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Edite Fernandes: A nova "craque" do Atltico de Madrid em entrevista
O Emigrante / Mundo Portugus
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Edite Fernandes: A nova "craque" do Atltico de Madrid em entrevista

Segunda-Feira, 20 Julho de 2009
EDITE FERNANDES é neste momento um dos rostos de sucesso do futebol feminino português. A atacante, e uma das capitãs da selecção portuguesa, vai vestir a camisola do Atlético de Madrid numa transferência que colocou o futebol feminino como tema das conversas entre os amantes de futebol.
 
Em entrevista ao «O Emigrante/ Mundo Português», Edite revela sentir que está a dar um passo muito importante na sua  carreira e, sem rodeios, fala da selecção, do campeonato portugês e de uma alegria que é muitas vezes inexplicável: o apoio dos emigrantes portugueses quando a selecção joga no estrangeiro.

Como é que começou a jogar futebol?

Desde pequena que jogo mas federado só comecei aos 17 anos no Boavista. Estive duas épocas e ganhei dois títulos na altura.

 

Sempre quis jogar futebol?

Sempre me aventurei em qualquer desporto. E sempre tive alguma qualidade em várias modalidades. Não era tosca (risos). Quando cheguei ao Boavista era federada no voleibol mas acabei por ter que optar só por uma. E aí não tive muitas dúvidas. Achei que o bichinho e o dom estavam nos pés e não nas mãos.

 

Teve o apoio da sua família?

De início a minha família não via com bons olhos. A minha mãe e as minhas tias diziam que o futebol era coisa para os rapazes. Mas tive dois tios que sempre estiveram entusiasmados. Foram eles que me levaram ao Boavista e tudo.

 

Como é que foi a entrada no Boavista? Era muito nova...

É uma história engraçada. Lembro-me que era uma terça-feira e até me tinham dito para voltar na sexta-feira pois era quando jogava a equipa B. Os meus tios lá disseram que tínhamos vindo de Vila do Conde, que ainda era longe. Como tinha equipamento acabei por treinar e fiquei.

 

Seguiu-se o 1º de Dezembro...

Dois anos depois acabei por ir para Lisboa. Não só pelo convite do 1º de Dezembro mas também por motivos profissionais. Tive um convite para trabalhar na Expo e portanto compensava vir trabalhar para Lisboa. Mas nesse ano estive parada porque o Boavista não me deu a carta e fiquei um ano castigada. Teve que ser!

 

Em Lisboa acabou por jogar apenas no 1º de Dezembro...

Sim. Aliás em Lisboa só joguei e só jogarei no 1º Dezembro.

 

Isso é que amor à camisola...

Apesar de ter começado no Boavista e de ter sido aí que me lancei para o futebol, foi no 1º Dezembro que tive as maiores alegrias e posso considerar a equipa do meu coração.

 

A falta de condições e de reconhecimento do futebol feminino em Portugal é só um problema de dinheiro ou de mentalidades?

Já não digo que seja tanto de mentalidades. Hoje em dia já se ouve falar, já se vê na televisão, já há uma maior abertura para o futebol feminino. Ainda falta muito é claro, mas há de facto falta de investimento e de apoios. Isso é o principal. Porque através daí a imagem será diferente.

 

Acha que vamos ter uma liga profissional em Portugal?

Sinceramente acho que não. Este ano a liga vai ser diferente, mais competitiva, mas até chegar a uma profissional ainda falta muito. Eu costumo dizer que se me saísse o Euromilhões seria a doida que aparecia e apostava no futebol feminino. Tinha que aparecer alguém interessado e que investisse fortemente para apostar numa liga profissional e dar o salto.

 

Já jogou na China e em Inglaterra. Como foi a primeira experiência?

O Professor Nuno Cristóvão falou com a Carla Couto e a Sónia Matias pois tinham pedido duas jogadoras. Entretanto pediram outra jogadora e aí indicou o meu nome. Eu estava fora da lista inicial (risos) e acabei por me dar bem.

 

Depois esteve em Inglaterra...

Sim, fiz a pré-época no Arsenal. Mas depois acabei por não ficar porque as condições que ofereciam não me eram vantajosas. Mas foi uma boa experiência. É uma grande equipa e sei que este ano ou na próxima época vão fazer uma liga profissional em Inglaterra. Hoje se calhar seria diferente mas na altura não aceitei.

 

E a ida para Espanha?

Não me lembro bem como surgiu o convite mas entraram em contacto comigo e fui para o Mérida. Depois continuei em Espanha mas no Huelva. Regressei ao 1º Dezembro e depois fui para o Prainsa Zaragoza.

 

Em Espanha joga apenas futebol ou tem outra ocupação?

Esta temporada joguei apenas. Mas no Atlético vai ser diferente. Na altura quando falaram comigo propuseram-me o contrato e as condições e eu pedi para fazer qualquer coisa além de jogar. Não que seja pelo dinheiro, que ajuda como é óbvio, mas que me seja útil até para o meu bem estar mental porque uma pessoa ás tantas já, como se costuma dizer, "entra em parafuso".

 

Adaptou-se bem a Espanha?

Foi fácil. É um país relativamente parecido com o nosso. A grandeza é diferente mas está perto e se for necessário venho a Portugal. A sociedade é parecida e não me dei mal.

 

Quais os objectivos do Atético de Madrid para esta época?

O principal objectivo penso que passa estar nos oito primeiros que dá acesso directo à Taça e depois é o chegar o mais longe possível.

 

Porquê mudar de equipa agora?

Em termos de condições é um contrato melhor. A minha ideia era continuar em Saragoça se me oferecessem um contrato igual. Eu já conhecia as pessoas, estava bem, fizemos uma grande época, eu era a capitã. Mas as condições que me deram este ano não eram as mesmas que o ano passado. Tive ofertas de outros sítios: duas de Espanha e duas de fora da Europa. Podia ter pensado nisso mas acho que só para o ano ou daqui a dois anos é que penso nisso. E depois o Atlético de Madrid é um grande clube de Espanha. Tem o nome que tem e é a instituição que é. Esta camisola é diferente. A pressão acaba por ser maior. É um orgulho.

 

Sente orgulho por ser uma portuguesa de sucesso lá fora?

É um orgulho claro. É bom sentir que as pessoas se interessam e se importam. Tento manter a mesma postura e a mesma imagem mas não fico indiferente. Até para o nosso futebol é bom que haja jogadoras a ter sucesso lá fora.

 

Como sentem o apoio dos portugueses que residem no estrangeiro?

Para nós, quando jogamos fora é uma felicidade imensa sentirmos o apoio dos emigrantes. Lembro-me num jogo na Alemanha, depois de termos perdido por muitos e estarmos animicamente em baixo, foi incrível o apoio que tivemos de alguns emigrantes perto do nosso autocarro. Foi uma força, um apoio que precisávamos.

Sempre que jogamos no estrangeiro e temos lá nem que seja um português é um orgulho imenso. É muito gratificante!

"A selecção é uma família"


Como é vestir a camisola da selecção portuguesa?

É um orgulho. A primeira vez que vesti a camisola da selecção foi em 1997 num jogo em Cantanhede. Ganhámos por 2-0 à Bélgica. Nesse dia o campo estava a cheio de adeptos.

 

As pernas tremeram?

Um bocadinho (risos). Na altura foi uma sensação única que irei recordar sempre. Representar a selecção é sempre um orgulho.

 

Fica ansiosa pelos jogos da selecção?

Eu vou para Espanha e fico ansiosa pelos estágios. Acaba por ser assim. Quando o seleccionador era o José Augusto, e a selecção não viveu bons momentos, nós queríamos representar a selecção.

 

Foi uma fase díficil?

Nós estávamos lá e sentíamos ao mesmo tempo dor porque aquilo se estava a desmoronar. As pessoas responsáveis não estavam fazer nada pelo futebol feminino e as pessoas mais velhas, as pessoas que estavam lá há mais tempo, sentiam isso. Senti com muita tristeza algumas coisas que se passaram.

 

A entrada da seleccionadora Mónica Jorge mudou muitas coisas?

Houve um lufada de ar fresco, uma mudança com a entrada da seleccionadora Mónica Jorge, do Professor Sacadura e da Susana Cova. São todos muito compatíveis e fazem um excelente trabalho. Só não fazem mais porque não os deixam fazer. Hoje em dia queremos muito ir à selecção. É uma família que nós formámos ali e onde todos são importantes.

 

Acha que hoje há uma maior atenção por parte da Federação Portuguesa de Futebol à selecção feminina?

Eu acho. Os resultados também proporcionam isso. A imagem da nossa seleccionadora também é importante. Há uns anos pensava-se que a nossa selecção feminina era muito masculina e a nossa seleccionadora transmite a imagem daquilo que realmente é a nossa selecção. As jogadoras cuidam-se, as jogadoras são femininas e a ideia que se tinha antigamente é totalmente errada.

 

É diferente marcar um golo na selecção do que num clube?

É. Eu sinto que é o país todo a festejar comigo. Nem sei explicar bem. Às vezes nem sabes como festejar porque é um momento muito grande de emoção. Às vezes choras, outras ris.

 

Acha que falta um grande momento à nossa selecção?

Temos bons resultados, como os do último Mundialito, mas acho que falta estarmos numa fase final da Europa ou Mundial. E pode ser esse o momento que irá marcar a diferença na selecção.

 

A aposta na formação é uma das vias para elevar a qualidade da selecção?

A minha ideia era chegar a Portugal e formar uma Escola de Futebol Feminino. Mas a verdade é que em termos de meninas pouco há. Em termos de formação estamos mais atrasadas. O Atlético de Madrid tem formação para miúdas de 6 anos. É diferente.

 

Sente que é um exemplo para as mais novas?

Sinto e tento passar para elas a minha experiência. Na selecção há um núcleo das mais antigas mas é um grupo que é completamente aberto onde as mais novas se integram. Todas formamos um grupo só. As mais novas têm o seu valor e nós temos a mais experiência. No fundo não há isso das mais velhas e das mais novas. Agora claro que quem está lá há mais tempo tenta integrar da melhor maneira as que entram.


Ana Rita Almeida
ralmeida@mundoportugues.org


 



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