Domingo, 14 Março 2010 - 13:13 (Açores 12:13)
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PADRE VICTOR: Um padre muito "pop"Com apenas 34 anos o Padre Victor vê nascer «Palavras», o seu primeiro projecto musical. Autor e compositor, conta em entrevista ao «O Emigrante/ Mundo Português» o que pretende com este caminho, a reacção da igreja e o que espera do futuro. Padre, professor e músico. Tem apenas 34 anos e quer levar ao mundo uma mensagem de paz e de amor. Como companhia tem a sua viola e a palavra de Deus. O Padre Victor acaba de lançar o seu primeiro trabalho - «Palavras» - cuja sonoridade Pop surpreende positivamente até os mais conservadores. Natural de Cujo, uma aldeia do concelho de Castro D’Aire, foi emigrante na Alemanha e regressou a Portugal quando entrou na escolaridade obrigatória. A vocação de servir Cristo foi algo que sentiu desde cedo e com apenas 12 anos entrou no Seminário menor de Resende onde permaneceu quatro anos, ingressando depois no Seminário Maior de Lamego. Fez na Universidade Católica em Viseu seis anos de Teologia com licenciatura. No dia 10 de Agosto de 2020 foi ordenado Padre na Sé Catedral de Lamego. Em toda a sua juventude a música foi sempre um meio para levar a palavra de Cristo em Portugal e no estrangeiro junto dos emigrantes portugueses. Depois de ter estado em Vila Nova de Foz Côa é agora o Padre da Paróquia de Torre de Moncorvo em Trás-os-Montes. «Palavras» é o seu primeiro trabalho. Como o descreve? Como o próprio título indica são as palavras que eu escrevo e as palavras que eu quero transmitir aos outros. É a minha forma de ver o mundo, de ver a sociedade, de interpretar a vida. É a minha forma de falar às pessoas esta linguagem de paz, do amor. Fazê-las acreditar que é possível acreditar no amor, que é possível fazer melhor e que vale a pena confiar e ter esperança. Como surgiu esta ideia? Foi uma proposta que eu fiz à editora Cantigas da Rua para que estudassem este projecto. Eles abraçaram este projecto comigo e assim nasceu «Palavras». Como é que este sonho musical entrou na sua vida? A música faz parte da própria natureza e faz parte da própria criação também. O som, qualquer barulho, têm harmonia, uns são é mais agradáveis que os outros. A música entrou na minha vida cedo mas desde que entrei para o seminário tive um contacto mais directo com ela. E foi aí que me comecei a interessar: deixei de ser o ouvinte e passei a ser aquele que também queria escrever e queria compor. Como é que as pessoas reagem a um padre que canta música pop? Até agora como uma novidade. Uma certa expectativa que se cria nas pessoas de como será este projecto «Palavras», que é um projecto de um Padre. Este novo projecto tem também como objectivo mostrar às pessoas que é possível evangelizar através da música. Não é só na eucaristia. Porque a missa celebra-se durante a semana, vive-se no dia-a-dia. É também uma forma de chegar aos mais jovens? Também. A música é um veículo poderoso para se passar uma mensagem positiva ou menos positiva. A mensagem que eu faço passar através destas «Palavras» é positiva para chegar às pessoas e para ajudá-las a compreender um pouco que é possível acreditar. Vale a pena confiar neste Deus que nos ama. O primeiro single do seus disco faz parte de uma telenovela. Costuma acompanhar? Sempre que me é possível (risos). Fiquei surpreendido pelo facto de logo no dia de estreia passarem a música. Foi um dia interessante porque é uma novidade. E a novidade tem sempre o seu peso. Também foi o concretizar de uma etapa. Nota-se que tem um grande orgulho neste trabalho? Não consegue disfarçar... Tenho sim. Foi uma etapa que venci. E cada uma tem a sua riqueza. Nunca me imaginei numa coisa assim mas ainda bem. Pode ser um projecto que Deus deixou para mim. É um Pop agradável e fresco que as pessoas vão gostar. É um projecto que julgo ser muito agradável e audível. Viveu na Alemanha. Foi para lá com que idade? Fui pouco tempo depois de ter nascido e vivi lá até aos sete anos. Lembro-me de algumas coisas. O meu alemão perdeu-se o que é pena (risos). Mas recordo-me que estava na zona de Frankfurt Mainz e recordo-me de algumas coisas. Mas vai ao Canadá todos os anos e está com a comunidade portuguesa. Como é essa experiência? No mês de Maio sou convidado pela comunidade portuguesa de Toronto, na zona de Bradford, para fazer as celebrações da nossa Senhora de Fátima e também fazer as do povo açoriano nas celebrações do Divino Espírito Santo. É uma partilha de fé. Conviver com os portugueses que estão fora de Portugal é fantástico. Como vive essa experiência? É uma experiência interessante porque os nossos emigrantes que estão fora de Portugal vivem o patriotismo de forma diferente. Os portugueses no estrangeiro vivem a fé de forma mais viva. Lá fora há uma continuidade das tradições que se perdem em Portugal. Os emigrantes vivem a fé, a tradição, tudo o que é português de uma forma extraordinária. Eu fiquei admirado. Em todas das paróquias onde estive ou visitei, nunca vi fazer uma Procissão de Nossa Senhora como se faz no Canadá. É feita de uma maneira tradicional, à antiga mesmo. E eles vivem isso de uma maneira linda. Como é o seu dia-a-dia? Sou professor de Educação Moral e Religiosa desde os 5º aos 10º anos em Torre de Moncorvo. Durante a semana estou com os meus alunos e tento partilhar com eles o que sei. Tento passar para eles os valores do amor e de aceitar o próximo tal como ele. No fim-de-semana estou com os meus paroquianos. Faço as minhas celebrações e estou com as pessoas. Como é que arranja tempo para fazer tantas coisas? Não é fácil mas quando nós fazemos por gosto e com amor conseguimos arranjar tempo. Consigo tempo para estar com os paroquianos, para as aulas, para a música. É bom conseguir. É outra forma de evangelizar. Tem muitos jovens a querer falar consigo? Tenho. Os meus alunos confiam muito em mim. Partilham comigo as experiências das suas vidas. Procuram em mim muitas vezes uma ajuda para as suas dificuldades e problemas próprios da juventude. Eu fico feliz em saber que eles vêem em mim um amigo. E os mais idosos? Até brincam. Dizem-me que “ainda bem que é novinho” (risos). Eles aceitam bem e se há alguém que está aberto a esta novidade são as pessoas de mais idade. Sabe, eles já passaram por muitas coisas. Dá-lhes sabedoria. Desde a mudança de eucaristia do latim para a língua oficial de cada país, desde que o Padre celebrava a missa de costas para as pessoas... Hoje a igreja caminha para estar com as pessoas, para uma abertura cada vez maior. Devagar mas caminha... A igreja aceitou bem este seu caminho musical? Estou em comunhão com a igreja. Nem podia ser de outra forma. Não podia estar a fazer um projecto contra o meu bispo. Aliás posso partilhar que no meu primeiro concerto de apresentação, convidei os sacerdotes da minha diocese de Lamego e aqueles que estavam mais perto da minha zona, e foram cerca de 18 sacerdotes. Lá estiveram e gostaram. Este seu caminho musical também é uma tentativa de aproximar mais as pessoas da igreja? Há uma expressão de São Tiago que acho extraordinária: “mostra-me a tua fé sem obras que eu pelas minhas obras te mostrarei a minha fé”. Isto não quer dizer que quem não vai à igreja é pior. Porque hão-de ser piores? É importante que também haja nas próprias pessoas os valores positivos para partilharmos no nosso mundo que é a nossa casa. Este projecto passa por aí. Porque evangelizar não passa só por aquilo que partilhamos na eucaristia. E aqueles que não vão? Como se chega a eles? Como se chega às pessoas que não vão à missa? Sei que vibra muito com o Benfica. É desta que vão ser campeões? Acompanho sempre o Benfica. Acho que Jorge Jesus está a fazer um bom trabalho na equipa. Está a motivar toda a massa benfiquista. Eu fico muito feliz que o meu Benfica esteja a jogar e a vencer bem. É adepto de camisola e cachecol? Sou. Chego a vir de Torre de Moncorvo para ver o Benfica e depois do jogo volto para casa. Ana Rita Almeida ralmeida@mundoportugues.org |
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