O Emigrante / Mundo Português
Email: Password:
 
Primeira vez? Registe-se gratuitamente aqui.
Esqueceu-se da sua password? clique aqui.


Quarta-Feira, 08 Fevereiro 2012 - 22:31 (Açores 21:31)
Homepage
SECÇÕES

Lisboa
Clique aqui para saber a hora de outras cidades

newsletter
meteorologia
   

FRANCISCO BANDEIRA: "As remessas dos emigrantes foram decisivas na recuperação financeira e económica de Portugal"

Francisco  Bandeira, é Vice-Presidente do Grupo Caixa Geral de Depósitos, onde detém os pelouros da Área Comercial, Escritórios e Representação, Recursos Humanos e Apoio aos Serviços Sociais.
Em entrevista ao “Emigrante/Mundo Português” falou descomplexadamente do BPN à frente do qual se encontra a preparar a sua “devolução ao mercado”, abordou ainda os caminhos da internacionalização da CGD e por  fim enfatizou a importância que o mercado dos não residentes tem para a Caixa.

 

O ministro das Finanças disse recentemente que “O processo de privatização do BPN pode passar por desagregação de activos mas não necessariamente com a criação de um “Bad Bank”. O que significa concretamente esta afirmação?
O que está subjacente a essa ideia do senhor ministro das finanças é o facto do BPN ter um conjunto de activos (créditos) alguns deles de péssima qualidade, outros de má qualidade, outros de qualidade reduzida e outros ainda de qualidade. Ora a questão que com esta dispersão de qualidade e quando pensamos em vender verifica-se que alguns deles não são vendáveis. Daí a necessidade de criar um mecanismo que leve estes activos a tornarem-se mais atractivos em função das suas principais características para eventuais compradores do banco.
Na Europa hoje em dia está muito na moda a questão do “Bad Bank” em português um “mau banco”. Nós vamos vender um banco que como todos os outros têm activos bons, menos bons e maus. Infelizmente neste caso a percentagem dos maus é maior do que o habitual e portanto iremos elencar um conjunto desses “muito maus” e provavelmente fazê-los sair.

Como se vende um banco hoje em dia?
Há várias formas de vender um banco, mas vamos ser claros; o que nós estamos a fazer é privatizar um banco que pelas razões que são conhecidas houve necessidade de ser nacionalizado e agora importa devolvê-lo ao mercado. Ora isto é feito de acordo com a lei que prevê diversas formas; concurso público, concurso público restrito ou venda directa.
O que estivemos a fazer até agora foi um trabalho que permitisse tomar uma decisão e que finalmente foi tomada – devolver o banco ao mercado, e portanto a partir de agora será analisar o que a lei permite para determinar finalmente qual a melhor forma de colocar o BPN no mercado.

E como é que vai ser?
Isso é que eu não lhe posso dizer como é que vai ser porque eu próprio também não sei. A decisão foi anunciada pelo senhor ministro apenas ontem porque achou que era agora altura para o fazer. Eu próprio também sou um adepto da venda e o governo acolheu essa opinião e em boa hora o fez, do nosso ponto de vista.

Porquê a venda? O BPN não tem interesse para o Universo Caixa?
Terá sempre um interesse para a Caixa Geral de Depósitos, embora um interesse marginal. Aliás eu sempre disse que se o valor não chegar a determinado montante, a Caixa estará sempre interessada, porque uma coisa é certa o BPN terá de ser vendido, não será dado.
É bom que se diga que as pessoas do BPN são bons colaboradores, e souberam reagir aos momentos de adversidade positivamente do ponto de vista do seu desempenho profissional. Entendemos por isso que seria um activo a acolher pela Caixa, mas atendendo à posição da Caixa, à sobreposição de balcões, do nosso ponto de vista, o interesse é mais reduzido do que para terceiros e portanto se o interesse é mais reduzido o valor será sempre menor. Ora como a nossa função enquanto gestores do banco é fazer com que ele seja vendido pelo maior preço possível, para assim reduzir o prejuízo do estado nesta operação.

O estado vai ter prejuízo nesta operação?
Vai ter certamente, espero que seja o mínimo, muito menos do que se tem vindo a anunciar…

Mas o ministro das finanças garantiu que o Estado não vai despender nem um cêntimo com a situação do BPN…
O que o ministro disse não foi bem isso. O que disse foi que o Estado ainda não perdeu um cêntimo com o BPN… E não perdeu por uma razão simples, porque o Estado a única coisa que fez até este momento foi “confortar” a Caixa com um aval, para o apoio à liquidez do banco. Ora apoio à liquidez é uma coisa, apoio ao capital é outra, e nem o Estado nem a Caixa fizeram ainda nenhuma intervenção no capital do BPN.

O que dizer em termos de futuro aos actuais clientes do BPN?
O que dizer foi o que o senhor primeiro-ministro disse em entrevista ainda recente onde mais uma vez afirmou que os depósitos estão garantidos. Deixe-me que lhe diga até mais; a intervenção de nacionalização no BPN foi tendo em atenção os depósitos de mais de 250.000 clientes que assim foram totalmente garantidos.

Falemos da estratégia de expansão do gigante Caixa que muito embora esteja já em muitos países do mundo parece não encaixar uma verdadeira vocação para banco internacional...
A estratégia da internacionalização da Caixa Geral de Depósitos é perfeitamente assumida. Quando falamos de internacionalização, nós estamos a falar de um mercado altamente competitivo em qualquer país. Logo quando a Caixa chega a qualquer mercado vai estar a competir com o poderoso sistema financeiro local, o que vem dificultar em muito a entrada em determinado tipo de mercados mais exigentes. Não se esqueça que um banco mais do que qualquer outra instituição tem de ser reconhecido no mercado pela segurança, solidez e pela confiança.
A Caixa Geral de Depósitos sendo o 36º banco mais sólido do mundo tem essas características, mas o custo da afirmação desses valores e características em mercados exigentes e muito maduros não é fácil e tornam-se processos e operações muito caras a exigir estratégias muito próprias para cada mercado. E sobretudo é de grande exigência em recursos humanos, pois quando pensamos em internacionalizar temos de pensar que temos todo um processo formativo dos nossos quadros para que mesmo à distância possamos ter os valores da marca sistematicamente presentes. A marca de um banco do Estado, a marca do 36º banco mais sólido do mundo, a marca da transparência, da confiança e da segurança, por isso a internacionalização é uma ambição grande, mas é também um processo moroso. Sem receio se pode dizer que onde estiver a Caixa Geral de Depósitos será o Estado português que lá estará a ser avaliado e julgado.

Com a crise financeira a afectar a banca como afectou, o grupo Caixa recolheu algum efeito positivo dessa imagem de solidez e confiança?
Certamente que já ouviu que é nos “momentos de dificuldade que nós conhecemos os amigos”. A relação dos bancos com os seus clientes também não é muito diferente e por isso é nestes momentos que as pessoas encontram oportunidades para reforçar o seu relacionamento com o seu banco, e dos bancos prestarem um serviço mais adequado aos seus clientes.
Quando a crise começou a aflorar, a Caixa teve de imediato a grande preocupação em relação ao seu produto estrela – o crédito à habitação – de criar condições que fossem de encontro às dificuldades dos seus clientes. Criaram-se mecanismos de dilação do prazo, carência de período intermédio, criou-se igualmente um fundo especial para alocar temporariamente o património, enfim houve a preocupação imediata de criar condições para que os clientes se sentissem protegidos. É neste estreitar de relação de parceria com o cliente que nasce uma fidelização cada vez maior.

Mas também se diz que a Caixa ganhou muitos clientes com esta crise que vieram de outros bancos. É verdade que foram assim tantos?
Trouxe alguns, mas esse efeito está passado. A Caixa como lidera no sector financeiro, tem muitos clientes que reforçaram as suas posições no momento da dificuldade. É normal os clientes terem ancorado as suas poupanças na Caixa, já que sendo um banco do Estado as pessoas consideraram isto um facto de segurança adicional, no entanto o próprio governo ao anunciar a protecção aos depósitos, rapidamente fez regressar todo o processo à normalidade.
Mas deixe-me que lhe diga uma coisa. A Caixa é o que é no sistema financeiro pelas capacidades intrínsecas de competitividade e concorrência. Não caiamos na tentação de referenciar o Grupo Caixa apenas com o facto de ser um banco do Estado e que isso lhe dá competências acrescidas. Os “raters” (avaliadores da qualidade dos bancos) não têm muito em consideração a composição accionista do banco mas sim  as perfomances internas, o tipo de crédito, o tipo de clientes, e a qualidade da sua gestão pesa muito mais na sua avaliação do que tudo o resto. Com todas as críticas que lhe possam ser feitas a Caixa Geral de Depósitos tem sabido ser ao longo dos tempos um “fiel de balança” do sistema financeiro e é com orgulho que o digo enquanto quadro da Caixa, que somos o banco português mais bem posicionado no “ranking” de todos os bancos nacionais e isto tem vantagens na forma como se está nos outros países e como os outros países nos vêem. Claro que às vezes não gostamos da forma como fomos classificados e quando olhamos para o ranking achamos que foram mais ou menos injustos, mas nós apenas conhecemos a nossa casa e não conhecemos a casa dos outros e sinceramente gostamos pouco de falar da casa dos outros e gostamos muito pouco que falem da nossa casa.

A Caixa tem crescido internacionalmente muito nos países onde há forte presença portuguesa. É um mercado importante para a estratégia de internacionalização?
Nós não podemos esquecer na história recente da banca em Portugal e sobretudo após período revolucionário da importância da diáspora na consolidação das contas públicas. O efeito das remessas dos emigrantes, foi determinante na vida económica e financeira de Portugal. Por tudo isto eu costumo exprimir desta maneira; a Caixa quer estar onde os seus clientes estão e quer que os seus clientes estejam onde a Caixa está. São dois movimentos diferentes em função dos tipos de clientes mas que nos fazem pensar continuamente numa lógica de inovação e de forma de estar diferente no mercado. As necessidades dos nossos clientes lá fora são diferenciadas, os próprios mercados mudaram e os hábitos de consumo também. Para além disso por exemplo mercados como o Reino Unido e a Suíça que não tinham expressão, hoje em dia cada vez se tornam mais importantes a exigir um adequar constante de políticas comerciais e conceitos cada vez mais inovadores.
Este mercado vale para a Caixa actualmente mais de 5000 milhões de euros, ou seja vale mais do que o BPN em termos de negócio, por isso não podemos estar sentados sobre aquilo que fomos, mas sim temos de inovar permanentemente, até porque ser líder é muito difícil, mas mantermo-nos líderes é muito mais difícil ainda. Por isso criámos a nossa rede de clientes “não residentes”, segmentámo-los para assim podermos conhecê-los melhor, criámos condições para um contacto permanente através da internet com o banco “on-line”, acesso telefónico com linhas dedicadas e também nessa área estamos a tentar ser o mais competitivos possível, até porque numa operação deste género os custos são de grande importância e por isso a eficiência é um factor cada vez mais importante também. Queremos que os nossos compatriotas que trabalham fora se sintam orgulhosos de poder contar com um banco extraordinariamente sólido no ranking dos 50 bancos mais sólidos do mundo e que é um banco do Estado onde eles também são um bocadinho accionistas.

Angola também é um ponto de passagem importante da internacionalização da Caixa?
É sempre dentro desta lógica em que queremos estar onde estiverem os nossos clientes. Angola é um país amigo onde há neste momento um mar de oportunidades e à medida que melhoram as relações entre estados, intensificam-se obviamente as relações económicas e por isso a Caixa vai reforçar aí também a sua presença para que os seus clientes se sintam cada vez mais acompanhados. Por isso vamos ter duas operações em Angola, uma operação comercial que se traduz na compra de um banco já presente no mercado que era o Santander-Totta em que nós com uma parceria com os Angolanos vamos incrementar a nossa posição geográfica do banco comercial. Vamos ter também um banco de investimento que está neste momento em fase de arranque. As bases de entendimento foram assinadas quando da visita do Presidente José Eduardo dos Santos a Portugal e que será detido a 50 por cento pela Sonangol e pela Caixa Geral de Depósitos. O objectivo é acompanhar a evolução da economia angolana, criando oportunidades para as empresas portuguesas de poderem contribuir para esse desenvolvimento e também para o seu próprio crescimento no mercado internacional. Sempre com a  velha máxima de estar onde estão os nossos clientes e as suas necessidades.

E outros países onde a Caixa está ou pretende vir a estar?
Se reparar nós temos seguido uma lógica Atlântica que é a tendência natural do olhar português para o mundo. Para além de Angola que acabamos de falar, criámos recentemente um banco no Brasil virado para a realidade empresarial, em Moçambique temos também uma parceria com moçambicanos e sem esquecer uma sucursal em Timor, para além de presenças na Argélia e em Marrocos. Finalmente estar sempre em qualquer mercado a apoiar a internacionalização das empresas portuguesas, principalmente nos novos mercados emergentes onde as empresas exportadoras precisam do nosso apoio para crescer e desenvolverem os seus negócios fugindo muitas vezes a mercados tradicionais que já estão saturados. Apoiar assim as nossas exportações e o esforço das empresas para novas oportunidades.

José Manuel Duarte
jduarte@mundoportugues.org










EDIÇÃO IMPRESSA

Sondagem
HOJE FAZEM ANOS
Alessandra Cardoso - Brasil
Andrade Rosa - Franca
Antero Baltazar - Espanha
Armindo Domingos - Franca
Augusto Fernandes - Brasil
Custodio Brandao - Brasil
Dominique Moura - Franca
Jose Dias - Franca
Jose Goncalves - Franca
Jose Julio - Brasil
Julio Carita - Franca
Luis Vieiro - Brasil
Manoel Baeta - Brasil
Manuel Loureiro - Franca
Nathalino Dias - Franca
Ricardo Morais - Suica
Serafim Frias - Brasil
Serafim Frias - Brasil
DOSSIERS
destaque
destaque
destaque
destaque

PUBLICIDADE
destaque
destaque
destaque
destaque
destaque
 
O Emigrante / Mundo Português
Av. Elias Garcia 57 - 7º • 1049-017 Lisboa - Portugal
Tel: +351 21 795 76 69 | Fax: +351 795 76 65
Email: redaccao@mundoportugues.org   |  assinaturas@mundoportugues.org
Webdesign por