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Canadá: Literatura e azulejaria portuguesa são arte em rua de Montreal

Segunda-Feira, 27 Abril de 2009
A centenária alameda de Saint-Laurent, a zona portuguesa de Montreal, no Canadá, tem agora um conjunto de doze novos bancos em granito que fazem um trajecto pela literatura portuguesa e expõem pinturas originais em azulejo de artistas plásticos lusos. A inauguração foi feita no dia 25 de Abril, com cravos vermelhos em vez do tradicional corta-fitas, numa alusão à Revolução de 1974.

Instalados ao longo de quase um quilómetro, os bancos estão «decorados» com frases célebres, inscritas em português e em francês no rebordo dos bancos. As frases da dúzia de poetas e escritores portugueses escolhidos, fazem um percurso histórico pela literatura portuguesa desde o século XIII ao nossos dias, iniciando-se por D. Dinis, seguido de Gil Vicente, Luís Vaz de Camões, Padre António Vieira, Bocage, Eça de Queirós e Antero de Quental.
Fernando Pessoa faz a transição para o século XX, a que se juntam Miguel Torga, Natália Correia, José Saramago e António Lobo Antunes. Os escritos são o mote para a criação de pinturas em azulejo que os acompanham, a cargo de quatro artistas plásticos de origem portuguesa a viver no Canadá - Carlos Calado, Joe Lima, Joseph Branco e Miguel Rebelo.
Em declarações à Agência Lusa dias antes da inauguração, Gérald Tremblay, presidente da Câmara de Montreal, salientava que aquele mobiliário urbano “exemplifica a riqueza da comunidade portuguesa em Montreal”. O autarca, que não pode estar presente no dia 25 de Abril devido ao falecimento da mãe, referiu antecipadamente que “ao longo das últimas cinco décadas, os portugueses residentes em Montreal criaram um grande e próspera sociedade, com organizações, empresas, comunidade, escolas e serviços de informação. Este esforço tem exigido grande coragem e determinação e contribuiu significativamente para a vitalidade da nossa metrópole multifacetada”.
O evento foi para o novo embaixador de Portugal no Canadá, o primeiro contacto com a comunidade portuguesa na região do Quebeque e enquadrou-se numa visita de quatro dias de trabalho à província. Pedro Moitinho de Almeida classificou o projecto como “um exemplo excepcional de multiculturalismo” e “mais um reconhecimento que a comunidade tem no Quebeque”.
A vereadora portuguesa Isabel dos Santos, defensora e responsável pela coordenação do projecto, lembrou que se concluem agora três anos de trabalho, já que em Fevereiro de 2006, apresentou uma moção ao executivo do bairro do Plateau Mont-Royal para a criação do bairro português, obtendo um voto favorável por unanimidade.
Isabel dos Santos, defendeu, em entrevista à Lusa, a necessidade de reforçar o reconhecimento do contributo e da presença da imigração portuguesa. Autarca pelo bairro do Plateau-Montreal, onde se inclui a zona mais portuguesa na cidade, Isabel dos Santos diz que mais do que um projecto de delimitação física de um bairro, o plano dá um “toque” ou uma “assinatura portuguesa” numa área reconhecida como a de maior influência de portugueses na cidade francófona. “Para mim, a concretização deste projecto é um símbolo que marca a presença portuguesa em Montreal à imagem do que a comunidade aqui é: aberta, acolhedora e integrada na sociedade. Por isso não há portas nem fronteiras”, aludiu.
A Câmara de Montreal investiu cerca de 200 mil dólares canadianos (130 mil euros) nos bancos, no quadro do plano geral de requalificação urbanística da centenária alameda de Saint-Laurent, num investimento total de 36 milhões de dólares (22,4 milhões de euros).
De Portugal, o projecto contou somente com o apoio do Instituto Camões, por intervenção do cônsul de Portugal em Montreal, no sentido de desbloquear os direitos de autor para a utilização e inserção das doze frases dos escritores gravadas nos bancos.
Questionada pela Lusa se considera que é um ponto final no projecto há tanto ambicionado pela comunidade, Isabel dos Santos referiu que “um bairro é uma coisa viva”, manifestando-se disponível para colaborar noutros projectos. De resto, expressou, quanto a assinalar a presença portuguesa em Montreal, “gostaria imenso que se fizesse mais uma marca, na zona do Vieux Duluth, pois foi uma área muito marcada pela imigração portuguesa”.



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