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Sexta-Feira, 30 Julho 2010 - 08:06 (Açores 07:06)
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Armando Cairutas: O português que foi Secretário das Obras Públicas no Brasil

Veio de Penacova bem perto da grande cidade universitária portuguesa – Coimbra. Veio no ventre de sua mãe, tendo nascido no ano de 1928, vinte dias após a chegada de seus pais. Antes ainda de completar os cinco anos regressou tendo feito toda a instrução primária na aldeia de Castelo Viegas em Portugal. Em 1938 regressa ao Recife onde o seu pai se estabeleceria definitivamente na construção civil. Do pai ouviu a seguinte “sentença” sobre o seu futuro: “estudar a sério e vencer, ou trabalhar no duro”. Optaria pelo estudo e formou-se em Engenharia aos 21 anos.

Pouco tempo depois foi chamado para assumir a Secretaria de Obras do Estado, na época em que foram dados os primeiros passos para a construção de Suape, o pólo de desenvolvimento de maior projecção no Brasil. Dirigiu o clube de Engenharia durante oito anos, quando construiu a sua imponente sede, tendo feito o mesmo enquanto presidente do Rotary Clube do Recife.
Esteve desde sempre ligado às instituições portuguesas. Foi remador, presidente e é ainda director do Clube de regatas do Barroso, onde organizou o museu do Remo, único no Brasil. É sócio do Hospital Português e do Clube Português do Recife, onde é sócio proprietário desde 1940, tendo sido director social. É Sócio Benemérito, e presidente da Assembleia Geral desde 2000.

Que recordações tem do tempo em que desempenhou o cargo de Secretário de Obras do Estado de Pernambuco?
Uma das melhores recordações foi o ter realizado a maior obra de saneamento e abastecimento do Estado, obra essa que ainda hoje representa 50 por cento do abastecimento de água à cidade do Recife e que já naquela época ficou a abastecer 52 municípios do interior. Foram oito anos em que trabalhei com dois governos e que me deixou muitas e boas recordações…

Fale-me da sua Fundação recentemente criada...
A fundação agora criada deve-se ao facto de eu sendo filho único e tendo também uma filha única todo este espólio não se perca e fique tudo devidamente lembrado e perpetuado, porque tudo o que fiz foi à custa de muito sacrifício e de muita dedicação e este espaço com todas estas recordações evoca isso mesmo. Aqui está muito do meu mundo, daquilo que foi realizado mas também é energia para aquilo que pretendo ainda vir a realizar

Tendo tido uma vida tão dedicada às Instituições Brasileiras, o que significa Portugal para si?
Portugal para mim significa tudo… Eu tenho dupla nacionalidade, mas Portugal está no meu coração, vou duas a três vezes por ano a Portugal visitar os meus primos naquela que foi a casa de meus pais na aldeia de Castelo Viegas e sou muito apegado a tudo quanto é “português”. Participo na vida de todas as instituições portuguesas o que aliás aconteceu durante toda a minha vida.
J.M.D.
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