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Estados Unidos: APPEUC realiza encontro com formação de professores na agenda

Segunda-Feira, 29 Junho de 2009
A Associação de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá (APPEUC) realiza entre 10 e 17 de deste mês, o XVII Encontro de Professores de Português, que inclui a realização de acções de formação na escola de língua portuguesa do Clube Português Vasco da Gama de Hamilton, Bermuda. Em causa está o ensino do português como segunda língua nas escolas do ensino oficial nos Estados Unidos e Canadá.

Os professores, cuja maioria lecciona o português tanto nas escolas americanas como nas associações portuguesas, vão ainda realizar duas sessões de trabalho durante a viagem de navio entre Boston e Bermuda. “O português tem que ser cada vez mais ensinado como língua estrangeira, pois os pais já quase não falam a língua em casa, com os filhos”, alertou Dinis Borges, presidente da APPEUC, contactado pelo Emigrante/Mundo Português.
O professor considera “magnífico” o trabalho realizado pelas escolas comunitárias, instaladas nas associações portuguesas, mas acredita que no futuro o ensino da língua portuguesa tem que passar pelas escolas americanas, acrescentando que o número de alunos tem decrescido nas escolas do movimento associativo.
“A nível do oficial americano, sempre que se cria o curso (de língua portuguesa) aumenta o número de alunos. Cursos que começam com 20 alunos, têm aumentado para 80”, revela, explicando que o facto das escolas comunitárias funcionarem à noite, é um factor de afastamento dos alunos.
Os professores precisam de formação para ensinar o português como língua estrangeira nas escolas americanas, nomeadamente “metodologia e técnicas de ensino”, diz o presidente da APPEUC, acrescentando ser esse o principal tema do Encontro, cujo programa vai privilegiar a realização de acções de formação. “Os professores inseridos no ensino oficial americano têm que ensinar os que estão ligados ao movimento associativo”, defende, acrescentando que em todos os work-shops realizados pela APPEUC, trabalham com “pessoas que estão inseridas nas comunidades”.
Professor no estrangeiro há 17 anos, Dinis Borges defende que o caminho para o ensino do português no sistema oficial americano, passa por um destaque das actividades lúdicas. “Não podemos estar somente a ensinar gramática e vocabulário, temos que «criar» com a língua, privilegiar a emoção”, explica o professor que defende que as aulas devem ser dadas em português, mas com o auxílio dos meios audiovisuais e da internet.
Entretanto, o responsável aponta a falta “de uma política de ensino por parte do Governo português”, como o maior problema enfrentado pelos professores nos Estados Unidos e no Canadá.
“Temos coordenadores mas continuamos sem ter uma política activa do Governo português para o ensino”, acusa o professor acrescentando que se Portugal “quer levar esta tarefa a bom porto”, deve “apostar com objectivos” que passariam, nomeadamente, pela formação contínua de docentes. “Pelo menos, cinco a seis acções por ano”, defende, acrescentando que é necessária uma “política de expansão da língua portuguesa nas escolas secundárias e nos liceus nos Estados Unidos”.
“Estamos a «competir» com o espanhol, é a segunda língua falada no país, onde há 50 milhões de hispânicos”, alerta, sublinhando que os jovens luso-descendentes “muitas vezes optam pelo espanhol como língua estrangeira” por não haver a oferta da língua portuguesa. “Na escola onde lecciono há pouco jovens descendentes decidirem-se pelo espanhol, cerca de 80 por cento optam pela língua portuguesa”, exemplifica.
O presidente da APPEUC acredita ainda que a falha dos sucessivos governos “nos últimos anos” tem sido a falta de investimento na abertura de novos cursos “particularmente onde há comunidades portuguesas”. “Temos que ter um plano mais agressivo”, referiu a O Emigrante/Mundo Português, acrescentando que no ensino oficial na Califórnia há apenas nove escolas onde se lecciona o português, apesar de existirem comunidades portuguesas importantes em cerca de 45 cidades daquele estado norte-americano. Um cenário que, afirma, repete-se no estado de Nova Jersey.
Dinis Borges considera ainda positiva a mudança de tutela do ensino básico e secundário no estrangeiro para o Instituto Camões (que tutelava apenas o ensino universitário), acrescentando que “é preferível que seja uma única entidade a coordenar todos os níveis de ensino” da língua portuguesa no estrangeiro.
“Sempre achei que estavamos a construir a casa pelo telhado ao investirmos mais no ensino universitário do que no básico e secundário”, finalizou.

Ana Grácio Pinto
apinto@mundoportugues.org




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