Terça-Feira, 16 Março 2010 - 09:59 (Açores 08:59)
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A história de um português da Lousã na revolução cubana
Adelino Mendes nasceu na Serra da Lousã. Em 1936, integrou a Revolta dos Marinheiros contra Salazar, em Lisboa. Poucos anos mais tarde, durante a II Guerra Mundial, refugiou-se em Cuba. Na ilha das Caraíbas restabeleceu a sua vida, arranjou trabalho, casou, teve filhos e... integrou o Exército Revolucionário de Fidel Castro na sua luta contra o ditador Fulgêncio Baptista. Em 1959, a título póstumo, foi condecorado com a medalha de Combatente da Luta Clandestina.
O português Adelino Mendes, filho de humildes camponeses da Serra da Lousã, foi parte activa da Revolução Cubana do final de 1958 e princípio de 1959, tendo sido mesmo condecorado postumamente por Fidel Castro. Na celebração dos 50 anos da revolução cubana, contamos a história deste português revolucionário, conforme é recordada pela história e pelo seu filho Ismael. Adelino Mendes, que apascentara ovelhas e cabras antes de ingressar na Armada, integrou em 1936 a Revolta dos Marinheiros contra Salazar, em Lisboa. Mais tarde, durante a II Guerra Mundial, refugiou-se em Cuba. Em 1941 juntou-se aos comunistas do Partido Socialista Popular – marxista-leninista –, e veio a participar activamente na Revolução Cubana. Em 1959, rejubilou com a entrada do Exército Rebelde em Havana, após ter integrado a rede clandestina de apoio à insurreição da Sierra Maestra, comandada por Fidel Castro, Che Guevara, Camilo Cienfuegos e Raul Castro. Vinte anos mais tarde, no vigésimo aniversário do triunfo da Revolução, o líder cubano Fidel Castro distinguiu o português Adelino Mendes, a título póstumo, com a medalha de Combatente da Luta Clandestina. Uma vida em Cuba Depois da Revolução, Adelino trabalhou no Ministério do In-terior de Cuba, e casou com a costureira havanesa Maria del Cármen Boulet Rovira. À filha mais velha, Adelino deu o nome de uma vizinha por quem nutriu especial simpatia, Arminda. Ao segundo filho cha-mou Ismael, em homenagem ao seu companheiro Ismael Fernan-des ‘Leiteiro’, morto na Revolta dos Marinheiros. À filha mais no-va chamou Lusitânia, em exalta-ção à pátria onde sonhava re-gressar até 1975, ano em que morreu, de ataque cardíaco, em Havana. Nos últimos anos, os descendentes cubanos do revolucio-nário da Serra da Lousã adqui-riram a nacionalidade portuguesa. Vários netos e bisnetos de Adelino têm vindo mesmo a fi-xar-se em Portugal e em Espa-nha. Dos três filhos, no entanto, Ismael é o único ainda vivo. E é ele quem melhor recorda a vida cubana do pai Adelino. Memórias do pai revolucionário Adolescente quando as tropas revolucionárias entraram na capital de Cuba, Ismael fez à Agência Lusa um relato emotivo dos acontecimentos político-militares que marcaram para sempre a vida da família. Exilado em Cuba desde 1941, Adelino Mendes ganhava a vida a produzir ‘tamales’ (comida popular de Cuba, à base de milho moído e carne de porco, embrulhada nas folhas do próprio cereal), tendo chegado a vendê-los ao Colégio de Belém, a instituição religiosa on-de Fidel Castro estudou antes de ingressar na Faculdade de Direito. Anos mais tarde, Adelino estaria ao lado do mesmo Fidel, lu-tando contra a ditadura de Ful-gêncio Baptista. Em casa dos Mendes, em Marianao, reuniam-se com fre-quência cúpulas do movimento revolucionário, e reproduzia-se propaganda clandestina. O dia da Revolução “Em meados de Dezembro de 1958, a família estava perfeitamente a par da situação política que se vivia em Cuba, graças à informação da Rádio Rebelde (que emitia da Sierra Maestra, sob a direcção de Carlos Franqui, que mais tarde se exilou, rompendo com Fidel), que sintonizávamos em casa”, contou Ismael Mendes. Na madrugada de 1 de Ja-neiro, a sua família soube da fuga de Fulgêncio Baptista, “de avião, para São Domingo”. A chegada dos “barbudos” Para Ismael Mendes, foi o “alto nível combativo” que o líder da Revolução e os seus companheiros da Sierra Maestra – onde começou a luta armada, em 1956 – conseguiram imprimir ao Exército Rebelde que asse-gurou a derrota das tropas do ditador. O filho de Adelino Mendes recorda também “a entrada dos barbudos em Havana, o que confirmou o triunfo da Revolu-ção”, a 8 de Janeiro de 1959, há 50 anos. Nesse dia, “toda a família Mendes assistiu e ouviu o histórico discurso de Fidel Castro”. |
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