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Cavaco defende na abertura do SISAB que exportação é a única saída para a crise

Segunda-Feira, 09 Fevereiro de 2009

O Presidente da República voltou a alertar para a importância do sector da exportação em Portugal, defendendo que "é praticamente a única via" que o país dispõe para "conseguir combater o crescimento explosivo da dívida externa" e defender "o emprego dos trabalhadores portugueses".
Cavaco Silva falava aos jornalistas no fim da visita que realizou à XIV edição do Salão Internacional do Vinho, Pescado e Agro-Alimentar (SISAB), certame que o Chefe de Estado inaugurou, no dia 9 deste mês, na presença dos inúmeros compradores internacionais que se encontraram com as cerca de quatro centenas de empresas portuguesas que este ano marcaram presença no certame.
"Vim hoje aqui para apoiar o sector exportador português, em particular a exportação de produtos agro-alimentares", sublinhou o Presidente da República na abertura do certame que voltou a encher o Pavilhão Atlântico, sendo já considerado a maior feira internacional organizada em Portugal para a promoção externa dos produtos agro-alimentares portugueses.
Recorde-se que o Presidente da República concedeu este ano o seu Alto Patrocínio ao evento numa demonstração do seu reconhecimento, mas também da importância estratégica que tem a exportação para Portugal.
Considerando que o SISAB é um certame "que vai ajudar a exportar mais produtos agro-alimentares", Cavaco Silva lembrou que a ideia de que os produtos agro-alimentares "são pouco importantes na exportação", não está correcta. "Eles representam cerca de dez por cento da exportação total portuguesa e têm vindo a crescer a um ritmo muito acentuado" sublinhou para acrescentar que "todos aqueles que estão hoje aqui presentes merecem da minha parte uma palavra de muito apreço".

Empresários na Diáspora são importantes para o sector


Cavaco Silva alertou para a falta de compreensão de alguns analistas para o problema dos bancos em Portugal terem, actualmente, "poucos fundos para emprestar às empresas". "A razão está no desequilíbrio das nossas contas externas e na dificuldade em conseguir o respectivo financiamento", afirmou o Presidente para acrescentar que, por esse motivo, a maioria dos economistas aponta a dinamização dos sectores exportadores como a solução para o problema português, e não a "produção de bens e serviços que não são comercializados no exterior".
"É essa a razão que estou aqui a apoiar o sector exportador português. Porque sei que sem ele nós não temos a mínima hipótese, nem este ano, nem no próximo, de nos voltarmos a aproximar dos níveis de desenvolvimento dos países da União Europeia", alertou.
Nesse aspecto, enfatizou o papel que "pode ser desempenhado pelos emigrantes na resolução dos problemas portugueses" e referiu-se ao certame que, recordou, "começou virado para os mercados das comunidades portuguesas", como uma mostra que exemplifica o potencial dos empresários portugueses radicados no estrangeiro.
"Os emigrantes portugueses podem contribuir para a penetração dos produtos portugueses no estrangeiro", considerou o Chefe de Estado, sublinhando que há hoje "uma relação clara entre os contributos que os emigrantes podem dar ao nosso país, e as dificuldades que nós enfrentamos".
Entretanto, considerou que convém ter presente uma segunda razão para Portugal «apostar» no potencial dos empresários das comunidades, mas que "ainda poucos analistas a entenderam": "quanto menores forem as remessas dos emigrantes para Portugal e quanto menor for o seu investimento no país, menos crédito terão os bancos para poderem conceder às empresas".
Questionado se as políticas que têm sido seguidas em Portugal nos últimos anos favorecem o desenvolvimento do sector agro-alimentar, Cavaco Silva escusou-se a falar em "políticas concretas", mas sublinhou que é preciso reforçar "cada vez mais" os laços entre os portugueses que estão no estrangeiro e os que residem em Portugal, porque "só assim haverá negócios em língua portuguesa". "É por isso, todo o empenho que tenho colocado na ligação destes 240 milhões de falantes portugueses e a nossa terra", finalizou.


A.G.P.



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