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Economia

    

Maiores bancos portugueses ponderam recorrer às garantias do Estado

Sexta-Feira, 24 Outubro de 2008
O reconhecimento de que os maiores bancos portugueses podem vir a recorrer à garantia pública dos 20 mil milhões de euros é um sinal de acalmia, transparência e serve para evitar instabilidade futura, disseram analistas  ouvidos pela Lusa.

O BES, o BPI, o BCP e o Santander/Totta anunciaram em comunicado, quase à mesma hora, que podem vir a recorrer à garantia do Estado de 20 mil milhões de euros que visa ajudar os bancos a obter financiamento no mercado internacional.

Todos os analistas contactados pela Lusa negaram que a informação dada ao mercado seja um sinal de pânico, sublinhando antes que deve funcionar como um sinal de acalmia.

Esse foi um "sinal positivo" que os bancos vieram hoje dar, segundo a economista-chefe do BPI, Cristina Casalinho, e um sinal de transparência.

Esta acção, que o presidente do BPI já admitiu ter sido concertada, "foi para acalmar os mercados e para não gerar mais volatilidade", disse à Lusa um outro analista, do sector da banca.

A ideia desta opção conjunta é "não haver grande alarme" quando um dos bancos anunciar uma emissão com garantia do Estado, explicou o mesmo analista, notando que assim não deverá haver "alvoroço" quando um deles emitir esse tipo de dívida.

"Os bancos que não disserem nada agora [sobre a intenção de utilização das garantias] não devem ser apontados por isso", acrescentou Cristina Casalinho, notando que aqueles que informaram o mercado são os cotados.

A portaria com a regulamentação das condições de acesso à garantia foi publicada quinta-feira e entrou hoje em vigor.

Um outro analista considera que este anúncio público feito pelos maiores bancos portugueses privados foi a "confirmação do óbvio", já que muito provavelmente todos os bancos terão que fazer este tipo de emissões (com aval do Estado).

Esta regulamentação da garantia "é para pôr o mercado de financiamento lentamente a funcionar", disse esse analista.

Cristina Casalinho é da mesma opinião: "Se a situação de mantiver como até agora, os bancos vão mesmo ter que recorrer" à garantia, pelo que é normal que venham agora admitir que podem ter que a utilizar no futuro.

Na actual situação de instabilidade, "faz sentido que os bancos estejam disponíveis para a utilizarem", acrescentou a economista-chefe do BPI, sobretudo numa altura em que os outros bancos europeus já estão também a poder beneficiar desse tipo de garantias.

Segundo os especialistas, como não se sabe como vai evoluir o mercado financeiro e como as emissões bancárias estão praticamente paradas, quase sem procura, é normal que antes de terminarem os financiamentos de prazos mais longos, que estão em curso, os bancos venham dizer que podem vir a utilizar a garantia dada pelo Estado.



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