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EconomiaSuper Bock à conquista da ChinaTerça-Feira, 12 Janeiro de 2010
O mercado chinês é a mais recente aventura da empresa cervejeira Unicer. A empresa está hoje em 50 países e já gera 30% do seu resultado operacional fora de portas. A oportunidade foi motivada pelos reduzidos custos de transporte... É a mais recente aventura da Unicer em mercados internacionais. A empresa de cerveja, que já exporta actualmente para cerca de 50 países, decidiu experimentar a sua sorte no mercado chinês. Só entre Janeiro e Agosto de 2009, Portugal importou cerca de 810 milhões de euros em produtos vindos da China. E para o mercado chinês enviou bens correspondentes a menos de um quarto desse valor. Ou seja, muitos dos contentores que saem dos portos nacionais regressam à China quase vazios, o que permite negociar baixos preços de transporte. António Vaz Branco, administrador para a área internacional da Unicer, faz as contas. “Um contentor para Angola (principal mercado exportador da empresa) custa cerca de 2.700 euros. Para a China, este valor é de 530 euros”, explica. É pouco mais do que enviar um camião carregado do Porto ao Algarve, o que ronda os 500 euros. “É habitual dizer-se que o problema em exportar para a China é o custo do transporte. Não é assim, bem pelo contrário”, salienta. Os primeiros passos ainda estão a ser dados. A Unicer chegou à China em Junho de 2009, à região costeira de Whenzou, e descobriu que Super Bock significa, no dialecto local, super-homem, “numa perspectiva de conhecimento e inteligência”, conta Vaz Branco. Para já, a marca está apenas presente no canal “horeca” (hotéis, restaurantes e cafés) embora a empresa não revele o número de pontos de vendas em que está já presente Para a China é enviada a cerveja original, a stout e a Super Bock em garrafa de alumínio, para concorrer com uma marca local que se apresenta também com este tipo de embalagem. A escolha prende-se com o posicionamento que a Unicer quer alcançar naquele mercado chinês. “Existe no consumidor chinês a apetência pelo consumo de produtos importados de elevada qualidade associados ao estilo de vida europeu. É neste contexto que se identificaram, até ao momento, estes segmentos de cerveja onde a Super Bock se encaixa na perfeição”, detalha o responsável. Nesta estratégia, a empresa conta como parceiro com um empresário chinês, que vive na cidade do Porto. Os primeiros seis meses em Whenzou representaram vendas de mais de 100 mil litros. Um volume residual tendo em conta que, por exemplo. O mercado angolano recebe anualmente cerca de 120 a 140 milhões de litros de cerveja de origem portuguesa. Numa fase de arranque, diz Vaz Branco, o que importa não é tanto o volume, mas as oportunidades que daí poderão surgir. O mercado local é um modesto consumidor “per capita” de cerveja mas, como tudo na China, também a apetência por esta bebida está a ter um “crescimento fenomenal”. Pelas especificidades do mercado, a operação assenta no estabelecimento de parcerias com distribuidores locais. Entrar num mercado como a China “não é fácil” e requer parceiros de confiança e que controlem com rigor a operação local, nomeadamente no que concerne a questões legais”. Para já, tudo está a correr bem e a Unicer acredita que a distribuição será alargada de modo progressivo. Na rede de comercialização, chegando à área alimentar, e também em território geográfico, entrando na província de Xangai ainda este ano.A China junta-se assim aos cerca de 50 mercados para os quais a empresa exporta, desde África ao Médio Oriente (com cerveja sem álcool para países como Irão e Iraque) e vários mercados asiáticos como Japão e Filipinas. “Hoje, 30% do resultado operacional é gerado fora de Portugal e temos a certeza de que vamos conseguir muito mais nos próximos anos”, remata o administrador. |
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