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Há 11 mil crianças em instituições de acolhimento

Terça-Feira, 30 Setembro de 2008
Um relatório do Instituto da Segurança Social indica que em 2007 havia 11.362 crianças em instituições de acolhimento. Garantir que estas crianças “têm um projecto de vida viável e seguro” é um compromisso para “honrar”.

Mais de onze mil crianças e jovens estavam, em 2007, em instituições de acolhimento, a maioria das quais há mais de um ano, segundo indica um relatório do Instituto de Segurança Social agora divulgado. O documento faz a caracteri-zação das crianças e jovens em situação de acolhimento em 2007, e revela que 11.362 crianças estavam nestas condi-ções, menos 883 do que em 2006.
Segundo o relatório, 35 por cento das crianças acolhidas nos Centros de Aco-lhimento Temporário tinham um tempo de permanência de entre 1 e 3 anos, quando este não deveria ultrapassar os 6 meses. Mas a verdade é que a maioria destas crianças e jovens está normalmente em acolhimento por períodos superiores a um ano.
Os dados agora divulgados revelam também que para 2.520 crianças o tempo de permanência nas instituições era superior a 6 anos, e que para 2.003 era de entre 4 e 6 anos. Apenas 540 crian-ças estavam acolhidas há menos de três meses.
Negligência, abandono, maus tratos físicos e carência socioeconómica são os principais motivos para o acolhimento. A situação de negligência assume, contudo, uma preponderância significati-va, com especial prevalência da ausência de acompanhamento familiar, identificado em 6.137 crianças, e de ausência de acompanhamento ao nível da educa-ção, identificado em 5.388 crianças. Os maus tratos físicos foram uma realidade para 1.758 crianças e jovens. O abando-no – entendido como a situação em que a criança fica entregue a si própria – surge também como razão para o acolhimento, tendo conduzido 1.744 crianças às instituições.
Cerca de 63 por cento das crianças e jovens em acolhimento em 2007 encontravam-se em lares de infância e ju-ventude, um dado que mostra um claro predomínio das respostas de acolhimento prolongado. Em Centros de Aco-lhimento Temporário, encontravam-se acolhidas 1.843 crianças e jovens, enquanto em famílias de acolhimento havia 1.829.
A tendência de ligeiro predomínio fe-minino entre a população em situação de acolhimento registada em anos anteriores mantinha-se em 2007: 5.954 raparigas e 5.406 rapazes.
A população acolhida é maioritariamente adolescente, sendo que mais de metade destas crianças tinha mais de 12 anos.

Garantir “projecto de vida viável”

Segundo o relatório do Instituto de Se-gurança Social, a maioria das crianças institucionalizadas não tinha qualquer projecto de vida delineado.
Contudo, o mesmo documento explica que este valor se justifica pelo facto de ter sido introduzida maior exigência e rigor na definição dos projectos de vida destas crianças, sendo que não foram consideradas como tal apenas declara-ções de intenções ou a ideia remota da-quilo que será o futuro da criança.
Em declarações à Agência Lusa, a se-cretária de Estado Adjunta e da Reabilita-ção, Idália Moniz, referiu que a definição do projecto de vida não é uma mera formalidade administrativa, e que o objectivo definido pelo Governo de até 2009 de-sinstitucionalizar 25 por cento destas crianças não pode ser um mero número.
“Quando começaram a ser aplicados os Planos de Intervenção Imediata foi fei-ta a caracterização do universo de crian-ças e jovens, trabalhando agora com ca-da uma delas sem que sejam ‘perdidas’ para a sociedade ou ‘adquiridas’ pela ins-tituição de acolhimento”, disse Idália Mo-niz.
Segundo a secretária de Estado, o trabalho consiste na construção de um mode-lo sustentado que garanta os direitos e as necessidades das crianças. “A melhor forma de honrarmos os nossos compromissos é confirmar que estas crianças saem do sistema mas têm um projecto de vida viável e seguro”, explicou.
Entre os 0 e os 3 anos, a adopção é o principal projecto de vida para 62 por cento das crianças, registando-se uma baixa taxa de retorno à família biológica.
O mesmo acontece com as crianças entre os 4 e os 5 anos. Nesta faixa etária, 54 por cento são encaminhados para adopção. De facto, a adopção é o cami-nho maioritariamente delineado para crianças até aos 9 anos.
A partir dos 9 anos, o acolhimento permanente passa a ser o projecto de vi-da mais comum.
Segundo dados das Listas Nacionais de Adopção, 1.674 crianças reúnem con-dições para serem adoptadas.
No entanto, apenas para as crianças em Centros de Acolhimento Temporário a adopção surge em primeiro lugar como projecto de vida. Em lares de infância e juventude, o regresso à família nuclear surge como projecto de vida mais frequente, seguido pela vida autónoma.


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