Terça-Feira, 16 Março 2010 - 10:11 (Açores 09:11)
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É portuguesa a Professora do Ano na Austrália
Algumas vezes penso o que seria a nossa vida se não tivéssemos saído do Minho”, questiona, na entrevista que deu a O Emigrante/Mundo Português». Natural de São Romão da Ucha, concelho de Barcelos, Rosinda Seara vive há 31 anos na Austrália e passou os últimos 21 anos a leccionar História e Geografia. “Saí de Portugal no dia 25 de Dezembro de 1963, com a minha mãe e os meus irmãos para ir ter com o meu pai, a Moçambique”, recorda. A família ainda viveu por dez anos no Zimbabué antes de seguir para a Austrália. Rosinda Seara tinha 18 anos, era fluente em português e inglês, acabara de concluir o liceu e foi na Austrália que tirou o bacharelato em Ciências Sociais, completado com um ano de especialização em ensino. Mais do que uma professora… Rosinda Seara lecciona na Hamilton Senior High School, onde ensina História e Geografia a alunos dos 11º e 12º anos, sendo ainda encarregada do departamento de Ciências Sociais. No ano lectivo que terminou este mês, teve 40 alunos, nas duas disciplinas, alguns deles portugueses ou luso-descendentes, entre os quais a filha mais nova. “A escola tem muitos estudantes de ascendência portuguesa. Pelos meus cálculos, cinco por cento dos alunos que presentemente andam na Hamilton Senior High School são portugueses ou filhos de portugueses”, revela a professora, que assegura conhecer todos e falar com eles “quase todas as semanas”. “Na minha classe de Historia do 12º ano, três alunos eram portugueses, na do 11º ano tinha um aluno português., mas esta percentagem muda todos os anos, em alguns temos mais portugueses”, acrescenta Rosinda, revelando que a relação com estes alunos ultrapassa as suas funções de professora. Isto porque não é raro que estes alunos e principalmente os pais a procurem a pedir ajuda “para traduzir documentos, dar informações sobre procedimentos da escola e até para servir de intérprete”, explica. «Apaixonada» pelo ensino Assumidamente “apaixonada” pelo seu trabalho, Rosinda Seara é conhecida pelos colegas e pelos alunos como uma professora que «vê» os alunos para além das barreiras sociais, sejam de género, de classe ou raciais, existentes ao redor da escola, que está implantada numa zona pobre da cidade de Hamilton Hill. “Custa-me a discriminação baseada nas classes sociais. Na minha família, somos 36 primos e apenas eu e a minha irmã fomos para a universidade, porque aqui não há aquelas barreiras, existentes ainda em muitos países”, lamenta, sublinhando que apesar de estar localizada numa área considerada pobre, na escola onde lecciona, “qualquer jovem que queira estudar, consegue”. “Eu só tenho que os ajudar e tratá-los com respeito para que eles me respeitem também”, assegura. O interesse pelos «seus miúdos» ultrapassa os muros da escola e a ligação afectiva com os alunos não é fruto apenas do que ensina nas salas de aula. No dia em que falou com «O Emigrante/Mundo Português», Rosinda recebeu de uma aluna um aprenda e um ramo de flores. “Esse é um reconhecimento que muito me alegra”, sublinha a professora, que a cada ano lectivo novo, uma das primeiras iniciativas é dar aos seus aluno o número do seu telemóvel, para que estas a contactem “sempre que precisarem”. “Ainda no ano lectivo anterior, uma aluna portuguesa telefonou-me para me contar que tinha passado de ano”, recorda. Para Rosinda essa é uma prova de que consegue manter com os seus estudantes, uma relação que ultrapassa a sala de aulas. A professora portuguesa, que acredita que o ensino não deva ficar confinado ao edifício escolar, é conhecida pelas aulas «práticas» que dá aos seus alunos. As visitas a museus, instituições da administração pública e até mesmo quintas agrícolas, são comuns e encaradas como trabalho de campo. Uma forma, destaca ainda, de despertar um maior interesse dos alunos pelo tema que estiver a ensinar. No ano lectivo que agora acabou, forma 18 as excursões a que levou os «seus miúdos». E «levar» é literalmente a palavra certa: com um orçamento que não permite a contratação de um motorista, é Rosinda Seara quem conduz o autocarro da escola. “Sou eu que levo os meus alunos, vamos conhecer as instituições públicas, os monumentos, mesmo aos fins-de-semana”, destaca a professora, que este mês tinha ainda agendada uma excursão de cinco dias, com os alunos da disciplina de História, a Perth, cidade sede do estado da Austrália Ocidental. Prémio foi uma “surpresa” O prémio «Professora do Ano» do estado da Austrália Ocidental, entregue no passado dia 8 de Dezembro, pelo Premier (o governante máximo a nível estadual) Colin Barnett foi uma “autêntica surpresa” para Rosinda Seara que não estava à espera de ser a escolhida, entre os 170 professores daquela região da Austrália, nomeados para galardão. Sabe agora que foi a vencedora porque “a equipa responsável pelo processo de atribuição ficou admirada com a minha relação com os alunos, porque «puxo» por todos de igual maneira, não interessa de onde venham, de que classe social sejam ou a que raça pertençam”. Para a atribuição do galardão terá ainda contribuído o convite feito este ano pelo Ministério da Educação australiano, para liderar o grupo de estudantes, premiado com uma viagem à Europa no âmbito de uma competição realizada a nível nacional. Com o apoio de outros professores, Rosinda Seara acompanhou 12 estudantes, com idades entre os 13 e os 16 anos, num percurso educacional por França e Bélgica. Uma viagem que vai voltar a fazer em 2009, já que o convite foi renovado, e aceite. Ano sabático A viagem de estudos à Europa deverá ser a uma actividade como professora que Rosinda pretende realizar em 2009. “Para o ano, não vou ensinar”, revela, para explicar que esta foi uma decisão tomada há cinco anos, quando percebeu que “precisava descansar”. “Quero ir estudar, passear pela Europa, fazer coisas na minha casa que até hoje não tive tempo nem oportunidade de fazer”, destaca. Pretende também vir a Portugal, onde já esteve por seis vezes, e orgulha-se de conhecer o seu país “de Norte a Sul”. Consciente de que vai sentir a falta dos seus alunos e da rotina que mantém há mais de 20 anos, Rosinda Seara sabe que não vai conseguir “passar um ano sem ir à escola”. E assegura que não pretende deixar de leccionar tão cedo. “Tenho gosto e orgulho no que faço e estou sempre pronta para ir dar aulas. Vou com enorme alegria porque sei que estou lá para ensinar”… A.G.P. |
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