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"Golpe fatal" põe ministro Manuel Pinho fora do Governo

Quinta-Feira, 02 Julho de 2009
Dois dedos na cabeça, em forma de chifres, apontados ao líder da bancada parlamentar comunista, Bernardino Soares, ditaram a saída do Governo do ministro da Economia, Manuel Pinho.

Questionado à saída do Parlamento sobre o incidente durante o debate do Estado da Nação, Manuel Pinho respondeu aos jornalistas que tinha, "absolutamente", condições para continuar no Governo.

Mas pouco depois foi noticiado que tinha pedido a demissão, que o primeiro-ministro aceitou. "Foi um golpe fatal para o senhor ministro da Economia. Preferia que isto não tivesse acontecido", disse José Sócrates. Já antes, após os protestos dos vários partidos, tinha pedido desculpas ao Parlamento pelo acto "injustificável" do ministro.

Manuel Pinho foi acumulando gaffes mediáticas na passagem pelo Governo, que chegaram a ser transformadas em diversão por humoristas nacionais.

Anunciou o fim da crise e um "ponto de viragem" na economia em Outubro de 2006; disse na China que a mão-de-obra em Portugal era barata, enquanto apelava ao investimento por parte do gigante asiático; e, mais recentemente, aconselhou o cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel, a comer "muita papa Maizena para chegar aos calcanhares do doutor Basílio Horta", presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal).

À frente da pasta da Economia, Manuel Pinho, um dos independentes do Governo de Sócrates, antes no grupo Espírito Santo, fez do sector das energias renováveis a sua grande aposta. Já Sócrates preferiu sublinhar o empenho do ministro das minas de Aljustrel, "para que uma empresa comprasse as minas, para que não fossem à falência".

Os partidos foram unânimes em saudar a demissão. Bernardino Soares (PCP), a quem os dedos simulando cornos foram dirigidos, falou em "desnorte do Governo". "Era a solução natural", disse Paulo Rangel (PSD). "Não tinha condições para o exercício do cargo", acrescentou Diogo Feio (CDS/PP). O incidente demonstra "a crispação do Governo particularmente depois dos resultados das eleições europeias", afirmou Luís Fazenda (BE).

O presidente da AICEP, Basílio Horta, desvalorizou a saída de Pinho, limitando-se a dizer que "a agência irá tratar com qualquer governante com a mesma lealdade, porque o seu papel é servir o Estado".

"A demissão era inevitável", lamentou Francisco van Zeller, presidente da Confederação das Indústrias Portuguesas (CIP), sublinhando que o trabalho de Pinho na Economia "deixou Portugal no mapa".

Na tutela da Economia ficará agora o ministro das Finanças, Teixeira Santos. Esta é a sexta alteração de ministros desde a tomada de posse do Governo.



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