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Irlanda: PAI uma nova associação em Galway

Terça-Feira, 30 Setembro de 2008
(...) Ao longo da vida, somos confrontados com desafios e escolhas, tomamos então caminhos diversos por
várias razões. Emigração é desde há muito uma opção que se apresenta às populações de todo o mundo e
depois de ponderar e colocar na balança vários factores, decidimos se vale a pena dar esse primeiro passo
e deixar para traz a família, os amigos e o conforto das cidades que sabemos de cor (...)


Foi assim que anos atrás cheguei à Ilha Esmeralda (Irlanda), o lugar mais verde que conheço e onde o povo, também ele com uma pesada herança que levou à emigração em massa durante décadas, sabe avaliar os sentimentos e a ansiedade de quem chega a um novo porto. Mais de cento e cinquenta anos antes, sob a alçada dos Ingleses, a vida da população era muito difícil. As situações eram tão graves que durante o inverno de 1845 as sementes da batata eram usadas para alimentar as famílias não deixando nada para semear no próximo ano. Durante este fenómeno (a grande fome) um milhão de pessoas morreu de fome e de doenças associadas à falta de nutrição, enquanto outro milhão emigrou para a América do Norte, Inglaterra e Escócia. Presentemente é raro encontrar um Irlandês que não tenha um membro de família em algum desses lugares. Talvez por isso seja mais fácil para eles entender os que chegam. Alem de que, na sua grande maioria, são genuinamente um povo são, apesar das dificuldades e desafios com que se debatem, inclusivamente com o facto de se confrontarem com o recente fenómeno de verem aumentar constantemente o número de pessoas que decidem vir residir na Republica da Irlanda. Passaram de povo emigrante a um dos países da União Europeia que mais pessoas receberam nos últimos anos, levando esse facto a uma constante adaptação a nível nacional.
Nos últimos anos verifiquei que com o aumento de Portugueses que para aqui se deslocam se tornava cada vez mais necessário tentar reunir a nossa comunidade a fim de nos organizarmos e podermos de alguma forma facilitar a integração destes novos imigrantes, uma vez que se pode tornar muito difícil entender um sistema com o qual não estamos familiarizados.  

Língua portuguesa mais uma vez em perigo

Entre outros problemas saltava à vista o facto de inúmeras crianças filhas de Portugueses que estão aqui a estudar, estarem gradualmente a perder a língua Portuguesa e deste modo afastando-se cada vez mais das suas origens. Não podemos censurar os pais que providos das melhores intenções fazem todos os esforços para que os filhos se adaptem ao novo sistema escolar e se integrem na sociedade. Em muitos casos o desejo de que as crianças aprendam a nova língua e não tenham dificuldades é tão forte que descuram por completo a língua Portuguesa.   
Depois de muita pesquisa e vários contactos, foi formada uma comissão directiva em Dezembro de 2007, com o fim de criar oficialmente uma associação, a primeira na Republica da Irlanda. Contámos desde a primeira hora com o apoio incondicional de diversas entidades locais, entre as quais a Integrating Ireland. Assim, lançámos oficialmente esta Associação a que chamamos P.A.I. (Portuguese Association of Ireland), no dia 25 de Abril do corrente ano. O evento seguido de uma pequena recepção com petiscos Portugueses teve lugar no salão nobre da Câmara municipal de Galway com a presença do Sr. Presidente da câmara, Mayor Tom Costello, de representantes de diversos grupos comunitários e do Exmo. Sr. Embaixador de Portugal na Irlanda Dr. Paulo Guilherme Pires de Lima de Castilho. Para alem de nos honrar com a sua presença e durante o discurso que proferiu o nosso Embaixador assegurou-nos também da sua disponibilidade para nos ajudar a garantir a perfeita integracao de todos os Portugueses, bem como, na medida do possível, facilitar o ensino de Português para as crianças filhas dos emigrantes. Pelo apoio prometido está a nossa Associação imensamente grata.
Desde a sua formação a comissão directiva tem vindo a trabalhar na criação dos estatutos, plano de actividades, pesquisa junto das escolas dos condados de Galway, Louth e Mayo para o apuramento do número de crianças Portuguesas registadas nessas escolas, construção da página electrónica oficial que será lançada em breve na organização de convívios sociais.
Estabelecemos também um serviço de prestação de informações em Português sobre direitos e deveres dos cidadãos residentes. Não cansa de nos surpreender a quantidade de pessoas que nos contactam com as mais diversas questões e problemas. Este serviço, bem como todas as actividades da Associação é desenvolvido por voluntários. Todos os membros do conselho directivo têm os seus empregos e outras responsabilidades, podendo apenas colaborar nos tempos livres; isto dificulta e torna mais lento todo este processo. De qualquer forma é um trabalho merecedor da maior apreciação por parte de todos nós, que acreditamos que a justiça social e o inter-culturalismo são mais-valias para o desenvolvimento das boas relações entre os povos. Será decerto difícil cumprir os nossos objectivos, mas se a alegria for proporcional ao desafio então temos garantida uma gargalhada.

Maria de Almeida Silva - Fundadora e presidente da PAI



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