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RegionalTurismo: Recordar o Douro no tempo do vaporSexta-Feira, 02 Outubro de 2009
Entre as estações da Régua e Tua, na linha mais bela e turística do país circula o Comboio Histórico. Embarcámos nesta viagem na velhinha locomotiva com um século, em que jovens maquinistas por prazer se entregam de corpo e alma à tarefa árdua de conduzir uma máquina que consome três toneladas de carvão neste percurso, todos os sábados e cujos percursos, muito procurados pelos saudosistas do “vapor” e por turistas, esgotam a lotação das cinco carruagens centenárias de Maio a Outubro... Na estação da Régua, ouvem-se as senhoras dos “rebuçados da Régua” anunciando o seu produto, por entre magotes de turistas que pouco ligam ao pregão e muitos turistas nacionais que de máquina em punho registam as fotos e os vídeos deste velhinho comboio fumegante que se vai fazer aos carris rumo ao Tua. Dentro em pouco, um resfolgar possante de vapores, ferro, água e madeiras, ir-se-á mover; exibindo-se como um dos testemunhos do esforço sobre humano que foi tornar o Douro paisagem natural e, aparentemente indomável, em Douro paisagem humana. Douro vinhedos e Douro ferroviário foram duas das maiores obras feitas pelo homem, no tempo em que não havia máquinas. O Comboio Histórico do Douro, gerido com fins turísticos pela CP, vai cumprir a primeira etapa desde a Régua, até ao Tua e volta. A velhinha locomotiva Henschel & Sohn, de 1925, inspira-nos a nostalgia de encontros e partidas em antigas estações nevoentas, como se vê nos filmes. A caldeira chia alimentada pelas brasas de toneladas de carvão em ebulição. A estação é invadida por um odor acre, uma mistura de vapor, de fricção, de óleo. Há um ranger das madeiras das carruagens, impecavelmente cuidadas. As janelas de guilhotina revelam-nos um interior quase lotado, com passageiros acomodados em assentos de espaldar. Carruagens de primeira, segunda e terceira classe, para o mesmo destino, mas com diferentes tipos de conforto. O Douro do século XXI ganha graças de século XIX, com ares de festa, é assim todos os sábados a partir das 15H00. Figurantes trajados à época recriam tradições populares. A Estação do Pinhão, no concelho de Alijó, coração do Douro Vinhateiro, é percorrido por um frenesim de expectativa. Há animação com um grupo de músicos e cantares regionais, distribui-se bola, roda o vinho do Porto em cálices. O Douro é, aqui, frente ao Pinhão, na confluência do rio com o mesmo nome da localidade, uma entidade. Vê-se as Quintas nas encostas, que transformam as uvas num vinho único no Mundo. A estação de ricos painéis de azulejos retrata a vida do Douro. Na plataforma aberta na traseira da carruagem, os passeantes acotovelam-se para conseguir aquela foto. Pinhão-Tua O comboio faz o percurso num instante, nesta linha de via única, onde horas depois irá regressar ao ponto de partida e “descansar” uma semana, para no próximo sábado voltar a fumegar por este vale acima, vale abaixo. Na estação do Tua, a máquina é rodada 360 graus à força de braços numa plataforma, como em tempos idos, já que terá que fazer agulha para tomar as cinco carruagens em sentido inverso para regressar à Régua. Aqui no Tua vê-se a linha de via estreita início da linha do Tua que em tempos nos levaria a Bragança e que hoje se fica, por enquanto por Mirandela. Aposta-se pouco no turismo ferroviário e só se encerram linhas. É pena. Soa o apito. Há um rápido retorno às carruagens. O comboio parte em direcção à estação do Pinhão. Estamos no coração de uma paisagem reconhecida em 2001 pela UNESCO como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural. O rio está perto, correndo num movimento quase imperceptível. O desnível do rio favoreceu os grandes empreendimentos do Douro, a construção de barragens como as do Picote, Bemposta, Pocinho, Valeira, Bagauste-Régua, Carrapatelo, Crestuma/Lever. Era uma época em que o Douro não era turismo. A navegação rio acima faz-se actualmente de forma bem diferente e com fins essencialmente turísticos. Milhares de pessoas hoje por terra, pelos carris, por estrada e sobretudo pelo rio fazem turismo no Douro, contribuindo para a economia nacional. Uma visita que se recomenda! |
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