrangeiro, é promover as relações a todos os níveis e é também garantir a segurança pessoal e jurídica dos seus cidadãos” e dizem que “é obrigação do Estado Português, velar pela segurança dos seus cidadãos independentemente em que parte do mundo se encontrem” e ainda “exigir que se cumpram os acordos assinados com outros países no que diz respeito à sua segurança pessoal”.

No mesmo documento os membros do CCP recordam que este ano já foram raptados “mais de vinte empresários e comerciantes portugueses, dez foram assassinados, quatro deles nas últimas três semanas”. Os autores da carta dizem reconhecer que a criminalidade é um problema mundial, mas sublinham que não podem aceitar “que não se faça nada ao respeito para combate-la”.

Nesse sentido, apelam ao Primeiro-ministro português, que inclua nos acordos que Portugal está a assinar com a Venezuela, um compromisso do presidente venezuelano “que garanta a protecção e segurança dos emigrantes portugueses e das suas famílias que vivem na Venezuela”.

Os conselheiros referem ainda que as relações políticas e comerciais entre os dois países “são muito importantes”, mas acrescentam que “o direito à vida, tem que estar acima de todos e quaisquer interesses políticos ou pessoais”.

Os membros do CCP pela Venezuela recordam ainda que após o encontro com Hugo Chavez, em Maio, durante uma deslocação à Venezuela, o Primeiro-ministro de Portugal declarou que “sempre que se encontra com ele (Hugo Chavez), está no seu espírito a comunidade que vive e trabalha na Venezuela”.

“Agora tem outra oportunidade para lembrar-se dos portugueses e das famílias enlutadas que ficaram sem os seus familiares e de mostrar aos emigrantes na Venezuela que sim existem 600 mil razões para se preocupar com eles”, concluem.


A.G.P.



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