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Venezuela: Portugueses suspendem concentração protesto contra insegurança devido eventual conotação política

Sábado, 27 Setembro de 2008
Comerciantes portugueses em Caracas suspenderam hoje uma concentração de protesto contra o aumento da insegurança no país com receio de represálias e de uma eventual conotação política, já que a campanha para as eleições regionais e municipais venezuelanas arrancaram esta semana.

"[As pessoas] têm medo que pensem que estamos a politizar os assassinatos, mas não estamos politizando isto. De política não sei nada, nem sabia que me envolveria com a imprensa e meios de comunicação", explicou à agência Lusa Lino de Abreu, filho de um dos quatro comerciantes assassinados nas últimas três semanas.

"Digo à comunidade portuguesa que não tenha medo (...) também tenho medo que tomem represálias contra mim, mas estou aqui pelo meu pai porque não quero que isto passe por debaixo da mesa", precisou.

Uma semana depois, Lino de Abreu queixa-se de que a polícia ainda não identificou o assassino do pai, embora os vizinhos saibam quem é mas têm medo de o identificar.

Vários outros portugueses disseram à agência Lusa que na tarde de sexta-feira receberam telefonemas a alertar para eventuais riscos de aparecerem nos jornais ou nas televisões e de que a iniciativa fosse interpretada como camapnha política contra o regime do Presidente Hugo Chávez, uma vez que as eleições municipais e regionais estão marcadas para 23 de Novembro e a campanha eleitoral arrancou esta semana.

"Aconselhei às pessoas que vinham para a embaixada que regressassem às suas casas, por ser um momento de eleições na Venezuela e que, portanto, poderia politizar-se, o que não é a intenção. Para evitar mais interpretações é preferível adiar esta concentração", avançou à agência Lusa a conselheira Maria de Lourdes Almeida.

"No entanto mantém-se o apelo ao primeiro-ministro português, José Sócrates, que inclua na agenda o tema da insegurança que bastante preocupa comunidade", sublinhou.

O presidente do Centro Marítimo da Venezuela, João Sidónio Rodrigues, disse à agência Lusa que "cada dia que passa a insegurança está pior, matam mais comerciantes" e que ele próprio foi vítima recente de um assalto à mão-armada, em que os assaltantes obrigaram a fechar as portas com 17 clientes dentro que os ameaçaram de morte.

"Ando assustado porque fui ameaçado, podem me vir buscar e posso ser uma vítima mais", frisou.

Segundo a comunidade portuguesa no último mês foram assassinados seis portugueses na Venezuela, um na localidade de Guayana, outro em Santa Teresa e quatro em Caracas.

Diariamente, os jornais venezuelanos dedicam várias páginas à insegurança, tema que ocupa parte dos noticiários televisivos e radiofónicos.

A própria polícia estima que semanalmente são assassinadas mais de 30 pessoas de diversas nacionalidades ao longo do território nacional, principalmente em bairros pobres.



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