Terça-Feira, 16 Março 2010 - 20:38 (Açores 19:38)
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Pascoal Marques inspira-se nos navegadores portugueses para criar moda em França
Pascoal Marques teve, desde sempre, uma relação com a moda, pelo facto da mãe ter estado ligada durante muitos anos à confecção de acessórios e vestuário. E lembra-se que, desde a adolescência, planeava criar, após a formação académica, um negócio com “potencial de crescimento económico a nível internacional”. Um projecto ambicioso a que começou a dar forma aos 22 anos, quando ainda estava a tirar a licenciatura na Euromed Marseille, considerada uma das melhores escolas de Gestão de França. Resolveu juntar a moda a um “universo de valores” que fosse ao mesmo tempo genuinamente português e universal. “Veio-me à ideia «o espírito dos navegadores» que se destaca pelo empreendedorismo, inovação, gosto pelos novos desafios”, revelou ao Mundo Português, acrescentando que estes valores genuinamente portugueses, tornaram-se universais “graças às proezas dos grandes navegadores portugueses”. Foi o início do projecto «Golden Navigators», que oito anos depois traduziu-se numa linha topo de gama de camisas para homem, composta por modelos desportivos e de ocasião e inspirada nos navegadores portugueses. Lançada no mercado há cerca de um ano para a estação Primavera/Verão, a primeira colecção demorou oito anos a concretizar-se, por opção do seu criador. Pascoal Marques deu prioridade à sua formação académica, licenciou-se, fez dois mestrados e está a concluir o terceiro, todos nas áreas de gestão, investigação e gestão empresarial e e-business. Revela ainda que precisou de alguns anos para ganhar capacidade financeira que permitisse dar sustentabilidade ao seu negócio. “É uma actividade que implica meios financeiros relativamente significativos, pelo menos para mim”, destaca o estilista que lamenta não ter obtido nenhum apoio financeiro estatal francês, apesar de ter concorrido. Colecção on-line A família e os amigos foram os primeiros a «investir» nas criações de Pascoal Marques, através da compra de algumas peças e da divulgação da marca junto dos conhecidos. Quase simultaneamente, Pascoal Marques apostou na venda on-line com a abertura de um site na internet que, de acordo com o empresário, “permitiu dar a conhecer imediatamente os modelos ao grande público graças à interactividade da loja”. O passo seguinte foi a abertura de uma loja, que surgiu da necessidade para receber fornecedores, alguns clientes particulares e profissionais e jornalistas. A loja está implantada num espaço remodelado, que já servia de atelier, em Maisons-Alfort, arredores de Paris. Desde Dezembro do ano passado, as criações do luso-descendente são também comercializadas em lojas multimarca em Paris, nomeadamente em Marais (o bairro dos jovens criadores de moda) e em Saint-Maurice (nos arredores da cidade). Proximamente, Pascoal Marques deverá alargar a rede de lojas multimarca, tanto em Paris como nos arredores da capital francesa. O espírito empreendedor valeu-lhe a inclusão da lista de candidatos ao Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa de 2008, lançado pela COTEC Portugal com alto patrocínio do Presidente da Republica. A referência à sua candidatura sublinha que o criador e empresário “revela uma atitude empreendedora, tendo criado a sua própria empresa e registado a marca de roupa de pronto-a-vestir de luxo centrada em valores da cultura portuguesa”. Os navegadores como inspiração Pascoal Marques define os seus clientes como “pessoas que gostam de se destacar com peças de vanguarda de grande qualidade e criativas”. Sobre o seu estilo, diz que segue um “padrão definido”, sempre baseado no espírito dos navegadores portugueses. Um “toque português”, acrescenta, que aplica a todo o processo criativo, desde os esboços, às cores, aos tecidos, às técnicas de tecelagem e até ao corte. “A tecelagem em twill permite criar linhas em relevo nos tecidos que traduzem as ondas e as diferentes marés. As cores, claras ou escuras, aliadas ao desenho da tecelagem reforçam o «espírito» de uma maré baixa ou alta. O azul e o branco traduzem o mar e o céu elementos a partir dos quais os navegadores se orientavam”, revela, referindo ainda que as cores vivas traduzem o dinamismo e a alegria de viver dos povos latinos da Europa do Sul e nomeadamente dos portugueses. Aplica ainda outros desenhos nos tecidos que escolhe, como um encaixe de rectângulos multicores que pretende traduzem a forma geográfica de Portugal. Pascoal Marques diz que a qualidade dos materiais que usa é consequência da “vontade constante de fazer sempre melhor” e pretende que as linhas jovens e modernas das camisas que cria traduzam “o dinamismo” dos navegadores portugueses. Até agora, a marca «Golden Navigators» está associada exclusivamente a uma linha de camisas masculinas e apesar de não colocar de parte a criação futura de outras peças, Pascoal Marques explica que a implementação de uma marca “topo de gama/luxo intermédio” no mercado, “demora o seu tempo”. “Foi fundamental iniciar a actividade com humildade, persistência e seriedade para vir a ter perspectivas de um crescimento sustentado”, sublinha, mas revela que a médio prazo, espero poder alargar a gama a outros artigos. “Já estou actualmente a elaborar protótipos de modelos de vestuário e acessórios para alargar a minha oferta para o homem no momento oportuno”, acrescenta. Para já, aponta baterias para a colecção Primavera/Verão 2009, com as novidades concentradas sobretudo no desenho dos tecidos, nas técnicas de tecelagem e nos cortes dos modelos. Pascoal Marques destaca, entre outros, os cortes redondos que têm por simbologia a volta ao mundo dos navegadores - “há um ponto no oeste de cada redondo que representa Portugal, o ponto de partida e o ponto de chegada de navegadores”-, e ainda noutro modelo, os «dobrados» verticais na frente da camisa “que traduzem as ondas e as marés” e que, quando levantados “desvendam um outro desenho”. A distribuição da colecção será feita pelas lojas multimarcas em Paris e arredores e através do site da «Golden Navigators» na internet, para o resto do território francês, além de Portugal, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, Reino-Unido, Espanha, Itália, Canadá e Estados Unidos, informa o estilista. Mercado Português é apetecível Pascoal Marques nasceu em Champigny-sur-Marne, nos arredores de Paris, cidade que abriga uma grande comunidade portuguesa. Os pais são naturais do concelho de Pombal e Portugal esteve sempre presente na vida do estilista e empresário, que desde a infância costuma vir duas vezes por ano ao país que considera como seu. “Por mais que tivesse nascido em França, considero Portugal como a minha terra”, frisa. “Sou a quarta geração a viver em França - pois um dos meus bisavôs já se tinha instalado no sul do país em 1916 - e a primeira a ter nascido neste país. Esse meu bisavô viveu durante vários períodos, em França e esteve também no Brasil. Mais tarde, os meus avós instalaram-se em Paris, essencialmente por motivos políticos, e pouco tempo depois trouxeram as suas esposas e filhos entre os quais os meus pais, que eram adolescentes. Portanto, somos uma família de «expatriados», que há quatro gerações vive a sua vida entre Pombal e a França”, resume. Além das ligações afectivas, vê em Portugal um mercado apetecível, com perspectivas de negócios “bastantes altas”, que pretende concretizar a médio prazo. “Espero num futuro próximo que a minha carreira profissional passe por Portugal, algo que não foi feito até agora por falta de oportunidades”, explica. Para já, as colecções de Pascoal Marques chegam a Portugal através da loja digital na Internet. “Os clientes dispõe de uma loja com uma versão portuguesa na qual podem visualizar de maneira pormenorizada cada modelo”, destaca, acrescentando que o site disponibiliza ainda informações sobre os preços, formas de pagamento e de entrega. O próximo passo do luso-descendente será distribuir a «Golden Navigators», a partir de Setembro deste ano, em lojas de pronto-a-vestir topo de gama/luxo intermédio. As prioridades, revela, são as cidades de Leiria, Coimbra e Lisboa. A.G.P. |
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