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Segunda-Feira, 15 Março 2010 - 13:07 (Açores 12:07)
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Luís Alves Vilella: “Estamos a viver o pior tempo para os clubes"

Presidente do Clube Português do Recife (Brasil) desde 2004, Luis Alves Vilella, alargou o salão de festas e reformou o palco. Construiu três camarins e três bares de apoio. Construiu ainda a nova entrada para grandes festas pela Av. Agamenon Magalhães. Instalou o Parque Aquático e renovou o Play Ground. Procedeu ainda a uma profunda e necessária reforma no Departamento de Pessoal.

Ser presidente de um clube desta envergadura não será certamente tarefa fácil apesar de ser uma grande máquina já em funcionamento. Conte-me um pouco como foi o seu percurso?
Eu frequento este clube há mais de 50 anos. Morava aqui quando era criança e então a minha vida sempre foi aqui pelo clube, aqui era o meu lazer logo a partir dos doze anos. Com o passar do tempo comecei a praticar desporto no clube e foi assim que se foi criando esta ligação. Fui treinador de hóquei em patins, mais tarde dirigente, director jurídico. Depois tive alguns anos em que estive afastado por afazeres profissionais até que voltei ao convívio do clube para este lugar que já ocupo desde 2001.
O clube atravessou muitos problemas por causa da crise económica e social que acabou dividindo as pessoas e que veio criar mais problemas ao próprio clube. Por isso a minha aposta desde o início sempre foi reunificar e voltar a unir os associados em torno do clube, porque aqui é a casa dos portugueses mas também dos brasileiros que foi com esse espírito que o clube foi criado.

Quantos sócios tem hoje o clube?

O clube tem hoje cerca de 2500 a 3000 associados distribuídos em várias categorias. Os sócios contribuintes pagam 60 reais por mês (25 euros), sócios casal e sócios família que inclui os filhos até atingirem a maioridade. O sócio individual paga 45 reais e apenas ele tem direitos sobre o clube e suas actividades.
O clube hoje em dia é um prestador de serviços e só assim consegue ter novos associados, desde a sauna à academia, salão de beleza, massagens, danças de salão, três piscina, uma delas de classe Olímpica, ténis e um sem número mais de actividades lúdicas. Neste momento por exemplo estamos terminando de construir um novo campo para ténis em relva sintética. Para além disto o clube oferece um bom ambiente entre as pessoas que aqui se sentem bem com seus familiares e amigos.
Para usar todo este equipamento o sócio não paga mais nada, apenas paga se pretender frequentar cursos ou aulas especiais de formação com o auxílio de professores, embora tenha sempre um desconto substancial em relação ao público em geral.

De qualquer modo toda esta actividade do clube gera grandes despesas. Como é que o clube hoje em dia se financia para suportar estas actividades?
O clube hoje dá a terceiros a realização de diversas actividades. Os nossos desportos que dão uma despesa muito grande e não temos condições de suportar isso com os nossos próprios recursos, a solução é arranjar patrocinadores de diversas áreas que acabam apoiando a nossa competição desportiva.

Sei que muito em breve a Secretaria de Estado das Comunidades vai instalar aqui um consulado virtual, daí vem alguma compensação ou é só o clube a dar?
Infelizmente é só o clube a dar não vem nada de lá. É apenas mais um serviço que nós pretendemos prestar aos sócios do clube. O clube hoje progride e de há sete ou oito anos a esta parte tem ganho um novo impulso de crescimento.

E os jovens estão a participar mais ou afastam-se do clube?

O clube tem muitos jovens mas não necessariamente os filhos dos portugueses. É uma situação difícil de perceber, parece que o facto de o pai ter participado no clube o leva a um certo afastamento. O clube hoje tem mais associados brasileiros do que portugueses o que também não deixa de ser natural porque se trata de um clube com uma grande história pelas realizações que fez nesta cidade no passado e cada vez mais as novas gerações se assumem como brasileiros também.

Entretanto a vida mudou muito e as pessoas afastaram-se naturalmente destes clubes, tornando-se mais individualistas. Será que ainda iremos voltar aos bons velhos tempos dos clubes?

Eu penso sinceramente que isso vai acontecer e não irá demorar muito. Actualmente estamos vivendo o pior tempo. O carnaval por exemplo acabou aqui no clube. Não podemos concorrer com as prefeituras que “acabaram” com o carnaval dos clubes, pagando fortunas pela diversão e dando de graça para o povo. Isso matou os carnavais dos clubes porque hoje se organizar uma festa dessas e não tiver um mínimo de dez mil participantes não vai ganhar nada, e por isso é melhor não fazer.

J.M.D.
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