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O verdadeiro Natal de tradio familiar em Portugal...

Segunda-Feira, 14 Dezembro de 2009
O Natal é uma das festividades mais importantes no nosso país. Em Portugal, as celebrações têm um grande pendor religioso, embora muitas tradições de origem pagã sejam ainda usuais. A importação das celebrações típicas dos países anglo-saxónicos tem também contribuído para mudar muito a forma como o Natal é comemorado em Portugal. No entanto, o aspecto mais importante e que prevalece é o da festa da família, oportunidade para pôr as divergências de lado, voltar ao local de origem e comemorar com os pais, avós e outros familiares.

Um dos aspectos mais importantes da véspera de Natal é a Consoada. No dia 24 de Dezembro é servida uma ceia especial depois da Missa do Galo e que é preparada geralmente durante todo o dia. Dela faz parte um prato de bacalhau, geralmente cozido com legumes, para simbolizar a abstinência que se deve preservar na véspera da celebração do Natal. No entanto, são também bastante populares os doces e sobremesas acompanhados com vinho verde ou tinto, dependendo do que é mais tradicional em cada região. Os pratos dependem grandemente das tradições locais, pois, por exemplo, no Minho é usual cozinhar também os Mexidos, espécie de açorda feita com pão e água e temperado com mel e Vinho do Porto.
De forte tradição são ainda as rabanadas, as azevias, as filhós de abóbora, ou as broas de mel. Outro ingrediente indispensável de qualquer celebração de Natal são os frutos secos o que é natural, uma vez que se colhem no Outono.
A celebração religiosa do Natal começa à meia-noite do dia 24 de Dezembro com a Missa do Galo. O objectivo é celebrar o nascimento de Jesus Cristo, que a Igreja Católica atribui a este dia. Os fiéis deslocam-se à Igreja para a cerimónia, voltando em seguida para casa onde comem a ceia e abrem os presentes. A designação de Missa do Galo deve-se à lenda que afirma que um galo cantou a essa hora para anunciar o nascimento de Jesus Cristo, o Menino Jesus.
O dia de Natal também encerra algumas tradições especiais. A família deve passar este dia reunida e partilhar uma refeição especial. O almoço ou jantar de Natal, que varia consoante as regiões do país e consoante as preferências das famílias é tradicionalmente cabrito assado. No entanto, os costumes estrangeiros, nomeadamente ingleses e norte-americanos impuseram o peru recheado. Outras justificações para a popularidade do perú referem-se ao baixo preço que esta carne temi em comparação com o cabrito. Os doces e sobremesas voltam a ter um papel de destaque nesta refeição.
Uma última tradição muito importante para o período de Natal é o Bolo Rei. Originalmente era um bolo especial que se destinava a celebrar o Dia de Reis, a 6 de Janeiro, data em que se supõe que os reis magos teriam chegado a Belém para oferecer presentes ao menino Jesus. O significado específico do bolo já deixou de ser associado ao dia de Reis unicamente, sendo consumido durante toda a época natalícia.
Dentro do bolo pode ser encontrado um pequeno presente (este presente actualmente foi proibido por uma questão de segurança, por causa das crianças) e uma fava, indicando o primeiro a sorte de quem o encontrou e o segundo a obrigação da compra do próximo bolo.
As origens desta tradição estão associadas a jogos que eram feitos para celebrar o dia de Reis e que variavam de lugar para lugar. Dessa tradição ficou apenas o bolo e nenhum dos rituais.

Tradições NATALÍCIAS

As origens de muitas tradições que caracterizam as celebrações modernas do natal perdem-se nos tempos. No entanto, é possível identificar algumas raízes pagãs e romanas da festa católica do Natal.
Os povos primitivos tinham rituais marcados pelas estações do ano e em Dezembro era a altura do solstício de Inverno, ou seja, o período mais frio do ano chegava a meio e, a partir daí, os dias ficam maiores e mais quentes. Para comemorar essa data, era organizada uma grande festa que poderia durar vários meses. Os países nórdicos vieram acrescentar alguns traços importantes a essa celebração como a figura do Pai Natal, cujas origens remontam a esse período.
A influência dos romanos faz-se sentir através de outra celebração em honra do deus romano Saturno, cujas festas eram um dos pontos altos do ano. A bebida, a comida e os divertimentos abundantes caracterizavam este período em que os rigores do Inverno eram esquecidos por alguns dias.
A celebração religiosa do Natal só foi iniciada no século IV quando o Papa Júlio I levou a cabo um estudo exaustivo sobre a data de nascimento de Jesus Cristo e acabou por estabelecer oficialmente o dia 25 de Dezembro para as comemorações. Posteriormente, outras celebrações que tinham por base rituais pagãos ou romanos foram adoptadas e transformadas para se inserirem no âmbito das comemorações cristãs.
Uma das tradições mais marcantes do Natal é a Árvore de Natal. O culto da natureza dos tempos pagãos está sem dúvida na origem da celebração da árvore, embora esta só tenha sido adoptada oficialmente para as celebrações na Alemanha em 1539. Mais tarde, a árvore passou para todo o mundo, principalmente através dos casamentos celebrados entre famílias reais e que levaram a uma propagação do costume a outros países europeus e depois ao resto do mundo através da colonização.
O elemento religioso foi introduzido através da escolha de motivos piedosos para a decoração das árvores como as velas (actualmente luzes eléctricas), os anjos e a estrela, que é costume colocar no topo e representa a Estrela de Belém que terá guiado os Reis Magos. Na maioria dos países, a árvore utilizada é um abeto, uma árvore de folha perene que se mantém viçosa no Inverno, mas, em Portugal, o pinheiro é mais usado por ser mais vulgar no nosso tipo de clima.

O PAI NATAL

O Pai Natal é uma figura importante em qualquer celebração de Natal e a sua origem é bastante antiga. Nos países nórdicos, era costume alguém vestir-se com peles e representar o “Inverno”. Essa figura visitava as casas e ofereciam-lhe bebidas e comidas, pois acreditavam que se o tratassem bem a sorte iria abençoar a casa. Mais tarde, o Pai Natal, velhote, boémio, alegre e robusto foi associado à figura de São Nicolau. Este bispo turco teve um percurso característico, tendo ajudado os pobres e as crianças, oferecendo-lhes presentes e dinheiro. A sua generosidade deu origem a lendas segundo as quais ele visitaria a casa das crianças no dia 6 de Dezembro para lhes deixar presentes.
Mais tarde, as duas figuras foram associadas, embora apenas no século XIX é que tenha surgido uma imagem definida do Pai Natal. O norte-americano Clement Moore escreveu um poema em 1822 intitulado «Uma Visita de São Nicolau» em que descrevia em pormenor a figura e, desde então, tem sido essa a imagem utilizada: um velhote gordinho e alegre, que se desloca num trenó puxado por oito renas e entra em casa pela chaminé. Um aspecto curioso da figura é que a cor definitiva dos trajes do Pai Natal é bastante mais recente do que se imagina e tem uma origem pouco ortodoxa. Nos anos 30 do século XX, a Coca-Cola contratou um publicitário para criar a imagem da marca para a campanha de Inverno. Deste modo, as cores da empresa ficaram associadas para sempre à figura do Pai Natal, o encarnado e o branco.
Os presentes de Natal já se tornaram um ritual obrigatório. E embora sejam apontados motivos religiosos para a oferta de prendas, ela tem raízes mais antigas. Em Dezembro, estando já passada a primeira metade dos rigores do Inverno, a celebração era pontuada por um grande consumo de alimentos. Como cada agricultor tinha uma especialidade própria, surgiu a tradição de trocar produtos, de forma a que todos pudessem consumir alguma variedade. Os romanos reforçaram este hábito, aumentando o volume e valor das ofertas. Mais tarde, os cristãos adoptaram este costume, simbolizando a oferta de presentes o altruísmo do ideal católico, patente nos presentes trazidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus.

O PRESÉPIO

O presépio de Natal é uma tradição antiga, surgiu no século XIII, e ainda hoje se cumpre na maior parte dos lares. As primeiras imagens que representam a Natividade foram criadas em mosaicos no interior das igrejas e templos, remontando ao século VI. São Francisco começou a divulgar a ideia de criar figuras em barro que representassem o ambiente do nascimento de Jesus. O primeiro presépio foi construído por São Francisco, em 1224, tendo sido celebrada uma missa que foi descrita como tendo um ambiente verdadeiramente divino. A partir dessa altura, a ideia foi-se propagando para os conventos e casas nobres, onde as representações se tornavam cada vez mais luxuosas.
Na caixa ao lado publicamos uma lista dos presépios mais tradicionais do nosso país para que os possa visitar num passeio próximo.







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