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RegionalTransmontanos continuam a perder linhas de comboioTerça-Feira, 31 Março de 2009
De Vila Real a Bragança, o único meio de transporte que continua a rodar sobre carris é o Metro de Mirandela, numa extensão de apenas 15 quilómetros, entre Mirandela e o Cachão. A linha do Douro, a sul dos dois distritos, é actualmente a única possibilidade de apanhar o comboio, mas distante para a maior parte dos residentes e tem como destino o litoral, no Porto, não permitindo viajar dentro da região. Há pouco mais de 20 anos, os habitantes de Trás-os-Montes podiam deslocar-se por toda a região de comboio, seguindo as linhas do Sabor, do Tua e do Corgo, que ramificavam da linha do Douro e serpenteavam pelos rios que as baptizaram, em direcção a Norte. Os últimos 26 dos 97 quilómetros da Linha do Corgo, estão desactivados desde agora, entre a Régua e Vila Real, com a Refer a alegar que se trata de uma “suspensão provisória”, sem avançar datas para retomar a circulação. A linha do Corgo chegou até Chaves, mas nunca cumpriu o propósito inicial de alcançar à fronteira com a Galiza e em 1990 perdeu a circulação na maior parte da sua extensão, 51 quilómetros. Pouco antes, no final da década de 80, encerrou em toda a extensão de 105 quilómetros, a Linha do Sabor, que devia ter ligado a linha do Douro, no Pocinho, a Miranda do Douro, mas nunca chegou à terra dos pauliteiros, ficando-se por Duas Igrejas. “A noite do roubo” é como ficou registada a inusitada partida do comboio de Bragança por estrada, carregado em camiões, quando em 1992 foi desactivada a linha do Tua, entre a capital de distrito e Mirandela. Dos 134 quilómetros, restaram menos de 60, entre Mirandela e o Tua. Os autocarros alternativos ao serviço da CP diponibilizados como compensação pela perda do comboio, circularam poucos anos. O único transporte público para a esmagadoria maioria são as carreiras carreiras comerciais de autocarros. No distrito de Bragança já poucos se lembravam do comboio quando ao início da noite de 12 de Fevereiro de 2007 chegou a notícia de um acidente na linha do Tua. Em 120 anos de história desta ferrovia, não há registo de uma tragédia idêntica com três mortos e dois feridos. Foi o primeiro de uma sucessão de quatro acidentes, com outras tantas vítimas mortais, que em Agosto e 2008 ditaram a suspensão da circulação, que se manterá até se saber se será construída a barragem que ameaça “afogar” o que resta da linha. Embora nunca tenha conseguido alcançar a fronteira a norte, foi do lado espanhol que chegou o prenúncio de “morte” do caminho-de-ferro que no início do século XX rasgou fragas e montes transmontanos. Em 1985, as autoridades espanholas decidiram encerrar as estações da província de Salamanca que ligavam à linha portuguesa do Douro, e Portugal seguiu-lhe o exemplo três anos mais tarde, encerrando o troço de 28 quilómetros entre Barca D’Alva e Pocinho. Encerramento de Côrgo e Tâmega A Linha do Corgo e a Linha do Tâmega foram “provisoriamente encerradas para que sejam realizadas as obras necessárias”, acrescentou o ministro dos Assuntos Parlamentares. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, afirmou que o encerramento das linhas ferroviárias do Corgo e do Tâmega é provisório e motivado por “questões de segurança” que obrigam à realização de obras. Instado pelo PCP, BE e “Os Verdes” no Parlamento a dar explicações sobre o encerramento das duas linhas ferroviárias agora anunciado pela CP, Augusto Santos Silva respondeu que o Governo tem como política “não ter nenhuma hesitação quando se colocam questões de segurança”. A questão foi levantada pelo deputado do PCP Bruno Dias, durante um debate de actualidade sobre investimentos públicos, em particular a rede ferroviária de alta velocidade, marcado pelo PSD. Bruno Dias acusou a Comboios de Portugal (CP), a Rede Ferroviária Nacional (REFER) e o Governo de terem encerrado as duas linhas “pela calada da noite” e apontou a decisão como prova de que o Governo não tem estratégia para as obras públicas e para os transportes públicos. A deputada do BE Helena Pinto também se referiu ao encerramento das linhas, questionando “como é possível, em democracia, no século XXI, o Governo fechar duas linhas às escondidas das populações e dos autarcas, sem explicar porquê”. O actual e os anteriores governos desactivaram 300 quilómetros da rede ferroviária convencional desde os anos 90. Registe-se que estas linhas, pela sua beleza; podiam ser aproveitadas para o turismo ferroviário, caso Portugal aposta-se nesse segmento de negócio. |
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