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A história de Avelino Costa: De cabreiro em Cerveira a dono de império no Brasil

  Para desgosto da família não quis ser padre nem militar. O seu gosto sempre foi o comércio e desde tenra idade que lhe brilhavam os olhos sempre que acompanhava o pai às feiras de gado onde começou a negociar “quase por brincadeira” mas com que afirmou a vocação que sempre sentiu pela arte de saber “comprar bem e vender melhor” que é afinal o grande código do comércio.
Os dezoito anos levaram-no para o Brasil onde mais do que fortuna fez amigos, uma família sólida e um grande grupo empresarial (PIF-PAF) chegando a ter sete mil empregados a trabalhar para si…

“QUANDO CONHECI Avelino Costa intuí, de imediato que estava diante de uma figura humana especial. Seu jeito simples e ameno não escondia uma personalidade forte, um temperamento determinado. Ao longo dos contactos que tivemos, empresariais e políticos, descobri em Avelino Costa uma história de vida fascinante. Já passado dos setenta, Avelino conserva a garra e o espírito jovem daquele menino que, no interior de Portugal, pastoreava as cabras na quinta da família, em Vila Nova de Cerveira, no Norte de nossa Pátria-Mãe.
Aos 18 anos o destimo impôs-lhe uma encruzilhada: permanecer ligado à terra, insuficiente para dar alimento à família crescente, ou enfrentar os desafios do mundo. Esse mesmo destino privilegiou o Brasil com a decisão do jovem português de adoptar nosso país como sua segunda pátria”.

Estas palavras de José Alencar Gomes da Silva, Vice-Presidente do Brasil inseridas como prefácio do livro da história de vida de Avelino Costa, são a melhor imagem da personalidade ímpar deste português que tanto se distinguiu no Brasil na área económica, política, social, mas principalmente na forma humana com que sempre encarou a vida e se relacionou com aqueles que tiveram o privilégio de com ele conviver.
Admite que nunca teve infância, pois desde cedo se dedicou voluntariamente ao trabalho da venda de animais e acompanhando o pai às feiras, por isso diz com graça que nunca aprendeu a dançar como os irmãos, porque nunca ia aos bailes na idade quando o podia ter feito. Com dez anos recorda-se de já ir à feira de Paredes de Coura com o seu próprio dinheiro negociar cabritos e carneiros onde era bastante conhecido e respeitado pelos negociantes.
Aos dezoito anos vai para o Brasil, chamado por um tio. Apenas três anos depois é nomeado gerente na loja onde o tio trabalhava há trinta e quatro anos.
Por aqui se pode ver a determinação com que chegou e a sua vocação para o comércio. Mas não foram fáceis as coisas à chegada, o salário mínimo que então ganhava era demasiado curto mesmo para a vida modesta que tinha. Então a solução foi arranjar um segundo emprego numa tinturaria como lavador de roupa. Começava às oito da manhã na loja de tecidos arte às seis da tarde e voltava a entrar às oito da noite na lavandaria onde ficava até por volta da uma da manhã. Isto permitia-lhe gastar um salário e conseguir guardar outro, assim se começam os impérios.
Mas Avelino Costa nunca esqueceu o sonho que o fez atravessar o Atlântico como ele próprio gosta de dizer. Aos 24 anos casou com D. Maria Adelaide sua mulher até hoje e segundo o próprio a mulher da sua vida, aquela portuguesinha que morava ao pé de si na Rua Bela, 837: “Sempre digo que ela apareceu para me perturbar e se tivesse de me casar hoje, casaria de novo com ela. Só não sei se ela casaria comigo. Adelaide é a mulher que Deus separou para mim. E Deus sempre me deu muito mais do que eu pedi”.
É precisamente com um cunhado que faz a primeira sociedade e abre uma loja de verduras em Madureira. Ao fim de um ano descobre que não é este o caminho e acha que a fortuna está noutro tipo de negócio – o comércio de aves. Vende a sua quota ao cunhado e compra um negócio de aves e distribuição de ovos. Naquela época pegava então às três da manhã com um triciclo carregado com seiscentas dúzias de ovos que distribuía até às seis e meia. A seguir abria a loja onde ficava atendendo os clientes e continuando a promover as suas vendas por telefone.

Finalmente a PIF PAF

1968 foi o ano que mudaria para sempre a vida de Avelino Costa. Apareceu a sua grande chance. Logo de imediato ele percebeu que estava ali o momento especial que iria mudar a sua história e nunca hesitou nem por um segundo. Uma empresa de nome PIF PAF estava à beira da falência. Tratava-se de uma matadouro de frangos no centro da cidade do Rio de Janeiro. Efectuada a compra transferiu a empresa em 1972 para a cidade Mineira de Visconde do Rio Branco conhecida pela fama de ter bons granjeiros.
De imediato com a marca veio a polémica com direito a intriga internacional e tudo, um concorrente tentou influenciar o sucesso que a Pif Paf estava a ter na exportação para o Médio Oriente com o argumento que a marca era conhecido por ser um jogo de cartas, o que é totalmente interdito nos países islâmicos. Avelino Costa não abdicou do nome que hoje no Brasil é uma das principais indústrias do sector alimentar, com mais de 40 anos de mercado e que está entre as maiores empresas alimentícias do país nos segmentos da avicultura e suinicultura. Tem uma produção mensal superior a 14 mil toneladas que são comercializadas no Brasil onde é actualmente o terceiro distribuidor de pizza refrigerada.

PIF PAF: Uma história de sucesso
Fundada em 1968 e em constante processo de expansão, a Pif Paf Alimentos é a maior empresa frigorífica mineira e uma das dez maiores do Brasil, actuando nos segmentos de avicultura e suinocultura. Com sede corporativa em Belo Horizonte e três unidades industriais, a Pif Paf gera aproximadamente 4 mil empregos directos e 8 mil indirectos, e conta ainda com cerca de 50 mil clientes em todo o País e no exterior. Mensalmente, a empresa comercializa algo em torno de 12 mil toneladas, sendo 55% de cortes de frango e 45% de suínos e produtos industrializados.
Actualmente, a produção da Pif Paf está concentrada em três municípios mineiros: Visconde do Rio Branco, onde fica localizada a sua unidade de abate e industrialização de aves; Viçosa, responsável pela industrialização de alimentos prontos, e Patrocínio, onde estão centralizados o abate e a industrialização de suínos. Além destas divisões, a empresa conta com seis fábricas de apoio: duas de ração, duas de produção de ovos e duas incubadoras.
O processo de formação e desenvolvimento da empresa começou em 1968, quando Avelino Costa, adquiriu, no Rio de Janeiro, o matadouro Pif Paf. Os primeiros passos em direção ao interior de Minas Gerais foram dados no ano seguinte, a partir de um acordo firmado com a Cooperativa Agro-Avícola de Viçosa para o fornecimento de aves. Mas foi em 1972, orientada pelo crescimento da clientela - incompatível com as modestas instalações - que a empresa se transferiu para Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata Mineira, de onde nunca mais viria a sair.
Com o nome Abatedouro Rio Branco Ltda., sua história na pacata cidade de Minas teve início com a construção de novas e modernas instalações, numa área de 4 mil metros quadrados e com um equipamento para abate e processamento de 1,2 mil aves/hora. Obviamente, isto representou desenvolvimento económico e social para a região que, em 1974, beneficiou ainda mais com a introdução do sistema de integração avícola.
A empresa foi uma das primeiras brasileiras do sector a adoptar a produção integrada na avicultura. Seu objectivo era consolidar e garantir o fornecimento da matéria-prima. Hoje, os produtores rurais que participam do sistema recebem da Pif Paf o animal ainda jovem, e o suporte técnico. A eles cabem os investimentos na infra-estrutura da fazenda e na mão-de-obra.
Foi em 1974 que aconteceu também a inauguração da primeira fábrica de ração e do primeiro incubatório da empresa, unidades essenciais para que o sistema de integração fosse efectivado. Mas para quem está entre as 10 maiores do Brasil, ainda há muito para contar no futuro.

José Manuel Duarte
jduarte@mundoportugues.org


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